A MULHER INTERROMPIDA
Não foi assim tão antigamente... Foi há cerca de um tempo Mais duas metades de dois tempos meios. Uma voz amiga, certamente, Embora longínqua, perguntou por mim E eu, tão confusa, não me conhecia... Sou mulher de um homem, Respondia. E a voz insistia: - Mulher, quem és tu? - Sou a mãe de um filho que não mora cá E de três meninas que me querem muito, Apesar da culpa, apesar de tudo... E a voz repetia: - Mulher, quem és tu? E eu iria jurar que não mentia quando respondia: - Eu sou essa mãe, apesar do luto! A voz não cedia quando perguntava Do Espaço, do Tempo e outras coordenadas: - Ó mãe dos teus filhos, diz-me quem és tu! Onde moram as tuas horas carnais? Onde guardas o corpo quando sais E voas em busca do filho perdido? Que fazem essas tuas mãos? Que estrelas tão negras trazes no olhar? Que morte tão estranha te veio buscar E esqueceu teu corpo entre os teus irmãos? E eu respondia Sem me aperceber Que me descrevia sem me conhecer: - Sou a mulher do meu homem E a mãe das minhas ...