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ORA PAPOILA, ORA FRAGA II

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ORA PAPOILA, ORA FRAGA II * Não me levem as asas. Pouco ou nada Me vai restando do que em tempos tive E nem a rocha bruta sobrevive Caso em cascalho seja transformada * Se progressivamente triturada Até que recidive e recidive Na total frustração que a prenda e prive De ser flor, sendo rocha assoreada. * Devo-me à vida até que a morte chegue E, antes que soe a hora da partida, À vida entrego o que me foi entregue * Multiplicada, se diminuída, Entre o que me esclareça, o que me cegue E aquilo que colhi, sendo colhida. * Maria João Brito de Sousa – 26.01.2019 – 12.33h       Imagem retirada  daqui

ESCOLHAS E... ESCOLHOS

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ESCOLHAS     Ah! Não fora tão forte esta certeza De ter ainda tanto por fazer, Das coisas por sonhar, por aprender, Talvez tivesse tempo pr`à tristeza...   Talvez não me sentasse em cada mesa Só pr´a poder criar, poder `screver (é por isto que nunca irei saber se seria feliz tendo riqueza...)   Desfeita nas palavras sou feliz Vivendo do que tenho e sempre quis, Sendo, no fundo, aquilo que Deus quer...   Palavras, esses bens que não se esgotam, Que, passando por muitos que as não notam, É sempre a mim que acabam por escolher...     ... E ESCOLHOS     Este ser-como-sou que aqui descrevo, O ser, exactamente e tal e qual, Aquilo que vos mostro em virtual, Este sobreviver de estranho enlevo,   Todo este não-sei-quê se pinto ou escrevo, Eu, este absurdo bicho, este animal, Que está comigo e que quer ser igual, É tudo o que vos pago, o que vos devo.   Fico, ás vezes, perdida no sentido... Será que alguma vez terei mentido? Mas não penso demais... antes sentir!   (tantas vezes c`os olhos tão v...

DE PASSAGEM I e II

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  Passagem! Eu, por cá, estou de passagem! Passo por esta vida e vou deixando Sementes do que for congeminando, Porque assim se me cumpre esta viagem   E passo até por ti, que adivinhaste Meus versos de semente abrindo em flor Pois assim deve ser enquanto for Preciso semear no que sonhaste...   Passagem! De passagem se semeia, De passagem se colhe esse sonhar A despontar em nós que o semeámos,   De passagem se vive uma epopeia, Se rasgam novas rotas pelo mar, Se sobrevive ao sonho que sonhámos! . II   Eu passo pelo mar, passo por terra E é no ar que construo o meu poema Enquanto, lá de baixo, a vida acena Com todos os mistérios que ela encerra   E desconstruo o sonho e volto à vida, Vou decifrando mais e, deslumbrada, Retomo a minha eterna caminhada Em direcção à Terra-Prometida   Pois passo e no passar é que desvendo Os segredos do mundo, o que ele murmura Enquanto o tempo passa como eu passo   E quanto mais passar, mais eu aprendo; É viagem de estudo à sepultura, Mas nunca passará qu...

http://ajudafabio.blogspot.com

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Respondo ao teu sorrir, não digo não! Quanto pudera em mim `inda engendrar Seria muito pouco pr`a pagar Teu límpido sorriso, ó meu irmão! . Com pouco, com tão pouco, se faz tanto! Ainda um ser humano, uma criança, Nos mostra este sorriso aberto em esp`rança Que faz ruir o nosso desencanto! . Num Blog ao pé de ti, que me visitas, Há um menino alegre e sorridente Que sabe o que é viver, o que é sonhar! . Por ele traço as palavras mais bonitas E aponto o caminho a toda a gente Para que o possam ver e acreditar! . 14.20h

O PASSO EM FRENTE...

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  Num instante tão breve, um sopro só, Desfaz-se este meu "estar agora aqui"... No exacto segundo em que o vivi É já passado o tempo... e não tem dó! . A vida "aqui e agora" é um caminho Que fecha atrás de nós a porta aberta... Ninguém pode parar (é morte certa!) Um segundo que seja, um instantinho... . E passa, passa o tempo flutuando, Serpenteia o caminho e ninguém sabe Se à frente ainda há portas por abrir... . Nós vamos caminhando e tacteando... Só mais uma passada e a porta abre Na direcção da porta que há-de vir... . Este é especialmente dedicado ao Migalhas porque foi ele que o inspirou e a um jovem que a esta hora (a que começou quando escrevi o H e acabou quando escrevi o A...) está sentado, no seu Banquinho, à espera de um sonho... 17.03.08 - 12.37h  

(IN)DEFINIÇÕES

Eu quase nunca entendo o que em mim cresce; Aceito o que vier, só de o sentir, Mas prefiro aceitar do que pedir. Sou semente do Deus que em mim floresce. . De humana e pequenina que sei ser Ascendo à condição de ser Palavra Por obra dessa força que em mim lavra Do verbo original, dessoutro CRER . Que vai tão mais além do que o que sou! Pequena, tão pequena que nem sei Como alcançar os longes que me apontam . E deixo-me embalar... e venho, e vou Entre o que já vos disse e o que direi Nos versos que encontrei, porque me encontram.   Maria João Brito de Sousa - 16.03.2008 . 16.03.08 - 16.36h

RESSURREIÇÃO

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    Verdade! O que vos digo é só verdade! Por não saber mentir, sou talvez louca, Embarga-se-me a voz e fico rouca De tanto vos falar da liberdade...   Às vezes sinto dor! Uma ansiedade Vem do fundo de mim, tapa-me a boca, Faz-me sentir que a minha  voz é pouca Pr`a vos tentar  cantar tanta saudade...   Depois vem uma Luz que me deslumbra, Arrebata-me inteira; corpo e alma, De novo se me torna a voz urgente   E assim vivo, entre a Luz e a penumbra, E nasce outro poema e fico calma E ressuscito em cada sol nascente...         Maria João Brito de Sousa     28.02.08 - 15.00h . Ao Yodlery porque, de alguma forma, mo sugeriu.

A BARCA DE CARONTE (Ao Poeta António de Sousa)

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  Sou, por tua vontade, ó mar ingrato, Da Barca de Caronte o timoneiro; Nela percorro o Universo inteiro Em busca do pecado ou do recato.   E, nela, o meu destino, esse insensato, Me condena ao inferno derradeiro De eterno comandante e prisioneiro Da barca a que me prendo, onde me mato...   Aqui, neste vai-vem, eu nasço e morro Mil vezes por segundo em cada dia Das mil eternidades por chegar   E, pr`a mim não há esp`rança de socorro, Nem porto para a barca da agonia A que me condenaste, ingrato mar...   Maria João Brito de Sousa - 27.02.2008 - 12.54h   Na foto, Miguel Torga e António de Sousa em Coimbra, 1937. Fotografia retirada do JL de 16.03.1981   NOTA - O soneto é de minha autoria e quem, como eu, tivesse vivido junto dele durante tantos anos, saberia que o "vestiu" na perfeição das suas horas mais amargas...  

A COR DAS ESTRELAS

Uma estrela é da cor que existe em nós. Azul ou amarela... tanto faz! A cor da estrela muda porque traz Ecos do nosso olhar, da nossa voz... . A estrela tem a cor que Deus quiser, A cor que for pulsando em nosso peito; Se o nosso olhar procura o que é perfeito, Devolve-nos a cor que nele houver.   São todas como espelhos pequeninos A reluzir no escuro firmamento E enqaunto olhos do céu, às vezes choram, . Se ousarem partilhar nossos destinos... Olhadas em total deslumbramento, Terão a cor dos sonhos que lá moram.     Maria João Brito de Sousa - 24.02.2008 - 13.25h . Acabadinho de nascer, a pedido do Frágil e com o Alto Patrocínio do Grande Arquitecto -23.02.08 - 13.25h