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A mostrar mensagens de novembro, 2017

CONVERSANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE -PODER

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  PORQUE SÓ AMAR É PODER SEGURO Há quem do poder faça  seu amor Numa entrega total quase paixão Impondo-se pla força e sem pudor Não se aceitando amar nem ver razão...   Mas que importa o poder sem o calor E o carinho dum só toque de mão Dum beijo e abraço dados com ardor Sentindo bater forte o coração?   Se poder é o mando que dispõe E que ímpio obriga e logo impõe... Onde estará o amor real e puro?...   Não me peçam então que ame o poder Nem sequer pra com ele conviver Porque só amar é poder seguro...!   MEA   30/11/2017   *********** PODER(es) Tão-pouco essa obsessão pelo Poder, Alguma vez senti, ou entendi, Por muito que o tentasse perceber, Nunca pude, ao Poder, trazê-lo aqui. Dissecá-lo – a mão firme e sem tremer... -, Lamento confessar, não consegui, Mas isso não bastou pra nel` não crer, Porque, apesar de tudo, bem o vi, Brutal na sua forma de exercer A funesta paixão que se acender Em todo o que o trouxer dentro de si. Eu pouco posso e nada quero ter Para além do que posso e q...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE - VIDA

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É LÁ NESSE LUGAR QUE A VIDA HIBERNA   Lá no alto onde o tempo se calou Onde há nuvens que choram sem querer Pra onde a lua foi e não voltou E há estrelas acabadas de nascer…..   Lá no alto onde o tempo já brilhou Quando o sol lá nasceu sem se esconder Lá onde o azul do céu se misturou Com as cinzas das estrelas a morrer   Fica o lugar mais belo, mais sereno Onde a paz é maior o vento ameno E a luz, eu direi mesmo que é eterna   Onde o sonho renasce e permanece Quando a idade já nos entardece …É lá nesse lugar que a vida hiberna!   MEA 28/11/2017   ******   TAMBÉM NESSE LUGAR NASCE A POESIA     “Lá no alto onde o tempo se calou” E os astros pulsam ao sabor do espanto Cadências de um quasar que começou Há milhões de anos sem que o desencanto,   “Lá no alto onde o tempo já brilhou”, O impedisse de ir espraiando um manto Sobre o vazio de um espaço que inundou De química, primeiro, e... depois tanto,     “Fica o lugar mais belo, mais sereno” De todos os locais que um ser terreno Pode engend...

CONVERSANDO COM O POETA ADÍLIO BELMONTE

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  PINGOS DE CHUVA Há no inverno e também neste verão, Fazendo reflorir todas as flores E muito amor ao nosso coração, Livrando-nos a todos de suas dores. Os pingos batem forte no telhado Tal qual som musical em harmonia Que sai do piano ao toque do teclado, Como todos nós numa sinfonia. Cantemos todos nós em dós e rés Juntamente com todos trovadores, Pois o grande concerto já se instalou. Tal musicalidade é das marés Sobre bravos e fortes pescadores Dos mares que o poeta já nos falou. Adílio Belmonte Belém – PA - Brasil   *********** DE OLHOS NO HORIZONTE E MÃO NO LEME Que a musicalidade das marés Te traga inspiração e força e esp`rança! Que nessa Barca e sobre o seu convés, Em vez de tempestade, haja bonança! Que o céu, que agora está negro-de-pez, Se encha das cores do arco-da-aliança Preenchendo esse negro que ora vês P´ra tornar mais harmónica a mudança! Haja o que houver, que a Barca permaneça, Que nas ondas do Mar nunca pereça Essa que tudo enfrenta e nada teme E nem a Tempestade...

CHUVA

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  Mais três tímidos pingos se juntaram Aos três primeiros, hoje anunciados, E, bem depressa, mil outros tombaram, Pois já cai chuva a rodos nos telhados, Nos canteiros do buxo que ensoparam, Nos vidros das janelas, salpicados, Nas gentes que aqui passam, ou passaram, Sob chapéus-de-chuva improvisados... Bendita sejas tu, que dessedentas! Bendita, pelo bem que representas Para a terra sequiosa e para a vida! Chorando sobre a crosta, a reinventas, A cobres de verdura e a sustentas, Ó chuva, tão sonhada, quão fugida! Maria João Brito de Sousa – 23.11.2017 – 16.34h NOTA – Na sequência do soneto “Só Três Pingos...” de Maria da Encarnação Alexandre.    

CONVERSANDO COM JOSÉ SARAMAGO

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SONETO ATRASADO De Marília os sinais aqui ficaram, Que tudo são sinais de ter passado: Se de flores vejo o chão atapetado, Foi que do chão seus pés as levantaram. Do riso de Marília se formaram Os cantos que escuto deleitado, E as águas correntes neste prado Dos olhos de Marília é que brotaram. O seu rasto seguindo, vou andando, Ora sentindo dor, ora alegria, Entre uma e outra a vida partilhando: Mas quando o sol se esconde, a noite fria Sobre mim desce, e logo, miserando, Após Marília corro, após o dia. José Saramago In “Os Poemas Possíveis”   **************   SONETO DO ENCONTRO TARDIO Atrás de mim vieste e me alcançaste No rasto dos sinais por mim deixados, Mas tivesse eu mais rio, mais chão, mais prados, Soubesse eu desses sonhos que sonhaste, Mais sinais deixaria onde passaste; Mais lágrimas, mais risos entoados, Mas muito menos passos apressados Teria dado até onde me achaste... Caminhava apressada pela vida, Sem cuidar de cuidar que havia um fim, Sem notar que passava distraída, ...

A ARCA DE FERRO

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  (Soneto em verso hendecassilábico e rima encadeada) Fecharam-me um dia numa arca de espantos; Roubaram-me, uns tantos, fortuna, alegria, Quanto eu possuía de força e de encantos Deixando-me os mantos com que me cobria, Quando eu mal sabia da dor, dos quebrantos, Dos sábios, dos santos, do frio que faria... Alguma energia, contida entre prantos, Me ergueu desses cantos que eu desconhecia E, aos poucos, fui vendo que essa arca de ferro Era um simples erro e... de erros, entendo! Lá fui aprendendo com erro após erro... Nessa arca me encerro mas, dela nascendo, Ouve-se, em crescendo, um protesto, um berro E os dentes que cerro, rangendo, rangendo...     Maria João Brito de Sousa – 17.11.2017 – 13.20h  

PORQUE O CÉU NÃO TEM LIMITES...

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  (Soneto em decassílabo heróico) O céu não tem limites, nem fronteiras E, tanto quanto sei, nem tecto tem, Mas nem por isso é pobre e verdadeiras Serão sempre as estrelas, mais além, Brilhando como tiaras ou pulseiras Nas frontes e nos pulsos de ninguém, Pulsando até às vistas derradeiras, Iluminando tudo e mais alguém... No céu, hás-de ver estrelas que estão extintas E nunca as que estão hoje a começar, Portanto, mundo meu, nunca me mintas; Não passarei de um raio de luar, Mas sei avaliar coisas distintas E tenho estrelas pr`a me iluminar! Maria João Brito de Sousa – 16.11.2017 – 16.05h  

NEM VIVA, NEM MORTA...

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  Não jogo, não jogo, não jogo nem morta! Retiro-me absorta, não brinco com fogo! Se quase me afogo na maré mais torta, A Barca suporta tudo o que lhe rogo,   Porque, logo, logo, me salva e conforta, Abrindo-me a porta, vencendo outro jogo, Nunca o que me arrogo... esse pouco importa, Nem viva, nem morta, lhe aceito o regougo!   Ó Barca cativa das minhas algemas, Guarda-me, não temas as penas que eu viva Se a sorte me priva de embalar poemas   Mantém-te passiva nas tardes amenas, Sonha com fonemas na noite furtiva, Mas sê sempre altiva; não cedas, nem tremas!       Maria João Brito de Sousa – 14.11.2017 – 17.05h     NOTA - Soneto em verso hendecassilábico, rima encadeada e acentuação tónica na quinta sílaba métrica.  

"UPSIDE DOWN"

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    Pequeno poema escrito em contra-mão, Não te sei compor, mas deixo uma razão; Sinto-me aturdida, perco-me de ti,   Não te oiço pulsando, nada sei senão Que fugindo ao tom, escapas-me à canção... Poema, que fazes ao teu “dó-ré-mi”   Que escondes, que guardas tão longe de mim? Peço-te desculpa, pois rude pareço, Mas bem reconheço; estranha, sou-o sim, Se te escrevo assim, pondo o fim no começo,   Mas nunca te impeço desta forma, assim, Tornar-te  jardim, jardim em que tropeço E no qual me empeço muito antes do fim, Nalguns ramos de alecrim... eis o teu preço!     Maria João Brito de Sousa – 14.11.2017 – 10.04h     NOTA – Soneto "excêntrico" escrito no seguimento de um soneto do poeta Albertino Galvão, em verso hendecassilábico e acentuação tónica na sétima sílaba métrica.    

SONETO BÁRBARO

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  SONETO BÁRBARO   Pedem tónicas na sétima? Cá vão elas, cá vão elas, A dançar, deselegantes, como bandos de elefantes Que às doze não chegarão, nem estarão perto de tê-las, Mas vale a pena tentar, mesmo que em versos gigantes *   Solfejando um “dó-de-mim” sobre umas linhas singelas, Construir algumas delas que nos soem mais cantantes, Sabendo que não serão, nem de longe, coisas belas, Antes são, em vez de estrelas, versos muito dissonantes. *   A musiqueta, essa, foi-se desta pauta putativa Que, para manter-se viva, dá por cada verso, um coice E - juro! - a gente condói-se, se de harmonia se priva! *   Eis a música cativa, já sem martelo e sem foice, Dando coice atrás de coice na pobre da comitiva Que jamais foi punitiva! Mas o soneto constrói-se! *     Maria João Brito de Sousa – 09.11.2017 – 10.00h     NOTA – Chama-se BÁRBARO a todo o soneto composto por versos de mais de doze sílabas métricas. Este é composto, na sua totalidade, por dois hemistíquios (metades de um verso) de sete s...

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA

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  (Soneto em verso hendecassilábico e rima encadeada)     Castelos na praia... quem lhes reconhece Aval que se aprece em direitos de autor, Se feitos de amor e do espanto da prece Quase me acontece sabê-los de cor?   São quase um pendor... quando um desfalece Logo outro se of`rece e lhe iguala o esplendor De fruto, ou de flor, que ninguém desvanece E assim permanece, seja como for!   Memórias de infância, de infância remota, Quem não as anota num canto qualquer Que o corpo escolher, quando as não derrota?   Ressurgem-me em frota, mesmo sem eu qu`rer, Tomando o poder, mudando-me a rota... Ah, fazem batota... mas deixo-as viver!       Maria João Brito de Sousa – 08.11.2017 – 11.32h        

CONVERSANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE -Lisboa, Tejo, Mar e Barra

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ALI...NO CAIS DO SODRÉ     ALI... NO CAIS DO SODRÉ   Ali onde o Tejo parecendo o mar Vem bem de mansinho encostar-se no cais E em sua dormência fica a suspirar Aos pés de Lisboa seus factos reais   Com doces meneios a quer abraçar Faz juras de amor, dizendo que jamais Em dia de sol ou noite sem luar Deixará de vir murmurar-lhe seus ais   E ela enamorada vem cantar-lhe um fado Num doce clamor num tom apaixonado E com ar brejeiro vai mostrando o pé   E o Tejo promete,que num gesto eterno Virá sempre dar-lhe aquele abraço terno Ali, bem juntinhos, no Cais do Sodré     MEA 1/11/2017 ****************************** AQUI, NA BARRA   Aqui, onde o Tejo, deixando pr`a trás Todo o manso espanto que o prende à cidade E, avançando sempre, às ondas se faz Deste mar imenso e, tenso, o invade   Sem medos, nem freios, ainda que em paz O mar o receba – que o Tejo é saudade que o mar nunca esquece por não ser capaz - Num fraterno abraço, sem qualquer maldade,   Só mesmo as gaivotas se fazem ouvir Mais al...