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A mostrar mensagens de maio, 2012

... E SOLTA-SE O SONETO

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  … e solta-se um soneto alvoroçado Da estranha compulsão do gesto breve Que cresce de um anseio exacerbado Nos insensatos dedos de quem escreve. Traduz um sonho só, deixa de lado O jugo do silêncio em que prescreve E ao ver-se desse jugo libertado Diz, por vezes, bem mais do que o que deve. Tem pouco espaço pr`a dizer-se inteiro Mas, habilmente, custe o que custar, Num nada se constrói teimosamente; Pode ser temerário, aventureiro, Ou simples, incorpóreo eco lunar, Mas não terá nascido inutilmente! Maria João Brito de Sousa – 31.05.2012 -16.51h         Imagem das Ilhas Galápagos retirada da net

SONETO SÓ PARA NÃO FICAR "A GANHAR PÓ"

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Dizia dar – promessas são de mel…- A lua, o sol… inteira, a claridade Arrancada ao silêncio dum pincel Em dias de inspirada ubiquidade… Todo se dava, em juras de cordel, Julgando conquistar corpo e vontade, Mas nada o impediu de, na verdade, Ir resguardando a sua própria pele… Assim morreu esquecido, esse perjuro Duma promessa insólita, intangível, Sem assumir um erro, um erro só, Onde nunca o encontro, nem procuro, Elevando uma mão imprevisível Na qual nada apanhara… a não ser pó.   Maria João Brito de Sousa – 24.05.2012 – 20.48h     Imagem "roubada" da net, via Google - Fonte de Neptuno, palácio de Schonbrunn (com trema :), Viena, Áustria

BRAVO, ROSEIRA BRAVA! Sonetilho para ser cantado... ou não.

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  Roseira, brava roseira, Que saldaste em desamores O fel de todas as dores Da tua humana canseira, Que, da última à primeira, Fizeste brotar as flores Que te negaram louvores Da burguesia altaneira, Tu que medraste nas hortas, Que entraste em todas as portas E encheste as casas de tantos, Perfumaste as horas mortas Trazendo às faces absortas Terno riso, alegres cantos… Maria João Brito de Sousa – 14.05.2012 -17.55h Nota – Este sonetilho pretende ser uma muito humilde homenagem às jovens aldeãs deste país. Às que o foram e começam, agora, a murchar, e às que ainda houver por esse Portugal fora. Onde acaba a Rosa sempervirens e começa a jovem mulher, nem eu mesma sei… mas é a ela, mulher e aldeã, que eu o dedico.

SONETO SOBRE TELA

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  Perscruto estas palavras que burilo Com olhos de embotado bisturi Já meio gasto de medir-se aqui, D`ir-se encontrando nisto e mais naquilo,   Mas nunca farta, reproduzo ao quilo Exactamente as coisas que senti Só pr`afirmar-vos que vos não menti, Nem nunca poderia permiti-lo...   Agora as letras vão cedendo espaço À cor das pinceladas do meu traço E o poema, a sorrir, condescendente,   Exibe a cor das tintas que desfaço Sobre os godés deste soneto escasso Pr`a tela que se preze... ou se apresente...         Maria João Brito de Sousa - 12.05.2012 - 12.18h

NA APRESENTAÇÃO DO PEQUENAS UTOPIAS - GRÂNDOLA - ESPAÇO GARRET com a enorme ajuda da Eva e Caminhos :)

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      (Des)Armados   Armados da certeza que não morre, Seremos sempre os filhos da verdade E, sobre esta injustiça que nos cobre, Semearemos cravos de vontade!   Armados, desarmados… como seja Próprio ao desenrolar deste momento, Anularemos jugo, insulto, inveja, Daqueles que nos roubaram o sustento!   Cairão sob as armas que não temos Quantos acreditarem que os tememos E uns tantos que se vendem ao poder   Porque amanhã decerto venceremos E (des)armados vamos porque cremos Que quem de amor se armou, tem de vencer!   . 14.02.2012   In “Pequenas Utopias” de Maria João Brito de Sousa      

NA APRESENTAÇÃO DO PEQUENAS UTOPIAS - GRÂNDOLA - ESPAÇO GARRET

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  Na apresentação do Pequenas Utopias, em plena sessão de autógrafos, com o Ruy Ferreira e a Luísa Ribeiro.

ALGUM DE VOCÊS ME PEDIU UM SONETO? :)

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Ouves o Sol a rir, junto à tapada? Nem sei por que me apresso a despedir Se acabo de inventar um sol a rir E assim, quase a partir, nem me dói nada… Destas conversas - sempre à hora errada! - Dizendo o que não posso definir Ou evocando um tempo de partir Que um dia quis levar-me antecipada, Deixo este não-sei-quê que não me assusta, Que me leva e me traz – pouco me custa… – E acaba por gravar-me um verso ou dois Que a chibata vibrou, tornada adusta, Como se fosse só pr`a tornar justa A dor, maior, que irei sentir depois… Maria João Brito de Sousa – 03.05.2012 – 23.27h