GLOSANDO LUIZ VAZ DE CAMÕES - (reedição)
JURANDO DE NÃO MAIS EM OUTRA VER-ME * Como quando do mar tempestuoso O marinheiro todo trabalhado, De um naufrágio cruel saindo a nado, Só de ouvir falar nele está medroso, * Firme, jura que o vê-lo bonançoso Do seu lar o não tire sossegado; Mas esquecido já do horror passado, Dele a fiar se torna cobiçoso, * Assi, Senhora, eu que da tormenta De vossa vista fujo, por salvar-me, Jurando de não mais em outra ver-me; * Com alma que de vós nunca se ausenta, Me torno, por cobiça de ganhar-me, Onde estive tão perto de perder-me. * Luís Vaz de Camões In "Sonetos" *** BRAVATAS DE SONETISTA * "Como quando do mar tempestuoso" Que engole inteiro o enorme galeão, Emerge o grande vate e traz na mão Quanto lhe fora em vida mais precioso * "Firme, jura que vê-lo bonançoso" Chegar às mãos de D. Sebastião, Lhe justificará toda a aflição Da luta contra o mar fero e raivoso * "Assi, Senhora, eu que da tormenta" Medo não tenho e vibro de ousadia, O mes...