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A mostrar mensagens de março, 2017

GLOSANDO IDALINA PATA

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  EU E AS PALAVRAS Juntos , tu, eu e as palavras, Vamos pela vida lado a lado, Tentando esquecer o que é passado, Para ter o futuro que ambicionava.   A palavra é a minha companhia, Nos melhores momentos e nos maus, Quando a minha vida está um caos, Busco na palavra a energia.   Às vezes não encontro o que dizer, E por essa razão eu fico triste, E sinto que por dentro estou vazia.   Mas quando começo a escrever, Vejo que a Paixão ainda existe, E volta de novo a alegria.   Maria Idalina Pata 29-03-2017   *******************   O MEU CANTIL DE PALAVRAS "Juntos, tu, eu e as palavras", Escrevemos tudo aquilo que entendermos Desde que essas palavras sejam termos Concretos e leais, nas suas lavras...   "A palavra é a minha companhia", Minha raiz, meu fruto e meu sustento; Dela me nasce um caule, inda rebento, Que cresce noite a noite e dia a dia...   "Às vezes não encontro o que dizer" Porque a palavra tarda em renascer Quando a vida me lança em campo hostil,   ...

GLOSANDO VASCO DE CASTRO LIMA

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  COLHEITA Surge o coro dos pássaros cantores na catedral pagã da mataria. O milho ruivo e os pomos tentadores cobrem a terra pródiga e sadia. É o tempo da colheita. Os segadores remoçam, cantam, choram de alegria. Como prêmio ao suor dos lavradores, não vai faltar o pão de cada dia. Garças esbeltas, de alva formosura, passeiam pelo campo aquela alvura que põe, no verde, branquidões bizarras. E o coqueiro se curva, satisfeito, porque ainda vibra, dentro do seu peito, o zunido estridente das cigarras... Vasco de Castro Lima In osecularsoneto.blogspot.pt COLHEITAS,,, "Surge o coro dos pássaros cantores" E eu páro de cantar, que é já cumprida A função de aliar-me aos produtores Das mais belas colheitas desta vida. "O tempo é de colheita. Os segadores" Empunham, com mão forte e decidida, As foices e, esquecendo algumas dores, Empenham corpo e alma na corrida. "Garças esbeltas de alva formosura" Vão-nos sobrevoando a grande altura, Um mesmo sol dourado os abenç...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XLIII

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  DIAS DE MULHER Na madrugada ainda escurecida Desperta, com o sono inacabado E vai ainda meio adormecida Começar mais um dia complicado   Tem como companheira a avenida Que percorre com passo já cansado Do tanto que já fez, até comida! Para poupar no seu magro ordenado   Entre papéis com tanta informação Pessoas e projectos, reunião O seu dia passou alucinante   Já em casa as palavras são caladas Plo silêncio que soa quais baladas No cansaço que em si se faz reinante       MEA 21/03/2017   *******************   TODOS OS DIAS...     "Na madrugada ainda escurecida", Desperta antes que o sol possa ofuscá-la E mesmo que tirite enfrenta a vida, Que a mulher pobre, nem o frio a cala.   "Tem como companheira a avenida" Que a leva desde o quarto até à sala; Passo a passo a percorre decidida A não falhar um passo e a alcançá-la.   "Entre papéis com tanta informação", Vai-se vergando àquela profusão De guias e de contas por pagar.   "Já em casa as palavras são...

DESVIO(S)

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  Sem força, quase paro e, se te alcanço, É sem coragem que te piso as margens E é sem garra alguma que em ti lanço Quanto me sobra de estro, ou de miragens...   Evoco um rio e é num regueiro manso Que me traduzo agora... que mensagens, Que palavras grafar se assim me canso De espelhar-me sem ver, de volta, imagens?   Serena, mas selvagem fui, um dia... Não mais selvagem sou porque, rendida, Torno-me água que estagna em agonia,   Em vez desse caudal que soma vida Ao mesmo mar de onde renasceria, Se a rota exacta fosse enfim cumprida...       Maria João Brito de Sousa - 28.03.2017 - 15.57h    

GLOSANDO SAÚL DIAS

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  JÁ FOSTE RICO E FORTE E SOBERANO     Já foste rico e forte e soberano, Já deste leis a mundos e nações, Heróico Portugal, que o gram Camões Cantou, como o não pôde um ser humano! Zombando do furor do mar insano, Os teus nautas, em fracos galeões, Descobriram longínquas regiões, Perdidas na amplidão do vasto oceano. Hoje vejo-te triste e abatido, E quem sabe se choras, ou então, Relembras com saudade o tempo ido? Mas a queda fatal não temas, não. Porque o teu povo, outrora tão temido, Ainda tem ardor no coração. Saúl Dias, in "Dispersos (Primeiros Poemas)"     **************************************   DEPOIS DE CADA NOVA PROVAÇÃO   "Já foste rico e forte e soberano," Cruzando o mar remoto dos mil medos, Das ondas, dos abismos, dos rochedos Que a tantos provocaram tanto dano.   "Zombando do furor do mar insano", Tentaste ir desvendando os seus segredos E, conseguiste, embora os mil degredos, Conhecê-los melhor, ano após ano.   "Hoje vejo-te triste e ab...

SEXTA, DIA 24...

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  É dia vinte e quatro, sexta-feira De um mês que segue a esteira, mas tropeça, Pois sempre recomeça na carteira E, nesta sexta-feira, não começa... Promessa que é promessa, sem rasteira, Será de outra maneira que se apressa, Assim que reconheça a sua asneira, A ser mais verdadeira, pois confessa; - Depressa, bem depressa, à dianteira, Sairei da fronteira da promessa Que nunca mais se apressa a dar-se inteira... Talvez, segunda-feira, até te peça Que o teu corpo se esqueça da canseira Pra meter na carteira o que lhe interessa... Maria João Brito de Sousa - 25.03.2017 -09.37h ("Brincando" com as angústias bem reais dos atrasos do RSI, em decassílabo heróico e rima cruzada...)    

APEADEIROS

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APEADEIROS *     Por um segundo paro... e foi-se um dia, Ou mesmo dois ou três passaram já, Que o tempo voa e nunca abrandará, Nem mesmo pr`a fazer-me companhia *   Quando, em contra-relógio, adormecia Na cama, na cadeira, ou no sofá, Esquecendo-me do nada que não dá Pra perfazer, dos gastos, a quantia. *   Peço desculpa por estar viva... ainda; A Poesia é muito mais bem-vinda Quando é fruto dos vates do passado *   E, sempre que o constato, sinto, assim, Uma espécie de angústia acesa em mim. (Cada "melhor de mim", passa-me ao lado...) *     Maria João Brito de Sousa - 23.03.2017 - 06.44h    

GLOSANDO ANTERO DE QUENTAL ii

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  A UM POETA   SURGE ET AMBULA!   Tu, que dormes, espírito sereno, Posto à sombra dos cedros seculares, Como um levita à sombra dos altares, Longe da luta e do fragor terreno,   Acorda! é tempo! O Sol, já alto e pleno, Afugentou as larvas tumulares… Para surgir do seio desses mares, Um mundo novo espera só um aceno…   Escuta! é a grande voz das multidões. São teus irmãos que se erguem! são canções… Mas de guerra… e são vozes de rebate!   Ergue-te, pois, soldado do Futuro, E dos raios de luz do sonho puro, Sonhador, faze espada de combate!     Antero de Quental   *******   CONVOCATÓRIA   "Tu que dormes, espírito sereno", Convicto das razões que ora te movem, Sincero, sonhador, ainda jovem E, na credulidade, em tudo ameno, "Acorda! É tempo! O Sol, já alto e pleno", Afasta as duras penas que nos chovem Das negras, negras nuvens que promovem Uma bátega d`água, a medo obsceno! "Escuta! É a grande voz das multidões" Que, renegando antigas convenções, Se lança a ...

GLOSANDO JOÃO DE DEUS

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O SEU NOME   Ela não sabe a luz suave e pura Que derrama numa alma acostumada A não ver nunca a luz da madrugada Vir raiando, senão com amargura! Não sabe a avidez com que a procura Ver esta vista, de chorar cansada, A ela... única nuvem prateada, Única estrela desta noite escura! E mil anos que leve a Providência A dar-me este degredo por cumprido, Por acabada já tão longa ausência, Ainda nesse instante apetecido Será meu pensamento essa existência... E o seu nome, o meu último gemido.   João de Deus   (Campo de Flores, 1893) In Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora   INOCÊNCIA(S)   "Ela não sabe a luz suave e pura" Que um soneto lhe acende, ao desfolhar-se E não pode, portanto, recordar-se De jamais ter provado essa doçura,   "Não sabe a avidez com que a procura" Da pura melodia, ao ter-se, ao dar-se, Lhe traria a certeza de encontrar-se A fundo, até ao ponto de ruptura,   "E mil anos que leve a Providência...

CORAGEM

CORAGEM *   Coragem? Que é dela se, manipulada, Me sinto sondada, moldada, invadida No que à minha vida concerne e, num nada, Me vejo humilhada, presa e sem saída? *   Calo a voz dorida que assim controlada Em vez de indomada carne aberta em f`rida Que oscila vencida qual chama apagada Da vela engendrada nos palcos da vida *   Esta, de sumida, soa-me abafada, Ou desafinada, que triste e vencida Não será ouvida porque amordaçada *   Por mão precavida. Solto-a sussurrada Em vez de exaltada mostrá-la traída Que a força antes tida foi-me ora negada. *     Maria João Brito de Sousa 09.03.2017 - 16.13h  

TODAS AS MINHAS RAIVAS E TRISTEZAS...

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  Todas as minhas raivas e tristezas E todas as angústias, todas elas, Me vêm da dif`rença entre as grandezas Engendradas por homens, não por estrelas!   Nem de astros, nem de ocultas naturezas, Me surgem, com razão, razões pr`a tê-las, Pois sendo humanas todas as fraquezas, Também humanas são as causas delas...   Burocracias, desencontro, atraso, Não saber ver-se um caso em cada caso E as mil e uma falhas do sistema,   Vão-me deixando assim, fora de prazo; Ribeira sêca em cujo leito raso Naufraga, verso a verso, o meu poema...       Maria João Brito de Sousa - 08.03.2017 - 14.10h  

CELEBRANDO O SEGUNDO ANIVERSÁRIO DA ACADEMIA VIRTUAL DE LETRAS

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  APOGEU POÉTICO FESTIVO Patrono: Florbela Espanca Académica: Maria João Brito de Sousa Cadeira: 06 NASCE E CRESCE, POESIA! Perguntas por que escrevo. Eu sei-o lá?! Mais forte do que eu própria, mais teimosa, Floresço na Poesia, mais que em prosa, E torno-me um dos frutos que ela dá... De mim mesma, ou da vida, me virá, Impondo-se-me, forte, imperiosa, Mesmo quando sem esp`rança e desgostosa Me arrasto pela vida ao Deus-dará; Afastem-na de mim, que logo morro, Pois será sempre a ela que recorro Nas mais doridas horas da amargura E sempre que sobre ela assim discorro, Bem mais procuro, além do seu socorro, Que a própria Vida nasça da procura... Maria João Brito de Sousa - 07.03.3017 - 10.29h   IMAGEM - "Madona do Silêncio", Debora Arango  

GLOSANDO TEIXEIRA DE PASCOAES

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    TRISTÊZA   O sol do outomno, as folhas a cair, A minha voz baixinho soluçando, Os meus olhos, em lagrimas, beijando A terra, e o meu espirito a sorrir... Eis como a minha vida vae passando Em frente ao seu Phantasma... E fico a ouvir Silencios da minh'alma e o resurgir De mortos que me fôram sepultando... E fico mudo, extatico, parado E quasi sem sentidos, mergulhado Na minha viva e funda intimidade... Só a longinqua estrela em mim actua... Sou rocha harmoniosa á luz da lua, Petreficada esphinge de saudade... Teixeira de Pascoaes, in 'Elegias'     (Foi respeitada a grafia original)   ***************************   ROTA     "O sol do outomno, as folhas a cair" Dos ramos açoitados, baloiçando, Porque o vento implacável vai soprando E antecipando o frio que irei sentir,   "Eis como a minha vida vae passando" E como, apesar disso, hei-de cumprir, Enquanto esta vontade o consentir, Os dias que essa vida me for dando...   "E fico mudo, extatico, parado...

DOIS REINADOS

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Vídeo de Maria de Lourdes N. Mourinho Henriques