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A mostrar mensagens de setembro, 2023

MODINHA DOS VENDILHÕES- Reedição

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Por  aqui, se faz favor

SOBRAS - Reedição

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Vai um  cafezinho?

À FLOR DO NOSSO ESPANTO - Reedição

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Fotografia de Luís Raimundo Rodrigues * À FLOR DO NOSSO ESPANTO * "Numa brisa soprada pelo vento", Nas asas de uma pomba que esvoaça, Deponho uma centelha - só! - da graça Que às musas concedeu algum talento * E a minha que, privada de alimento, Murchando se enrugara como passa, Vai retomando, ao vê-la, a antiga traça E de novo recobra algum alento * Voemos pois ainda que pousados No maltratado chão dos nossos fados Ou na magoada voz do nosso canto * Voemos tal e qual bichos alados Sobre as montanhas ou rasando os prados Que irão nascendo à flor do nosso espanto. *   Mª João Brito de Sousa 13.12.2022 - 10.40h *** Soneto concebido a partir do último verso do soneto "A Voar" do poeta Custódio Montes.

UM LENÇOL DE ÁGUA PURA E LINHO CRU - Reedição

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Eu, depois do banhinho, fotografada pelo meu pai, 1952 * UM LENÇOL DE ÁGUA PURA E LINHO CRU * É lençol de água pura e linho cru Este amor que se expande e gratifica, Que não tem voz, mas te trata por tu E em ternura te eleva e multiplica * Tal qual nasce um menino e, todo nu, Reduz a nada a imensa dor que implica O parto, qual memória de baú Que se revê quando já nada a explica... * Cobrimo-lo de panos pra que aqueça, Amparamos-lhe a queda, se tropeça, Tentamos dar-lhe tudo, nada tendo * E o mesmo fazemos, sem sabê-lo, Se a mão nos obedece ao estranho apelo De um verso que nos nasce e vai crescendo... * Maria João Brito de Sousa Oeiras, Portugal ***

EXORCISMO

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Fotografia de Mª João Brito de Sousa * Exorcismos? É por  aqui , se faz favor.

GLOSANDO MEA EM REDONDILHA MAIOR - Reedição

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Eu, com três anos, na varanda da casa da Rua Luiz de Camões, Algés * Por  aqui , por favor  ***  

GLOSANDO CARLOS FRAGATA II - Reedição

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Eu, fotografada por Carlos Ricardo, 22.09.2023 * GLOSANDO CARLOS FRAGATA II * MORAR EM TI * Não quero viver livre, não aceito, Vou viver preso a ti, em ti morar, Ser tua água pura, p’ra matar Essa sede de amor que há no teu peito, * Quero ser o desejo satisfeito, Quero ser a razão do teu cantar, Quero ser esse brilho no olhar Que me faz adorar esse teu jeito!... * Um jeito de menina já mulher, Que merece viver felicidade E será pouca, toda a que te der! * Quero ser o teu sol, tua verdade, Quero ser tudo aquilo que puder, Agora, amanhã, p’la eternidade!!! * Carlos Fragata *** ETERNIDADE(S) * "Não quero viver livre, não aceito" Esta incondicional libertação Que assumo, sendo humana, ter defeito Porque me amarra, ainda que à traição *   "Quero ser o desejo satisfeito" Daquilo em que acredito, feito acção E não mera intenção de tê-lo feito Quando me faltou gesto e sobrou mão... * "Um jeito de menina já mulher", Recordo quando afasto, com saudade, A imagem do q...

SONETO A UMA DOR QUE VEM DO DESERTO

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Fotografia de Luís R. Rodrigues * SONETO A UMA DOR QUE VEM DO DESERTO *   "Como é triste e mata este deserto em volta" Quando a dor se solta porque se desata Da peia inexacta da minha revolta E segue sem escolta, com espada de prata * E escudo de lata, lança desenvolta... Na reviravolta tudo desbarata; Solta-se em cascata livre e desenvolta Inunda-me absolta de ver-se inundada * E eu, sem mãos de fada, não posso detê-la, Não posso prendê-la nem por um momento Que o meu pensamento está cativo dela... * Fosse eu barco à vela veloz como o vento, Mas sou muito lento, mais lento do que ela Que ainda que bela me inveja o talento... * Mª João Brito de Sousa 22.09.2023 - 14.30h *** Soneto em verso hendecassilábico com rima entrançada - interna e final - criado a partir de um verso de Luís Raimundo Rodrigues  

ALMA DE MAR

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 Fotografia de minha autoria * ALMA DE MAR * Eu quero esta minh`alma como o mar: Líquida, transparente e abissal... Não a quero salgada porque o sal É muito mais pesado do que o ar * Quero-a tal como a anseio vislumbrar: Leve, duma leveza tão total Que voe pelo céu universal Como se fosse um raio de luar * Quero ver a minh`alma feita em espuma Como as ondas do mar a dar na areia E, Náufraga-Perfeita do que sou, * Quero senti-la esparsa como a bruma, Abstracta, inalcançável como ideia Que no mar se perdeu e se encontrou. *       Maria João Brito de Sousa   2009 *

SONETO DO MAR- Reedição

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 Fotografia gentilmente cedida por Carlos Ricardo * SONETO DO MAR *   Serei, na (in)completude dos gentios, Quem de ti fez o berço original, Quem te encheu da grandeza natural De invernos, dos agrestes, e de estios; *   Sou quem te enfeita de ilhas e baixios, Quem te escava esse leito de água e sal, Quem te cobre de bancos de coral, Quem te devolve a água dos seus rios *   E sou quem te deu essa imensidão Das coisas que mal sabes desvendar, Quem cresce ao renovar-te e quem te fez, *   Sou, a Vontade - sempre em gestação - De me expandir, de me multiplicar E a força que adivinhas mas não vês! *     Maria João Brito de Sousa 23.01.2008 *** In Poeta Porque Deus Quer Autores Editora, 2009 ***

UM PASSEIO COM CUSTÓDIO MONTES

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UM PASSEIO COM CUSTÓDIO MONTES * Coroa de Sonetos * 1. * Ao andar, a tristeza vai-se embora Que vejo lindas moças a passar Também cravos e rosas ao olhar E vem-me uma alegria acolhedora * Desenvolvo, ao andar, força motora Que me faz ir mais longe a caminhar Fortalecem-se os músculos a andar Sentindo-me melhor a cada hora * Vejo cravos e rosas, raparigas Que me inspiram no verso e nas cantigas Ao olhar o seu rosto e o seu seio * Vejam bem o que ganho, pois remoço Ao andar sem cansaço e pouco esforço E a ver coisas lindas no passeio * Custódio Montes 19.9.2023 *** 2. * "E a ver coisa lindas no passeio" Apesar dos tropeços e dos sustos, Sou tentada a espreitar entre os arbustos De onde emana um dulcíssimo gorgeio * Um melro distraído em seu recreio Consigo vislumbrar sem grandes custos E sinto-me a mais brava dentre os justos Por ter vencido incómodo e receio! * Correm crianças junto do canteiro Nestes cinquenta metros do carreiro Que vai da minha porta ao cafezinho * Mas não f...

SILÊNCIO!- Reedição

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SILÊNCIO! * Silêncio, que um poema vai ser escrito Ainda que a palavra esteja gasta, Esvaziada, esmagada como pasta, Sangue pisado de um verbo proscrito, * Mescla magoada que em versos debito, Mosto de um vinho sem nome nem casta... Calai-vos por favor, que isto me basta E em nome deste nada me credito, * Pois se de alma dorida, atormentada, Peço silêncio em troca deste nada, Ouvi-me, que este nada é quanto tenho... * Silêncio, que a palavra deslumbrada Só em silêncio pode ser gestada; Dela renasço e nela me despenho! * Maria João Brito de Sousa 18.09.2020 - 11.25h ***

GLOSANDO LUIZ VAZ DE CAMÕES III- Reedição

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JURANDO DE NÃO MAIS EM OUTRA VER-ME *   Como quando do mar tempestuoso O marinheiro todo trabalhado, De um naufrágio cruel saindo a nado, Só de ouvir falar nele está medroso; * Firme, jura que o vê-lo bonançoso Do seu lar o não tire sossegado; Mas esquecido já do horror passado, Dele a fiar se torna cobiçoso; * Assi, Senhora, eu que da tormenta De vossa vista fujo, por salvar-me, Jurando de não mais em outra ver-me; *   Com alma que de vós nunca se ausenta, Me torno, por cobiça de ganhar-me, Onde estive tão perto de perder-me. * Luiz Vaz de Camões In "Sonetos" *** BRAVATA(S) * "Como quando do mar tempestuoso" Que engole inteiro o velho galeão, Emerge o grande vate e traz na mão Quanto lhe fora em vida mais precioso, *   "Firme, jura que vê-lo bonançoso" Chegar às mãos de D. Sebastião, Lhe justificará toda a aflição Da luta contra um mar fero e rochoso * "Assi, Senhora, eu que da tormenta" Medo não tendo, vibro de ousadia, O mesmo irado mar enfren...

GLOSANDO JOAQUIM SUSTELO V - Reedição

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A CHUVA * A chuva quando cai tem a beleza Das lágrimas que correm por amor; É choro, é emoção da Natureza, Das nuvens, suas taças de licor *   Há sonhos que nos traz quando se ouve Seu som lá no telhado ou na vidraça; Beleza há na toada que se louve Qual música que toca e nos enlaça *   Não há nenhum poema que descreva As gotas numa pétala de flor; E cada, é uma lágrima que leva À terra, quando cai, o seu amor * A alma se embebeda, se extasia Ao ver chover nos campos... no caminho... Embriaguês que chega por magia Como se em vez de água fosse vinho * A chuva... obra do Céu, da Natureza, Tem música nas gotas, uma a uma... Balada que nos dá nessa beleza Dum dia que nos surge em tons de bruma. * Joaquim Sustelo * In CAMINHOS DA VIDA *** A CHUVA, SEGUNDO UMA ESTEVA-DAS-AREIAS * "A chuva quando cai tem a beleza" Da bênção que sacia e mata a sede À terra sequiosa e sem certeza Que em verdes refloresce, se a recebe * "Há sonhos que nos traz quando se ouve" Ressoar pelos pa...