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SONETO -6

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Imagem gerada/processada  pelo ChatGTP * SONETO - 6 *   Pedem-me uma carta, uma carta de amor Que eu saiba de cor sem dela estar já farta... De três se me aparta a memória em torpor: Só me trazem dor e temem que as reparta * Sigo para a quarta. Não lhe encontro ardor E a quinta é pior: vem de seda e de marta Mas como a lagarta, rói, não tem valor Seja pra quem for... Pró raio que a parta! * Muito se descarta quando se procura Uma tessitura que de tão vulgar Se pode ir buscar em qualquer altura * Mas que, porventura, pode não se achar Em nenhum lugar... E o que me assegura Que a antiga amargura me não vá magoar? *   Mª João Brito de Sousa 05.01.2025 - 23.00h ***      

SONETO -5

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Fotografia de Carlos Ricardo * SONETO -5 * A Terra roda e todos nós rodando Passamos pela Vida. Uns, apressados E outros a vacilar, quase parados Que os anos percorrido vão pesando... * Curioso é perceber que até travando Rodamos sem parar, somos levados Não creio que pr` Além sermos julgados, Mas porque Aqui nos fomos desgastando... * Passe o tempo que passe até à meta Passámos, nesse tempo, a vida inteira, Que é sempre assim que a Viagem se completa... * Ninguém, ao Tempo, toma a dianteira: Tão velozmente corre o grande atleta Quanto o que aguarda imóvel na cadeira. * Mª João Brito de Sousa 01.12.2024 - 14.00h * Sonetos da Contagem Decrescente ***    

SONETO - 4

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Imagem Pinterest * SONETO - 4 * Morou no meu olhar há muitos anos... Não sei por que partiu mas foi-se embora Sem dar aviso nem causar-me danos Quando entendeu chegada a sua hora * Na mala levou risos, desenganos E aquela lucidez que me enamora... Mas nunca mais voltou, cobriu de panos Olhos e rosto. Jura que não chora! * Quanto a mim, fugaz pouso do seu brilho, Vi-o partir como quem olha um filho Que sempre soube não lhe pertencer * Morou-me no olhar? Morou em mim, Mas todas as viagens têm fim E - enfim! - é mesmo assim. Ou tem de ser. *   Mª João Brito de Sousa 29.11.2024 - 22.00h *** Sonetos da Contagem Decrescente ***  

SONETO -3

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"SEPARAÇÃO", Edvard Munch * SONETO - 3 * Se te propões vestir a cota em malha E se a espada poliste, precavido, Dá atenção ao escudo: se esquecido Não te irá proteger desta batalha... * Os pontos (IR)radiantes da metralha Matar-te-ão muito antes que o ouvido Os tenha detectado e deles fugido E um míssel, meu amigo, nunca falha! * Se a hora finalmente se aproxima E tudo o que te resta é a paixão Ou o rancor por quem os teus dizima * Sobe à garupa do teu alazão E uiva ou ruge a raiva que te mina Pra que não morras sem dizer-lhe - Não! *   28.11.2024 Mª João Brito de Sousa *** Sonetos da Contagem Decrescente ***

SONETO -1

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Tela de  Luís Rodrigues * SONETO -1 *   Não sei se terei forças pró fazer, Mas tentarei partir como quem planta Um cravo por abrir na terra santa Onde, ao desabrochar, passou a ser * Não sei se terei voz para o dizer Mas tentarei escrever como quem canta Com risos ou revoltas na garganta Aquilo que sentir e que souber * Que assim caminham vidas e mais vidas Até, já desgastadas, se apagarem E pela terra serem consumidas *   Mas se eu chorar plos vivos que ficarem À mercê de tiranos genocidas, Que o saiba quem me ouvir: é pra que os parem! *   Mª João Brito de Sousa 20.11.2024 - 20.30h ***     Sonetos da Contagem Decrescente