SE ME FOR DADO CRER
SE ME FOR DADO CRER * (Soneto em verso alexandrino) * Se me for dado crer, que seja assim que creia; Que a dor que me cerceia esta ânsia de viver Me não deite a perder o fio de cada ideia, Que me não falte à ceia o pão para comer, * E que enquanto viver, embora gasta e feia, Castelos sobre a areia alcance ainda erguer Onde me recolher a cada maré cheia Do mar quando se alteia em vagas, a crescer. * Caso assim possa ser, que quanto me rodeia Me seduz e me enleia enquanto eu cá estiver, Não pare de acender a luz que me norteia * E que não seque a veia, a tal que ousou tecer No tear do dever, a rubra, imensa teia Que no meu estro ondeia enquanto escolha houver. * Maria João Brito de Sousa - 14.06.2020 - 19.42h Imagem - A Jovem Tecelã - Marina Colaseti retirada daqui