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A mostrar mensagens de setembro, 2016

GLOSANDO O POETA CARLOS FRAGATA IV

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  FINALMENTE   Olho a foto, revejo aquele rosto Pejado de certezas e de planos, Confiante nos seus dezoito anos, Sem uma ruga ou marca de desgosto...   Agradando a gregos e troianos, Bem com a vida, sempre bem disposto Mas, diferente do que era suposto, Seus feitos foram sempre medianos.   Tem já quarenta anos, essa imagem... Uma vida passou e só agora Cheguei ao melhor porto da viagem.   Felicidade, chegaste na hora Em que estava perdendo a coragem De amar alguém, tal como amo agora!!   Carlos Fragata     DE PASSAGEM...   "Olho a foto, revejo aquele rosto" De traços tão perfeitamente humanos Que ainda que passassem muitos anos Jamais se disporia a ser deposto...   "Agradando a gregos e troianos" Nunca ninguém a vira e, como Agosto, Toda era força e garra e chama e mosto, E, se mistério tinha, era o de arcanos...   "Tem já quarenta anos, essa imagem..." Ao fim de tanto tempo, inda não chora Sempre que a vida a açoita... e tem coragem!   "Felicidade, c...

GLOSANDO O POETA JOAQUIM SUSTELO VIII

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  SETEMBRO  2 Setembro foi partindo na saudade Das tórridas manhãs das praias cheias; Do mar trazendo os cantos das sereias, Dum pôr-de-sol intenso e sem idade Das fragas reluzindo à claridade Da prata dum luar paredes meias; Dos sonhos desfilando nas ideias Dum tempo de balanço da vontade Setembro desfolhou-se num outono... As folhas vão ficar ao abandono Tal como alguns dos sonhos que desfolho Virá a folha nova pró seu trono; Assim viesse a paz que ambiciono Na calma doutro outono em que te olho... Joaquim Sustelo     SETEMBRO -  Uma Perspectiva Egocentrada   "Setembro foi partindo na saudade" De uma sobrevivência mais provável E foi nascendo Outubro, esse implacável Que abre uma porta ao gelo que me invade... "Das fragas reluzindo à claridade", Despeço-me de um V`rão mais favorável Ao corpo - este meu corpo não saudável... - Que nada tem, senão fragilidade... "Setembro desfolhou-se num Outono" Que tirita e, com cãibras, perde o sono Assim que o frio se ...

GLOSANDO A POETISA MARIA ROSA REDONDO II

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PALAVRAS DE RANCOR Tuas palavras ditas com rancor que meus ouvidos escutaram tristemente demonstram bem, a ilusão daquele amor que em tempos, eu pensei ... em ti presente! Tanta ânsia por te querer com tal fervor não percebi que tu mentias inclemente então eu fui vivendo ao sabor duma paixão que me vencia cegamente. Por essas peripécias que inventaste um filme que tão bem representaste por ti o que hoje sinto, já nem sei . deste ao meu viver, tanta amargura, senti-me quase á beira da loucura numa pessoa diferente, me tornei . 28/08/2012 Rosa Redondo PALAVRAS, PALAVRAS, PALAVRAS... "Tuas palavras ditas com rancor" Não tiveram, em mim, qualquer efeito; Cresci, não quero ter amo ou senhor, Nem quero mais ninguém sobre o meu leito! "Tanta ânsia por te querer com tal fervor" E tanto sonho inútil no meu peito, No tempo em que quis crer que o teu amor Seria, dentre os mais, mais que perfeito... "Por essas peripécias que inventaste", Nem por um só segundo me magoa...

GLOSANDO O POETA JOAQUIM SUSTELO VI

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  DIÁLOGOS   Visita-me a saudade tantas vezes... E às vezes é bem longa essa visita! Falamos de alegrias, de reveses, Que a fala da saudade é infinita   Debato-me com ela em várias teses - Foi bom ter sido assim? (Cá se medita...) E como foram bons, anos e meses, Gostamos, porque a estrada foi bonita   Apenas exceptuamos o que dói: A parte que é mais triste, a de quem foi E tanto oferecia o seu carinho...   Há lágrima teimosa que se enxuga... E o indiscreto espelho mostra a ruga A encurtar também nosso caminho.     Joaquim Sustelo     MONÓLOGOS     "Visita-me a saudade tantas vezes" Que a não distingo mais do que é real; De instantes vou somando os longos meses Do muito que nem sei se tem total...   "Debato-me com ela em várias teses", Mas nunca perco o fogo original Que de mim fez operária, entre burgueses, E, entre "ricaços", torna-me animal ...   "Apenas exceptuamos o que dói:" Mas de quanto nos fica, o que nos mói, É sempre o que mais move e ...

GLOSANDO O POETA NATHAN DE CASTRO (In Memoriam)

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DILEMAS DE UM MAR SEM FIM -"Ser ou não ser azul. Eis a questão" Que o Mar se põe, olhando a cor que o cobre, Sem estar seguro de estar certo, ou não, Quando imagina azul seu manto nobre... -"Ser ou não ser... O branco em minha mão" Hesita entre algum verde, que descobre Numa memória, ou numa inovação, E o velho azul, que entende usado e pobre... -"Um verde de poesia, azul de luas"... Murmura, qu`rendo ver seu corpo imenso Vestido de uma côr definitiva; "Com sua voz de rochas seminuas" Pergunta-me em que côr o vejo, ou penso, Vendo-me olhá-lo assim, contemplativa...     Maria João Brito de Sousa - 23.09.2016 - 19.35h      

GLOSANDO O POETA CARLOS FRAGATA II

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  O ESCRIVÃO     Quando as musas me tentam e despertam, O mar, a noite, a lua, me acompanham, Juntam-se e são eles que desenham Os traços dos poemas que me ofertam.   São eles que trabalham e se empenham, Juntam sílabas, puxam e apertam, Torcem, emendam, erram e acertam E das rimas mais pobres não desdenham…   Traduzindo em palavras a beleza, Limito-me a escrever o que me dão O amor e os sons da natureza.   Usando como filtro o coração, Enquanto escrevo, ganho uma certeza: Mais que poeta, sou mero escrivão!     Carlos Fragata     UMA ESCRIVÃ SEM TEMPO... "Quando as musas me tentam e despertam", Há outras mil urgências que a desdenham, Que as musas são crianças, se se apanham No meio dos poetas que as completam... "São eles que trabalham e se empenham," Quando elas, inseguras, mal soletram, Dos versos que os poetas lhes decretam, Os compassos sonoros que contenham... "Traduzindo em palavras a beleza", Não fica um verso só, pois cada irmão Virá, todo atenção...

GLOSANDO O POETA JOAQUIM SUSTELO V (Em decassílabo heróico, mas não em soneto, excepcionalmente)

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  A CHUVA A chuva quando cai tem a beleza Das lágrimas que correm por amor; É choro, é emoção da Natureza, Das nuvens, suas taças de licor Há sonhos que nos traz quando se ouve Seu som lá no telhado ou na vidraça; Beleza há na toada que se louve Qual música que toca e nos enlaça Não há nenhum poema que descreva As gotas numa pétala de flor; E cada, é uma lágrima que leva À terra, quando cai, o seu amor A alma se embebeda, se extasia Ao ver chover nos campos... no caminho... Embriaguês que chega por magia Como se em vez de água fosse vinho A chuva... obra do Céu, da Natureza, Tem música nas gotas, uma a uma... Balada que nos dá nessa beleza Dum dia que nos surge em tons de bruma.   Joaquim Sustelo (em CAMINHOS DA VIDA)     A CHUVA, SEGUNDO UMA ESTEVA-DAS-AREIAS   "A chuva quando cai tem a beleza" Da bênção que sacia e mata a sede À terra sequiosa e sem certeza Que em verde refloresce, se a recebe...   "Há sonhos que nos traz quando se ouve" Ressoar pelos pastos e qui...

GLOSANDO LUIZ VAZ DE CAMÕES III

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  JURANDO DE NÃO MAIS EM OUTRA VER-ME * Como quando do mar tempestuoso  O marinheiro todo trabalhado,  De um naufrágio cruel saindo a nado,  Só de ouvir falar nele está medroso,  * Firme, jura que o vê-lo bonançoso  Do seu lar o não tire sossegado;  Mas esquecido já do horror passado,  Dele a fiar se torna cobiçoso, *  Assi, Senhora, eu que da tormenta  De vossa vista fujo, por salvar-me,  Jurando de não mais em outra ver-me;  * Com alma que de vós nunca se ausenta,  Me torno, por cobiça de ganhar-me,  Onde estive tão perto de perder-me.  Luís Vaz de Camões In "Sonetos" *** BRAVATA(S) "Como quando do mar tempestuoso" Que engole inteiro o velho galeão, Emerge o grande vate e traz na mão Quanto lhe fora em vida mais precioso, * "Firme, jura que vê-lo bonançoso" Chegar às mãos de D. Sebastião, Lhe justificará toda a aflição Da luta contra um mar fero e raivoso * "Assi, Senhora, eu que da tormenta" Medo não tenho e vibro de ousadia, O mesmo irado mar...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE IV

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  DE VENTO.....A BRISA   Fui vento, nesse dia do passado E para te alcançar soprei um beijo Em aroma de lima. Perfumado Com a verde esperança do desejo   E esse vento que fui , te fez legado E em sopros fez de ti, águas do Tejo Que correram pra mim , por todo o lado Dos meus campos de amor, fizeram brejo   Fui vento de frescura no Verão  No teu mar bebi, águas de paixão  E amanheci submersa de certezas   No Outono que já sou, sou subtil brisa Que entardece serena, sem divisa Em douradas espigas de incertezas     Maria da Encarnaçao Alexandre     13/09/2016       NEM SEMPRE SUAVE, NEM SEMPRE EXALTADA... "Fui vento, nesse dia do passado" Em que esqueci pretérito e futuros, Ficando, o fruto em mim, condicionado Ao espaço conquistado entre os teus muros "E esse vento que fui, te fez legado" De um beijo que recordo entre os mais puros De quanto beijo tenha sido dado Entre dois jovens frágeis, inseguros... "Fui vento de frescura no Verão", Mas... fazendo cedênci...

GLOSANDO O POETA JOAQUIM PESSOA II

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  POETA DE COMBATE *   Poeta de combate me chamaram. De combate serei. Não mercenário! Poeta de combate é um operário das palavras que nunca se entregaram. *   Poeta de combate! E porque não? Sou poeta. Serei também soldado. O meu canto será um canto armado e o meu nome de guerra uma canção. * Poeta de combate me quiseram os que cedo da luta desertaram ou aqueles que nunca combateram. *   Poeta de combate eu hei-de ser até quando o meu povo precisar ou nada mais houver a combater. *   Joaquim Pessoa In AMOR COMBATE, Moraes Editora *   POETA * "Poeta de combate me chamaram" E combatente fui. Não mais, nem menos, Do que esses que partiram entre acenos Para uma guerra de onde não voltaram *   "Poeta de combate! E porque não?" Que são meus dias, se não são trincheiras? Que são meus versos, se não são certeiras Setas que aponto a cada coração? *   "Poeta de combate me quiseram", Poeta de combate me terão Ao lado dos que há muito se perderam! *   "Poeta de ...

GLOSANDO O POETA JOÃO DA PALMA

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  A SOLIDÃO, ÀS VEZES     Adoro muita vez a solidão Aonde a paz também nos acontece… Detesto embrulhar-me na multidão… Confusa onde ninguém se conhece     Adorava de alma e coração Ter mais tranquilidade, se pudesse! E ver valer a calma e a razão Num clima de harmonia que eu vivesse!     É lindo este bem-estar e distrair Embora tanta vez sem conseguir Neste mundo tão falso e poluente     Oh! Quem me dera um dia me acercar… Dum espaço mais sadio… e lá morar! Onde a paz se desenhe alegremente!     João da Palma     A MINHA SOLIDÃO...   "Adoro muita vez a solidão" Pois só nela me abraça a poesia E só dela me nasce esta pulsão Que em forma de poema se anuncia...   "Adorava de alma e coração" Viver dessa pulsão no dia a dia, Mas a pobreza extrema contraria A minha mais sublime aspiração...   "É lindo este bem-estar e distrair", Dos versos e das rimas a fluir Das teclas às palavras, se estou só...   "Oh! Quem me dera um dia me acercar(...)" De espanto ...

GLOSANDO O POETA FRASSINO MACHADO

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  SONETO PRA QUE TE QUERO     Andas por aí, perdido em todo o lado Qual vagabundo entre terra e céu Mascarado por indelével véu Ficando a toda a hora acorrentado.   Andas por aí exposto e desnudado, Fingindo de estandarte e até troféu, Mas como escravo feito Prometeu, Não consegues vencer teu triste fado.   E prenhe d` emoções em poesia, Tu Soneto,tu que foste imperial, Permite que por ti me torne austero...   Escuta bem: sem b`leza e harmonia E sem o valor e o brilho do cristal, Soneto, meu irmão, pr`a que te quero?   Frassino Machado   In "Musa Viajante", Chiado Editora, 2016     SONETO, POR QUE TE ESCREVO?   "Andas por aí, perdido em todo o lado", Cheio de silicone, a "dar nas vistas", Quando aquilo que tento é que resistas, Que (en)cantes, sem tornar-te rebuscado...   "Andas por aí exposto e desnudado, " Disposto em prateleiras consumistas, Exportado - ou deportado? - pr`ás revistas Das novelas, da bolsa, ou do mercado...   "E prenhe d` ...

CRIVO(S) & SENTIDO(S)

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  Não me apontem sentidos quando eu vejo Que sigo um rumo próprio e produtivo Que irá bem mais além, se eu tenho ensejo De enchê-lo das razões de que me privo Quando, num verso, encontro o tal solfejo E, num soneto o esboço, agreste e vivo! De assim, tão vivo o ver, logo o protejo Quer passe, quer não passe, pelo crivo De quem julgue que eu própria o não cotejo - embora em gesto quase intuitivo... - Enquanto o vou escrevendo, se o desejo Como sempre o desejo; sensitivo, Ritmado - francamente! - e, como o Tejo, Valente, renovado e compulsivo... Maria João Brito de Sousa - 08.09.2016 - 13.48h     Imagem da nascente do Tejo, serra de Albarracín  

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE III

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  PALAVRAS AO LUAR Vim! E trouxe comigo mar bravio Que destrói esta praia que me deste Ao ver-te, alga, arrastada por navio Num trajecto sem rumo e tão agreste   Há ondas que me afundam num vazio Quando sinto, que nada, já fizeste Que te afaste do mal negro e sombrio Que assombra o teu caminho como peste   Acalmo este meu mar, de ondas gigantes Teço-me de faróis, só vigilantes Porque pra nada mais sou soberana   Perfumo as tuas noites, de luar Pra que quando em teus braços se deitar Leve a minha saudade, da semana     Maria da Encarnação Alexandre 05/09/2016 (Ainda à minha mãe)   CONFISSÃO... "Vim! E trouxe comigo o mar bravio" Desde o primeiro instante em que cheguei... Depois, provei a fome e tive frio, Mas não desdisse o mar, quando o provei! "Há ondas que me afundam num vazio" E outras que me juram que voei, Que fiz, de cada vácuo, um desafio, Que, por perder-me, muito mais ganhei... "Acalmo este meu mar de ondas gigantes" Na plenitude destes meus inst...

GLOSANDO A POETISA HELENA FRAGOSO II

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  SONHEI CONTIGO... Sonhei que era contigo que sonhava E que nesse acordar era verdade... O sonho tão real se me mostrava Aos meus olhos de espanto, de saudade.   Sonhei ver esse rio que me cantava Seus fados e canções, na mocidade, E os jacarandás! Como adorava, Na avenida mais bela da cidade...   Sonhei que nas ameias me sentava E que meu peito aberto mergulhava Daquela Torre em saltos de ansiedade...   Que no meu Tejo, ali, mesmo nadava. Quando acordei confesso, já chorava, Pois só em sonho foi realidade.     Helena Fragoso REBENTAÇÃO...   "Sonhei que era contigo que sonhava", ó minha casa-mãe, meu berço e chão, e que eras tal e qual te recordava, bem mais do que uma antiga construção...   "Sonhei ver esse rio que me cantava" como se fosse líquida, a canção e me tornasse, inteira, uma onda brava numa estranha e complexa solução...   "Sonhei que nas areias me sentava" olhando a vaga quando rebentava nos mil estilhaços dessa insurreição,   "Que no me...