Mensagens

A mostrar mensagens de abril, 2008

DE PASSAGEM III

Imagem
De passagm se vive e se combate E se constrói a paz, se encerra a luta, De passagem se chora e se desfruta A vida, antes que a vida em nós nos mate... . De passagem se sonha e se erguem pontes, Se prolonga o momento passageiro, Se muda, se transforma o mundo inteiro Tal qual água a nascer de eterna fonte   Porque, nesse jorrar, se aprende o mundo, Se faz bem, se faz mal, se segue em frente, Se grita a nossa dor, se exalta a vida...   Quantos anos se vivem, num segundo, Sabendo que ele é tanto mais urgente, Quão mais próxima a hora da partida?       Maria João Brito de Sousa - 30.04.2008 - 11.53h   . Ao meu amigo Jangadadecanela, pois foi um post dele e alguns comentários seus que o fizeram nascer. .

DE PASSAGEM I e II

Imagem
  Passagem! Eu, por cá, estou de passagem! Passo por esta vida e vou deixando Sementes do que for congeminando, Porque assim se me cumpre esta viagem   E passo até por ti, que adivinhaste Meus versos de semente abrindo em flor Pois assim deve ser enquanto for Preciso semear no que sonhaste...   Passagem! De passagem se semeia, De passagem se colhe esse sonhar A despontar em nós que o semeámos,   De passagem se vive uma epopeia, Se rasgam novas rotas pelo mar, Se sobrevive ao sonho que sonhámos! . II   Eu passo pelo mar, passo por terra E é no ar que construo o meu poema Enquanto, lá de baixo, a vida acena Com todos os mistérios que ela encerra   E desconstruo o sonho e volto à vida, Vou decifrando mais e, deslumbrada, Retomo a minha eterna caminhada Em direcção à Terra-Prometida   Pois passo e no passar é que desvendo Os segredos do mundo, o que ele murmura Enquanto o tempo passa como eu passo   E quanto mais passar, mais eu aprendo; É viagem de estudo à sepultura, Mas nunca passará qu...

EU, A RIBEIRA

Imagem
  Pequena, alegre e sempre sonhadora, Nunca fui importante... isso que importa, Se o vosso olhar me vem bater à porta E fica preso a mim, se em mim demora?   De muito pequenina, eu passo agora Ao fio d`água que galga uma comporta E é sempre o vosso olhar quem me conforta, O vosso meigo olhar quem me enamora...   E fico, embora vá... nem sei explicar... Sou una e dividida em vidas mil, Ou força que se apressa e segue em frente,   Que o destino, afinal, é sempre um mar Tão extenso quanto um céu de azul-anil Que  abraça a terra em flor, enxuta e quente...   Maria João Brito de Sousa - 28.04.2008 - 11.15h   Na foto - Ribeira da Lage, junto ao Palácio Marquês de Pombal - Oeiras    

COM ESTAS MINHAS MÃOS

Imagem
Com estas minhas mãos eu ergo um mundo, Com estas mesmas mãos, planto-lhe amor E reinvento em mim, pleno de cor, O mesmíssimo mar em que me afundo...   Com estas minhas mãos que não descansam, Que morrem devagar, mas que não param, Eu escrevo os mil poemas que ficaram Enredados nas mãos que aqui os lançam...   Com mãos cheias de vida e de certeza, Com estas duas mãos que Deus me deu, Reabro uma janela, afasto a dor   E exijo, ao próprio sonho a que estou presa, Quanto, por minhas mãos, se reergueu, Quanto nelas cresceu de humano amor...     Maria João Brito de Sousa - 27.04.2008 - 12.22h .  

TRÊS SONETOS DE ABRIL

Imagem
  UM DIA... FEZ-SE ABRIL! *   Um dia fui poema e fui palavra, Ergui-me, floresci nas carabinas E semeei canções pelas esquinas Como quem enfim colhe o que em si cava! *   Um dia  fui mais longe e mais além E acendi minh` alma e cantei mais... Um dia eu fui dif`rente entre os demais, Um dia...  fui feliz como ninguém! *   Agora Abril é hoje, Abril é sempre, Abril é cada dia em que eu viver Com a alma a sorrir num sonho em flor *   Pois fez-se Abril, um dia... e fui semente, Fui sonho e liberdade a florescer, Partilha, comunhão, renovo e cor! *   Maria João Brito de Sousa    ABRIL EM NÓS *   Havia tanto azul por inventar Neste país amorfo e tão cinzento... E um grito germinou deste lamento Nma voz que ninguém pôde calar *   Havia Abril em nós, mas sufocado, Um Abril estrangulado e por nascer, Que levedava em nós, sempre a crescer, Pujante, inevitável, adiado...   Neste país com medo em cada voz Onde sonhar-se um sonho era punido Com grades de prisão, dor e tortura,   Nasceu, um dia, Abri...

POESIA EM REDE - POEMAS DA MINHA TERRA -1ºprémio ex-aequo

Imagem
  TERRITORIALIDADE   Meu altar entre concha e girassol, Meu estro, meu luar de insenso e prata... Tão humilde é a voz que te retrata Quão desmedida a luz desse teu sol. . Tua planura imensa como imagem De uma capela erguida junto ao mar... Eu ergo a minha voz para te cantar Uma canção que vem dessa paisagem. . Quem dera ir mais além, cantar mais alto, A serena beleza que me envolve Sobre este chão sagrado onde nasci . Onde a terra e o mar, num sobressalto, Justificam a paz que agora absolve A vida de ilusões que vivo aqui...     Maria João Brito de Sousa - 2008 ..................................................................................... E foi com a maior alegria que recebi o email da poesiaemrede.no.sapo.pt, anunciando que o meu soneto era o vencedor ex-aequo do primeiro prémio do 2º concurso do Poesia em Rede, "Poemas da Minha Terra". O outro poema premiado é também um soneto lindíssimo, a que a Carla Ribeiro (autora) deu o nome de "Casa de Solidão". Para ...

SONETO À POETA, PORQUE DEUS QUIS!

Sozinhos por vezes estamos sós por vezes nos sentimos E tantas vezes procuramos quem nos encha de mimos Sem procurar, alguém conhecemos sem esperar, ao nosso lado fica Quando Deus acha que merecemos um poeta para nós indica Porque Deus quis, uma poetisa enviou abençoada hora que o fez a nós passou ela a ser a nossa voz Diz que somos seus amigos nunca nenhum de nós duvidou A Maria João a todos cativou! Blue Eyes, Porto, 21 de Abril de 2008 ________________________________ ´ Este soneto foi-me oferecido pelo meu amigo Blue Eyes num gesto de indescritível ternura. Obrigada Blue, por me estragares com mimos. Sabe tão bem sentir que somos compreendidos... também me soube muito bem receber muito mais do que realmente mereço. É que eu gosto de assumir a menina de tranças que me acompanhará por toda a vida... OBRIGADA POR LEREM OS MEUS POEMAS E OBRIGADA, TAMBÉM, PELO MUITO DE VÓS QUE ELES CONTÊM... E A TI, BLUE EYES, UM OBRIGADA IMENSO COMO UM ARCO-ÍRIS!

...E A PRIMEIRA "BOLOTA LUMINOSA" VAI PARA...

Imagem
  Custou mas consegui! Este é o Oscar, perdão, A Bolota Luminosa, concedida pelo fragil-contem-poesia.blogs.sapo.pt aos bloggers que, ao abrigo do próximo acordo ortográfico, dominem o Alentejano (Xaparrês), depois de uma polémica conferência que teve lugar no Salão Nobre do Sapo, com a distinta presença da Sra. Ministra das Artes e seus onze assessores. Durante o importante debate, tiveram ainda a palavra Adnirolfpa, Cafecomnata e ZoOm. O acordo foi aprovado por unanimidade, bem como a eleição da ilustríssima poetaporkedeusker ao cargo de Ministra das Artes,cargo do qual tomou posse às 5.00h da madrugada (hora continental).

OS TAIS TRINTA ANOS DE SOLIDÃO...

Imagem
Ele era o seu olhar que me fugia, Ele era a sua voz que rareava... Todo um imenso abismo separava O que éramos os dois. Eu bem sabia... . E era eu, eu só, quem percebia Que neste amar demais tudo faltava... A ardente chama qu`inda me queimava, O fogo essencial, a poesia! . Trinta anos eu vivi nessa ilusão E tanto me anulei, mal entendida, Que me esqueci de mim, que me neguei... . Trinta anos eu vivi em solidão! Foi, afinal, por mim que fui traída, Pelo poema em mim que então calei! . 23.04.08 - 12.00h . Fotografia - "Édipo e a Morte da Última Certeza", 60x42cm, Acrílico sobre Canson (entre vidros), 2000  - Maria João Brito de Sousa  

EU, O MAR

Imagem
Tantos anos vivi que sei de cor As pétalas, ao tempo, a rota, à lua, À montanha abissal, a ruga crua, Os bocejos, ao sol... seja o que for!   Evoco mil marés em que desenho, Nas rochas e na areia, o meu sentir; Renovo o que teci neste ir e vir, Ora sorrindo, ora franzindo o cenho...   Sou quase intemporal! Semeio vida Por essa terra virgem, desnudada, Que foi minha mulher desde o começo,   A minha terna amante, a preferida... Eu, líquido caminho, infinda estrada Que vós desconheceis, mas que eu conheço!       Maria João Brito de Sousa - 22.04.2008 - 13.03h   Fotografia - "A Tecedeira de Barcas", 76x64cm, Pastel de Óleo sobre                    Papel Fabriano montado em tela, M. João Brito de Sousa, 2006

A IMAGEM NO ESPELHO

Imagem
  Esta parte de mim nunca tem fundo; É um poço, um abismo, um nunca-acaba! Se nela caio, já ninguém me agarra Que esta parte de mim é de outro mundo...   Nesta parte de mim, quando caminho Neste fio-de-navalha em que me vivo, Descubro os sonhos novos que cultivo E que cheiram a mel e rosmaninho...   É aqui, neste espelho em que me mostro, Que sou mais eu, que sou mais verdadeira, Que dispo outras roupagens que me cobrem   Noutra imagem de mim, quando demonstro Que, apesar de dispersa, fico inteira, Muito além das feições que aqui me morrem...     Maria João Brito de Sousa - 21.04.2008 - 13.19h   . Fotografia - Pormenor da tela homónima deste poema, de Georges Rouault                    Paris, 1906

TATUAGENS - LES RACINES DU XX éme SIÉCLE

Imagem
Eu matei-me de amor por te não ter E, depois de morrer, morri de novo; Fiz desta minha vida um só renovo De mil dif`rentes formas de morrer...   Mas nunca me esqueci, porque esquecer Nunca foi solução e, se te evoco É só porque assim quero, assim provoco, Porque já nada tenho que temer...   Foi sempre culpa minha, eu sei-o bem, Pois amor de Poeta é sempre em excesso, Assusta e afugenta homens comuns   E deixa tatuagens que ninguém Lhes pode remover. Hoje regresso, Pois não me prendem mais laços nenhuns...       Maria João Brito de Sousa - 20.04.2008 - 13.29h     .  

O OVINHO

Imagem
  A pomba pôs um ovo redondinho E agora vai chocá-lo! É boa mãe, Mas não sabe que esse ovo `inda não tem Aquilo que o transforma em pintaínho... . Coitados dessa pomba e desse ovinho! A natureza chama e ela vem Pousar o seu ovinho onde ninguém Jamais a ensinara a fazer ninho... . Não vou tirar-lhe o ovo! Ela é feliz E, na sua ilusão, realizou A missão para a qual foi concebida... . Afinal foi sempre isso o que ela quis; O ovo redondinho que chocou É - quem sabe? - a razão da sua vida... . Para todas as crianças que possam, eventualmente, ler o poetaporkedeusker... e para os crescidos também.

A JANGADA

Imagem
  Eis a minha Jangada em Mar-Eterno! As ondas que se amansem pois vou só... A minh`alma fechada como um nó Renunciou ao mundo em desgoverno... . Eis-me Navegador ou Marinheiro E Náufrago por pura vocação! O mar nunca me nega o meu quinhão Dos versos que lhe engendro a tempo inteiro... . O meu destino é líquido, infinito, (se não lhe encontro o fim, nunca o terá..) Perpetuado em raios de luar . Porque me beija a lua enquanto a fito, E aquilo que escrevi não morrerá Enquanto a Lua-Mãe assim me olhar! . Desenho de Alice Brito de Sousa na capa do livro "Jangada" de António de Sousa, Coimbra Editora, 1946.

SER OEIRAS

Imagem
    Eu sempre fui daqui, ó terra amada! Sempre tive raízes neste chão Esteja coberto de erva ou alcatrão, Eu sempre estive em ti! Fui semeada! . Já foste o berço e hás-de ser a estrada, Tal como Roma o foi, dos que lá estão! Por ti nasce o poema, que é o pão Da minha breve-eterna encruzilhada... . Os meus poemas correm-te nas veias, P`ra mim, esse teu chão é corpo e alma... Nós duas, nesta estranha comunhão; . Teus cabelos de sal, tuas areias, Teu mar que vem banhar-me a tarde calma Pr`a partilhar comigo o coração...     Maria João Brito de Sousa -18.04.2008 . À "minha" terra, um dos grandes amores da minha vida.    

NÃO! - À PENA DE MORTE NOS CANIS PORTUGUESES

Imagem
Se me perdi de vós, foi por momentos... No caminho p`ra casa, um cão vadio Olhou-me e tinha fome e tinha frio... E eu, que até ali, toda lamentos, . Vos dirigia, a vós, meus pensamentos, Senti-me igual ao cão! Então segui-o... Dei-lhe todo o meu pão, que isto de brio Também vem da partilha de alimentos. . E, por hoje, só hoje, o velho cão, Que depois quis partir, ir rua fora, Vai de barriga cheia e confortado... . Amanhã outro alguém lhe dará pão! Alguém que o deixará, que irá embora... E qual de nós será o mais culpado? . Hoje, quando regressava do laboratório de análises clínicas.  

URGÊNCIA

Imagem
        À Natália Correia   No meu imperativo de criar Sempre mais, muito mais, Cada segundo, Bebo poemas desde o sol raiar Até se pôr, P`ra dar descanso ao mundo... . E apesar da dádiva serena Da rotina da luz Dos nossos dias, Há uma urgência, Uma outra urgência extrema! . E só para criar mais um poema, Nesta sede que nunca se alivia, Nesta fome que, urgente, Me condena, Eu deixo o tempo todo em desatino; . Acendo o sol na noite, O luar nos dias, Por um poema, Só mais um poema!   Maria João Brito de Sousa - 16.04.2008 -11.57h . Março de 2007 - Quebrando a orientação original                             do poetaporkedeusker,                             um poema de rima livre...                             

SOBREVIVER A UM ATENDIMENTO PÚBLICO...

Imagem
Há excesso de aparência em tanta coisa! Tanta gente a mostrar o que não é, Tanta gente fingida e de má fé... (mas "o bichinho" sabe onde é que poisa...) . Nunca se foi à prova de aparências E há tantos "desleais" por condição... Quantos de nós (refugo ou perdição?) Mergulhados num mar de incongruências... . E tão indelicados, tão frustrados, Ficamos, enredados nestas teias Que o bichinho-sistema vai tecendo, . Que até par`cemos mal intencionados! Fazemos "coisas más" com "caras feias" E só tentamos ir sobrevivendo... . 15.04.08 - "É a sua primeira vez aqui?" - "Ipsis verbis"        

LOUCURAS...

Imagem
  Loucura... é tão saudável a loucura Quando desperta em nós feita amizade... Brinca connosco, afasta essa ansiedade Que tantos `inda pensam não ter cura... . Acende-se uma chama solidária; Lá voltamos a ser os Mosqueteiros, A bater-nos por sonhos verdadeiros Contra uma sujeição totalitária... . Quantas vezes ser "louco" é ser melhor, É dar mais cor à vida, é ser mais puro, Parar de dar ouvidos às mentiras . E adornar a palavra, usando a cor, Ou albergar, cá dentro, outro futuro Que vence, no presente, humanas iras... .  Colares,12.04.08 - 09.30h . A todos os que ontem visitaram o poetaporkedeusker. A todos os que, a partir de hoje, o continuarem a visitar.

ENCONTRO DE POETA(S)

Olho este céu e toda eu me encanto! No canto magistral do rouxinol Vejo uma flor que brilha como o sol E que a envolve inteira como um manto... . Há charnecas em flor nas suas mãos E um sobreiro, cansado e sonolento, Desperta para olhar esse momento Do encontro entre a poeta e seus irmãos... . Com olhos deslumbrados de desejo, Eu quase juraria que então vejo o seu vulto, o seu rosto, os seus vestidos, . Na mesma luz claríssima a que almejo, A Florbela, adornando esse Alentejo Dos mais belos sonetos já tecidos...   Maria João Brito de Sousa - 11.04.2008 - 10.47h . Dedicado ao meu amigo Frágil, a Florbela Espanca e ao sol do Alentejo. .

ALENTEJO

Imagem

CHAMAR O SOL

Imagem
  Eu já chamei o sol quando menina... Cantava, acreditava e... ele lá vinha! Não sei se era outro dom dos tais que eu tinha, Ou se era por ser tão, tão pequenina... . Assim que o sol chegava, as flores abriam E havia um cheiro novo no jardim De terra aberta à flor que havia em mim (por obra do que os sonhos permitiam...) . Mas... se nada mudou, s`inda acredito Naquilo que em menina acreditava, Se ainda sei sonhar, s`inda me espanto, . Talvez chamando o sol no que foi escrito Por estas mesmas mãos com que eu pintava, Possa ainda alcançar tão estranho encanto...     Maria João Brito de Sousa -10.04.2008 - 11.13h . 09.04.08 - 13.00h . Dedicado à minha amiga ZoOm e ao Manuel Ribeiro de Pavia, o meu primeiro - e único... - mestre no carvão e na tinta-da-China.

O NASCIMENTO DO POEMA

Imagem
Eis o poema! Nasce e quer ser visto Pois traz um eco, um grito, uma missão: - Nasci e sou poema, ó multidão! Sou feito de palavras, mas existo!   Cumpri-me e sou poema! A minha voz, Seja grito, lamento ou gargalhada, Jamais irá render-se ou ser calada E ecoará, talvez, dentro de vós...   Ah! Quanto humano sonho em mim carrego! E que imensa certeza eu trago em mim Quando nada me prende ou me acorrenta...   De quanto houver em mim, nada vos nego; Desvendo o que souber, sou mesmo assim, Sois vós quem me dá vida e me acrescenta...   Maria João Brito de Sousa   09.04.08 - 9.00h   Soneto dedicado a todos os meus amigos, sem excepção, e a todos os que casualmente por aqui passarem, contribuindo assim para o nascimento de mais poemas.

A METÁFORA (Ser um rio)

Imagem
Serenamente sou quem nunca fui, Partícula de mim mais coisa-e-meia Que olha o mundo em redor e fica cheia Das tantas coisas que esse olhar intui... . Serenamente sou e quero ser Humano paradoxo (um pouco louca?) Quando acrescento um mundo à coisa pouca Que, em órbita de mim, me der prazer... . Serenamente sigo o meu percurso E, num deslumbramento, sigo em frente... Se paro é para olhar, descobrir mais . E, tal qual como um rio que é leito e curso, Prossigo para a foz, por ser-me urgente Ter meta, como os outros animais... . Soneto especialmente dedicado à minha amiga Café com Nata e a todos aqueles que se empenham para que, neste nosso mundo, todas as formas de vida possam ser respeitadas.  

INTEMPORALIDADE

Imagem
  Ó estranha e doce infância intemporal, De ti quanta ternura em mim ficou... Os olhos nesse longe onde não estou, Na cauda de um cometa acidental...   Ficou, desta criança angelical, O mesmo olhar distante e, do que sou, O riso que no tempo perdurou (cá por dentro a menina é sempre igual....)   Há pedaços de mim no céu que enxergo, Da menina que fui e que `inda agora Sorri dentro de mim, se abraça o mundo...   Ainda há estrelas nos sonhos que albergo E, onde quer que o ponteiro aponte a hora, Jurarei ter vivido um só segundo...   Maria João Brito de Sousa -  07.04.08 - 03.00h . Soneto especialmente dedicado a todos os meus amigos que, como eu, passaram a fronteira do meio século sem deixarem morrer a criança que os habita.

A COLHEITA

Imagem
  O tempo que eu perdi, o que eu chorei, Ó juventude em louca insensatez! Não mais choro por ti porque és, talvez, O tempo em que perdida me neguei...   O mundo inteiro chora a juventude E eu, quanto mais velha, mais feliz! Será que é sempre assim? Tudo me diz Que só agora vivo em plenitude...   Saudades? Não as sei há tantos anos... Saudades de chorar, de estar perdida? Saudades de sentir-me insatisfeita?   Encontrei-me por fim, sem desenganos Que me façam pensar que estou vencida Quando é chegada a hora da colheita...     Maria João Brito de Sousa - 06.04.2016 - 13.37h       Soneto especialmente dedicado a todos os meus amigos que, como eu, já passaram a fronteira do meio século. Aos que partilham a experiência e aos que ainda choram a sua juventude e não deram, ainda, pelo trigo amadurecido... . Fotografia de uma tela de Vincent Van Gogh, "O Campo de Trigo", gentilmente roubada algures, da internet...

O CHÁ DE TÍLIA

Imagem
  Eu moro numa rua ao pé de mim Onde o sol se vem pôr todas as tardes E sinto quem tu és, embora guardes Esse segredo em ti, até ao fim,   E moro numa casa que, por fora, Pequena como eu sou, só tem dois quartos... Lá dentro o mundo estende uns braços fartos, Mas, mal o dia nasça, vai-se embora...   E dorme o mundo aqui, na minha cama. Se fico a vigiá-lo a noite inteira, Mais versos nascerão dessa vigília,   De cada dia a dia de quem ama Nas voltas da paixão mais verdadeira. (depois, ao fim da tarde, um chá de tília...)   Maria João Brito de Sousa - 05.04.2008 - 11.17h   Soneto especialmente dedicado à minha amiga Ligeirinha. Foto "gentilmente roubada" da net...

AMAR É...

    Amar é estar em paz, acreditar... É ser gato e mulher e planta em flor! Mais do que ter amor é Ser-se amor E nesse amor florir, frutificar... . É ter dentro de nós a terra, o mar, É pintar um poema em cada cor, É poder consolar quem sinta dor, Semear um sorriso em quem chorar...   É saber aceitar, em vida, a morte, Sem medo e sem a sombra da revolta E, equilibrando os pratos do destino,   É vislumbrar, ao longe, um fio de sorte, E agarrar, desse fio, a ponta solta De tudo o que em nós há de mais divino...     Maria João Brito de Sousa - 04.04.2008 - 11.53h       Soneto especialmente dedicado à Poeta de Domingos, que ontem me lançou o repto, e ao meu amigo Sonhosolitario.   Fotografia gentilmente "roubada" à Associação ANIMAL que luta por quem, como nós, sente e ama, mas não pode fazer valer o seu direito à vida.  

PÔR DO SOL NO BANQUINHO

Imagem
É pôr-do-sol... a lua, imaculada Destaca-se num céu vermelho escuro Que se diria tímido, inseguro Em definir a cor em si guardada...   Num banco, ao pé de mim, alguém que sonha, Que espera um novo amigo, um novo abraço, Repara no que digo e no que faço, Convida-me a sonhar, não tem vergonha...   Aqui, no Pôr-do-Sol, somos irmãos... Pessoa vem sentar-se aqui também E a lua brilha, cada vez mais branca...   Deita-se o sol e os sonhos não são vãos, Porque a lua, afinal, é nossa mãe, E esta  nossa amizade é livre e franca...     Maria João Brito de Sousa - 03.04.2008 - 11.10h Especialmente dedicado ao meu amigo Blue Eyes.

OS RESTAURADORES DE SONHOS

Imagem
  Bendito seja Deus! Eu ouço o mar Nos gorgolejos mil das ondas mansas, E volto a ser menina e uso tranças E construo na areia um novo lar!   Bendito seja Deus! Eu sei sonhar! E nestas construções, nestas andanças Em que restauro a vida em mil mudanças, Acordo, de manhã, a acreditar...   Benditos sejam sonhos e memórias, Restauradores de nós no que foi feito, No eterno desgastar das nossas vidas;   O que nos foi mais doce, as nossas glórias Nesse passado mais-do-que-perfeito Das coisas que por nós foram vividas...     Maria João Brito de Sousa 01.04.08 - 12.45h . Soneto especialmente dedicado à escritora e pintora Maria José Travelho Rijo pela sua "Balada da Infância".