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DEZASSETE DE JANEIRO

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Fotografia de Carlos Ricardo * DEZASSETE DE JANEIRO * Irei desintegrar-me em dez segundos Após a conclusão do que decreto Aqui, preto-no-branco, a branco e preto, Em caracteres ousados e rotundos * Há vermes a soltar viscos imundos Sobre o que já foi sonho e foi projecto E agora pode ser o mais abjecto Dos actos sujos, vis, nauseabundos * Nada de novo aqui, neste poema: Bem melhor abordou o mesmo tema Henriques Britto, o bom soneticida * Que no seu "Dezanove de Janeiro" Fuzilou um soneto passageiro Meteu-se na "bagnole" e fez-se à vida. *   Maria João Brito de Sousa Portugal * Inspirado no soneto "Dezanove de Janeiro" do poeta brasileiro Paulo Henriques Britto * Bagnole - automóvel, veículo de 4 rodas ou carripana em francês

SONETICÍDIO

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  SONETICÍDIO * Diz-me Manoel de Barros que do lixo Brota tudo o que serve a poesia. Eu, que poeto e que também sou bicho, Aplaudo essa ostensiva (alter)grafia. * Depois, sentada neste meu cochicho, (sobra-me entulho nesta casa fria) Observo o ´bric-à-brac` e chego ao nicho Duma verdade oculta, que eu nem via; * Sendo mestra em fazer coisa nenhuma, Rainha dos coxins de sumaúma E artesã do que houver de mais inútil, * Dedico-me à palavra. Uma por uma, Rejeito as que não tenham peso-pluma E rasgo as de aparência menos fútil. * Maria João Brito de Sousa – 14.07.2018 -18.44h