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BANDEIRA DE CORSÁRIO

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  BANDEIRA DE CORSÁRIO * À nuvem que crescia, ordenei: - Gela! E a nuvem estremeceu, mas não gelou. Quis pintar qualquer coisa e gritei: - Tela! Mas ela, surda, nem sequer escutou. *   Restava-me a memória, esta sequela De um sonho (in)conquistado que passou, Escondida onde nem eu dava por ela, Murchando à sombra desta que hoje sou. *   Escrava da minha própria liberdade, Jamais o burburinho da cidade Me arrancaria às ondas do estuário. *   Sobre o convés do galeão que piso, Disparo cem canhões, sem pré-aviso, E desfraldo a bandeira de corsário. *   Maria João Brito de Sousa – 19.07.2018 – 17.15h  

ESTE MEU MAR II

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  (Soneto em decassílabo heróico)   Ó vagas do meu mar, loucas marés que ao longo de uma vida me perderam, ó jangadas de espuma, ó vãs galés de uns sonhos que em poema aconteceram,   Não sei se ainda estou sobre os meus pés se vos evoco e lembro que estiveram ao leme desta barca, ou no convés de um sonho que bem poucos conheceram   Mas, livre ou brutalmente aprisionada, o amanhã que o diga. Eu calo agora por hoje, ou para sempre, a voz magoada   Que me comanda a vida a toda a hora e a cada instante insiste em ser cantada, mesmo quando empurrada borda fora...     Maria João Brito de Sousa – 05.06.1015 -16.16h   Imagem retirada do Google  

HAVIA UM MAR II

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      (Soneto em decassílabo heróico)     Existe ainda um mar que, em tempo incerto, Transpondo quanto dique eu lhe impuser, Me galvaniza e vai, sempre a crescer Por dentro de mim mesma, a descoberto,   Submergindo o que exista lá por perto, Subindo o que é suposto, em mim, descer Nessa vaga incontida do meu ser Que, ao quebrar, se transforma em livro aberto.   Mole infinita de ondas e marés Nas quais, liberta a escrava das galés, Vaga a vaga, me afundo em vaga alheia   De um mar que podes ser, que também és, Se à praia desces e, molhando os pés, A espuma ascende em nós, galgando a areia.     Maria João Brito de Sousa – 01.04.2011- 09.16   NOTA DA AUTORA - Soneto em decassílabo heróico, trabalhado a partir do soneto original “Havia um Mar”, in PEQUENAS UTOPIAS -   CORPOS EDITORA, Maio de 2012.      

HAVIA UM MAR...

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    Havia um mar algures, num tempo incerto, Gerando a vertical deste meu querer… Mar galvanizador, sempre a crescer Por dentro de mim mesma, a descoberto,   Galgando quanto havia ali por perto, Subindo mesmo o que era pr`a descer, Um mar em mim, essência do meu ser Transformada, que foi, em livro aberto...   Genuíno mar com ondas e marés Em que liberto a escrava das galés E onde me encontro, sempre em maré cheia,   Com esse mar que, às vezes, também és Sempre que desço pr´a molhar os pés Num mar, algures em nós, galgando a areia.       Maria João Brito de Sousa – 01.04.2011- 09.16h

A CRIAÇÃO DO MAR II - Eros/Tanathos

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         Não semeaste Tu, nas ondas bravas, A espuma de corcéis jamais domados? Dos profundos abismos que criavas Erguiam-se eles, depois, espumando irados…   E nesse imenso sonho em que moldavas No futuro os penhascos planejados, Que imensa força em Ti mesmo encontravas Nesse acto de engendrar os  incriados?   Depois, desses corcéis de branca espuma Que galgavam planícies infindáveis, Eclodiria a vida primitiva   Que se acrescentaria e que, uma a uma, Conquistando os vazios mais improváveis, Morreria tão só pr`a ficar viva…       Maria João Brito de Sousa – 14.06.2010 – 23.28         IMAGEM RETIRADA DA INTERNET  

O MILAGRE DO MAR INTERIOR

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  E que me interessa a mim ir ver o mar Se tenho um outro mar dentro de mim Nas altas ondas que hei-de conquistar Antes que o meu mar seque e chegue ao fim?    Não penses que me podes encantar Com líquidas promessas de delfim… Aquilo que me importa é navegar E eu só sei navegar se for assim…   Por minutos, por horas [ eu sei lá…], Posso dar-te atenção. Tento ajudar-te Mais, talvez, do que tu possas fazê-lo.   Depois, é no casulo que se dá O milagre do mar… tudo isto é Arte E é neste mar que a Arte sabe sê-lo…     Maria João Brito de Sousa – 07.06.2010 – 19.17h     Imagem retirada da internet

IMAGINÁRIOS

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    Saberás do vento que sopra na areia? Sabes do calor nessas rochas salgadas Que, apesar de tudo, vão sendo habitadas? Já viste as mudanças quando há lua cheia?   Já viste tritões? Conheceste a sereia   Que chama por ti, dessas grutas sagradas, Nos dias incertos, às horas marcadas, Que o tempo decreta e o acaso norteia?   Já te imaginaste dif`rente e, contudo,   Igual a ti mesmo nos sonhos que inventas, Se a tanto chegaste por tua vontade   Ou és indif´rente, dizes: - Eu não mudo!,   Não sabes voar, nada vês ou nem tentas Saber até onde chega a liberdade?       NOTA – Soneto Alexandrino          

ESTE MEU MAR

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    (Soneto em decassílabo heróico)   O mar de que vos falo é todo meu, Nasceu dentro de mim em tempos idos E foi-se acrescentando aos meus sentidos Nesse excesso de mar que em mim cresceu   E me fez mar, nos sonhos concebidos Por vontade de um sonho onde nasceu... Se, acaso, esta ilação vos ofendeu E, nisto, vos sentis desiludidos,   Pedi ao mesmo mar que vos falou Da estranha descrição que, em vós, teceu Que deixe de gritar-vos aos ouvidos   Das praias e rochedos que galgou Nas marés em que a vida vos perdeu Em paixões de tamanhos desmedidos...     Maria João Brito de Sousa – 29.06.2009     NOTA - Soneto (mal) reformulado a 05.06.2014    

A CRIAÇÃO DO MAR - O Mar Na Minha Mão

  O MAR NA MINHA MÃO * Muitas vezes não sei o que dizer Sobre um mar tão imenso, tão profundo, Que reina sobre nós e sobre o mundo... Eu, que não sou ninguém, que hei-de fazer? * Como posso pensar em descrever Um mar a que não sei medir o fundo? Imaginar que vós, a quem infundo Tais dúvidas, houvesseis de o saber... * Explicar uma tão grande imensidão, O azul intenso, as ondas quais capelas, As marés e os mistérios que são seus, * É ter o próprio mar na minha mão E voltar a singrá-lo em caravelas; Não é crer-me poeta, é crer-me Deus... * Maria João Brito de Sousa - 22.06.2009   IMPORTANTE- Dêem um pulinho ao http://linhaseletras.blogs.sapo.pt/104633.html ! Nasceu um novo livro escrito por uma poetisa alentejana, a nossa amiga IDALINA PATA!

MAR NOSSO

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  MAR NOSSO * Esgotei o mar no mar dos meus sonetos (ou esgotou-me ele a mim, é o mais certo…) O mar, lá longe… e fica aqui tão perto O mais secreto mar dentre os secretos...   Esgotou-se o mar em mim… só os desertos De ondas de areia em estranho desconcerto Parecem estar em mim que sei, decerto, As rotas de outros mares e de outros medos.   E, no entanto, é mar e será mar O sangue que me corre nestas veias Enquanto o tempo o deixa em mim correr.   E, entretanto, eu calo o meu cantar E escuto, ao longe, o canto das sereias Porque foi desse mar que ousei nascer. *       Maria João Brito de Sousa - Abril, 2009     Navegado para http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/     NOTA - Queiram ter a bondade de descer as "escadinhas", depois de visitarem a Fábrica de Histórias, e ver o Prémio que está à vossa espera no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/    

O MAR NA MINHA MÃO

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Eu fiz nascer o mar da minha mão! Nasceu-me destes dedos inquietos Entre mil versos e outros sonetos Que vos deixo em partilha e comunhão...   Tanto mar me nasceu, tanta canção, Me vai brotando em mil grafismos pretos, Que surgiram mil códigos secretos Flutuando ao sabor da criação...   O mar na minha mão e eu não sei Como dela nasceu, quem o pôs lá... Nasceu da minha mão, posso jurar!   Poder de decisão, nunca lho dei! O mar que a minha mão aqui vos dá É o mesmo que a morte há-de levar.     Imagem retirada da internet   Publicado com pré-datação

TEMPERO DE MAR

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  Mar dos luares de prata sobre a areia, Dos búzios e das conchas nacaradas, Das algas sob os pés, em caminhadas Que vão da baixa-mar à maré cheia...   Mar de ouro branco e pérolas de luz Como os grãos das areias que em ti piso... Uma vez mais me perco no sorriso Com que a tua brancura me seduz...   Eu perco-me e perdida encontro em ti A criança que em mim nunca perdi No percorrer da areia intemporal   E dissolvo-me em ti e sou tão tua Quanto a brancura dessa branca lua Como se, em vez de mim, fosse o teu sal...     Maria João Brito de Sousa - 20.11.2008 - 13.54h     Imagem retirada da internet  

A RAIZ DAS ALGAS I e II

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Fotografia de Carlos Ricardo * A RAIZ DAS ALGAS * I * Tempos houve em que o mar batia às portas De cada um de nós, como quem pede, E cada um de nós lançava a rede Antes que o sol nascesse, a horas mortas *   Tempos houve em que o mar nos oferecia Caminhos sem ter fim, novas fronteiras... O mesmo mar das ondas altaneiras, Do sal, das rochas com cheiro a maresia...  * Tempos houve em que o mestre nos falava Do mito: a caravela que cruzava As águas desses mares ditos só nossos  * Depois crescemos... Nunca o mar mudou, Foi o adulto em nós que duvidou E em vez de caravela achou destroços. *  Mª João Brito de Sousa  II   Caravelas de luz! O mundo é breve Ao preço ocasional da fama e glória! Assim nos diz o Tempo e reza a História De quanta fama e glória a Nação teve *  O berço dos Poetas, das conquistas, Desse, então, estranho mundo à descoberta De quem parte e só volta à hora incerta Dos que vivem de sonhos saudosistas...  * Assim se entrega o luso ao ...

O PALÁCIO DE SAL

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    Ó meu palácio líquido e imenso De torreões de espuma imaculada, Todo bordado em renda recortada Sobre esse fundo de um azul intenso,   Nas muralhas instáveis que condenso Na imagem recorrente que, inspirada Me surge deste olhar-te e estar calada Na profunda atenção que te dispenso,   És berço de sereias e tritões, A estranha fauna desse imaginário Eterno e colectivo ou irreal   Que habitas para além desses portões Que invento para ti, ó meu sacrário Feito de sonhos e de água com sal.     Maria João Brito de Sousa - Verão 2008   (Imagem retirada da Internet)   (Revisto)  

O ABRAÇO

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Ó lusitano mar de quem herdei As veias dos poemas que te faço, Eu venho-me entregar ao teu abraço Pela mão de um soneto que criei   E tu, em cujo seio eu engendrei A voz que trará vida ao meu cansaço, Repara nestas linhas que te traço E aceita, inteira, a vida que te dei...   Eu sou quem te levou a outras raças, Quem de ti fez cavalo que galopa, Quem ouve os mil segredos que revelas...   Eu sou a terra-mãe que tu abraças Num ponto ocidental da velha Europa E a nação que te encheu de caravelas!   (Imagem retirada da internet)   NOTA DE RODAPÉ -Um dos sonetos com que concorri aos Jogos Florais que não ganhei    

AZUL MARINHO

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  Não me quero da cor que em mim pintais! Só me quero da cor que o mar me pinta Numa paleta mágica de tinta Nestas horas azuis e matinais!   Não me vejo na cor com que me olhais! Só me vejo na cor em que me sinta Nos cambiantes de azul que o mar consinta Em "dégradés" perfeitos, casuais...   Na paleta do mar é que me espelho (e nela me revejo e me aconselho...) Nos cinzentos-azuis de um sol nascente...   O mar é quem me pinta e nele me encontro E renasço da cor desse confronto Entre esse azul marinho e toda a gente!   Escrito no comboio, hoje, às 7.00h   Imagem retirada da internet

CADÊNCIA PENDULAR

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  Um poente debrua a ferro e fogo A linha horizontal do fim do mar E retoma um percurso milenar Pois pára de o bordar e volta logo.   A sua condição, que não revogo, Impõe-me uma cadência pendular; Deste lado, onde o Sol vem pernoitar, Preguiça o mar imenso em que me afogo,   Do outro, aonde o Sol vai renascer, Surge uma luz difusa, num crescendo, Ressuscitam palavras entre os vivos   E recomeça a vida em cada ser... Quanto a mim, que só disso vou vivendo, Coube-me descrevê-lo, entre adjectivos...     Fotografia tirada por mim a uma flor de bananeira

HÁ MAR E MAR...

  Tão poucas! Quão pouquíssimas verdades São, afinal, cumpridas neste mundo! Mergulho no meu mar, alcanço o fundo... Eu quero lá saber de falsidades!   Mas sendo humana, enfim, preciso de ar... Emirjo do meu mar, venho ao de cima E nesse hausto profundo que me anima, Abro os olhos e alcanço vislumbrar   A estranha arquitectura de outro império E ao ver, ao longe, erguer-se um mundo "a sério", Desponta em mim alguma indecisão;   Vou para terra e sou como os demais, Ou mergulho nas águas virtuais E enfrento a minha própria imensidão?   Maria João Brito de Sousa - 14.08.2008 - 14.50 h     Imagem retirada da Internet  

EU, O MAR

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Tantos anos vivi que sei de cor As pétalas, ao tempo, a rota, à lua, À montanha abissal, a ruga crua, Os bocejos, ao sol... seja o que for!   Evoco mil marés em que desenho, Nas rochas e na areia, o meu sentir; Renovo o que teci neste ir e vir, Ora sorrindo, ora franzindo o cenho...   Sou quase intemporal! Semeio vida Por essa terra virgem, desnudada, Que foi minha mulher desde o começo,   A minha terna amante, a preferida... Eu, líquido caminho, infinda estrada Que vós desconheceis, mas que eu conheço!       Maria João Brito de Sousa - 22.04.2008 - 13.03h   Fotografia - "A Tecedeira de Barcas", 76x64cm, Pastel de Óleo sobre                    Papel Fabriano montado em tela, M. João Brito de Sousa, 2006

THE SUICIDE OF THE PINK WHALE

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Ontem eu tive um sonho, um sonho breve... Caminhava no mar e de mãos dadas Com peixes e sereias, nas coutadas De quem preda no mar o que ao mar deve... . Vi um Golfinho-Azul que estava triste E, ao largo, uma Baleia-Cor-de-Rosa Boiava sobre o mar quando esp`rançosa A chamei e lhe disse:- Deus existe! . A pobre da baleia assassinada Acordou, respirou, pôs-se a nadar E o mar ficou mais vivo e mais contente... . Que pena ser só sonho! Eu nem fiz nada E o homem nunca aprende a respeitar A vida que há no  mar que lha consente... . 14.03.08 - 14.00h (A ir para o hospital...)