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A mostrar mensagens de novembro, 2010

CANTO DE OUTRA ANTIQUÍSSIMA MEMÓRIA

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  O soneto de hoje é dedicado à Laurinda Alves que faz anos amanhã e cujo blog http://laurindaalves.blogs.sapo.pt/ eu acabo de visitar. Não foi um soneto concebido expressamente para ela, mas eu sou uma daquelas pessoas que acreditam, no mais fundo de si, que a Arte e o Acaso devem andar de mãos dadas. Parabéns, Laurinda! :)     Evoco, à luz da lua , o teu cabelo E as nossas duas bocas num só beijo, Enquanto, lá no alto, o Sete-Estrelo Nos oferecia um brilho benfazejo     Evoco quanto havia de mais belo E em tudo o que evoquei, hoje revejo Um rei que vem voltando ao seu castelo Em asas que engendrei, por meu desejo     Vejo, então, o teu vulto ir-se afastando E vai crescendo, em mim, um choro brando Que extravasa e me inunda o coração     Talvez depois te evoque… ou nunca mais Conjure esses teus traços virtuais (como se este estar só não fosse opção…)         Maria João Brito de Sousa      

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XXIII

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  CANTO INTEMPORAL DE UMA SEREIA NUMA PRAIA DO NOSSO IMAGINÁRIO     Ali era outro o mar, outra a viagem E outra a luz de um tempo imprevisível Que ecoava absurdo, irónico, irascível E esmagava o  real, como uma vagem.     Fora ali que eu deixara uma mensagem Pr` alguém que, mais atento ou mais sensível, Descobrisse o que fiz quando, invisível, Me derramara inteira sobre a margem.     Pedi, naquela carta, um pouco ainda, Do vosso imaginário colectivo, Quanto se expressa em criatividade     Nas voltas de um futuro que não finda Em que, pr`a estar convosco, sobrevivo Incólume a tão dura austeridade…         Maria João Brito de Sousa – 27.11.2010 – 20.26h       MEUS LONGOS, LONGOS DIAS DE MENINA...     De vez em quando, o mar, o vento, a areia, Vêm, num rodopio, lembrar-me os dias Em que encontrava, sempre, uma sereia Em cada espelho de água em que me via     Eram dias de sol, de maré cheia, De um tempo de crescer que eu percorria E que neste momento tenho ideia Me davam muito mais do que...

CUMPRO-ME! - sonetilho

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  Cumpro-me em todas as cores De um especto lunar difuso Fazendo surgir valores De mil coisas que nem uso,     Cumpro-me em todas as flores! Se isto vos parece abuso, Juro perder-me de amores Pelos amor`s que recuso...     Cumpro-me quando acredito E também quando duvido De ser palpável, real…     Cumpro-me até quando admito Já não ser quem tenho sido… Cumpro-me sempre, afinal!           Maria João Brito de Sousa 26.11.2919 - 12.06h

UMA OUTRA CASA, TAMBÉM PORTUGUESA II

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  Encontro as rimas dispersas No lençol feito de linho, Que foi bordado a conversas Sobre esta cama de pinho     E nas horas mais adversas, Abraço o lençol limpinho - que lavo todas as terças – Para sentir-lhe o cheirinho…     Se a minha casa não for Uma casa portuguesa Como a da antiga canção,     Tem, pelo menos, amor E só não tem pão na mesa Porque o traz no coração!           Maria João Brito de Sousa – 24.11.2010 – 21.57h            

AO LADO DE TODOS OS TRABALHADORES PORTUGUESES

BLOG EM GREVE

FADO MUDO - sonetilho

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  O meu fado não tem fado, Nem tem cama onde dormir; Só o escuta quem, calado, O procure e o saiba ouvir… Se, às vezes, soar magoado, Se vos parecer pedir, É, na verdade, culpado De quanto faça sentir… O meu fado é solitário; Se abraçasse uma guitarra, Seria pr`a desmentir-se Dizendo tudo ao contrário, Cortando a última amarra, Pr`a, no fim, poder sumir-se…     Maria João Brito de Sousa     IMAGEM - "O Fado", Paula Rego        

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XXII

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    NAS TUAS MÃOS    Nas tuas mãos eu, ave, te confesso Que esvoaço, sucumbo e, já rendida, Procuro noutras mãos uma guarida Onde a chama que sou não tenha preço. Eu, ave, só te entrego o que não peço; Submeto-me à carícia prometida Nas asas da loucura em mim escondida Que tu nem sonharias e eu não meço. E que outra ave marinha of`receria Tão extrema e profundíssima alegria? Que outra alma se daria em seda pura? As tuas mãos… quem mais se atreveria A desvendar-lhes sede e fantasia Para enchê-las de sonho e de ternura? Maria João Brito de Sousa – Maio 2007         LEITORA COMPULSIVA     Em que ficamos nós? Que hei-de fazer Se o sol quiser nascer enquanto a lua Me instiga a que desvende o que eu puder De um livro que tem vida e geme e sua?     Enquanto esta leitura me quiser, Procurarei razões que esta alma estua E entenderei, no fim, que sou mulher A viajar nos versos de alma nua     À hora em que sol nasce deslumbrado, Entendo finalmente que é escusado Tentar chegar ao...

DEDUÇÕES E MAIS DEDUÇÕES!

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  Deduções, deduções e deduções… Se tantas deduções me são pedidas, Em vez de formular opiniões, Prefiro não brincar às escondidas! Pergunto-me; - Porque é que as emoções Se tornam, tantas vezes, desmedidas, Mais fortes do que as outras sensações Das mil e uma coisas pressentidas? Não me sei responder mas, se soubesse, Talvez uma resposta desdissesse O estranho desconforto que me invade… Cansada de pensar, já não deduzo! Remeto-me ao silêncio e até recuso Aceitar descobrir toda a verdade…     Maria João Brito de Sousa – 18.11.2010 – 23.32h

CATA-VENTO

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  É tão paradoxal, o que me leva À estranha gestação dos meus poemas Que eu nunca sei se deva, ou se não deva Buscar, no cata-vento, alheios temas… Se assim, não procurando luz ou treva, Recebendo, do mundo, tão apenas, O sopro deste vento que me leva, Sem premeditações e outros problemas, Sem ter leme visível, sem que a vela Se enfune em direcções que eu planeei, Absorvendo somente o que encontrar, O poema docilmente se revela, Porquê forçá-lo, então? Não escreverei Palavras que outro alguém tente instigar!         Maria João Brito de Sousa – 17.11.2010 – 18.46h

DESPOJAMENTO E DISPERSÕES

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  Quanto o luar me oferece, em dividendos, Tanto eu irei cantar, durante o dia! Desconstruída, eu lanço mil remendos Sobre os rasgões de mim que antes não via… Renasço em cada flor dos aloendros Reassumindo, enquanto alegoria, Os despojos da carne dos meus membros No dealbar de cada melodia… É por vezes subtil, esta diferença Entre o rebelde e a sua submissão À estranha metafísica da vida Mas, quem pode dizer que isto é doença? Pr`a mim é mais um passo, outra incursão Numa aparência apenas pressentida…       Maria João Brito de Sousa

MORDER O ANZOL - sonetilho

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  Mordo todos os anzóis! Em todos, não falho um só! Se fico presa depois? Pode ser, se tiver “dó”… Venha mais um! Venham dois Prender-me sob uma mó! Caio em todos! [os heróis mordem, por vezes, o pó…] Tocam-me num “ponto fraco” E dá-se a estranha alquimia Da minha condenação, Outras vezes, qual macaco, Mantenho a cabeça fria E… não cedo à comoção!       Maria João – 12.11.2010 – 19.39h       NOTA - O soneto de ontem à tarde, por qualquer falha técnica que não consigo identificar, não está na pen. Recorri a este sonetilho que já tem quatro dias e que ainda não tinha sido publicado.

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XXI

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      FORÇA *   Vem-nos, a força, duma alma crestada Por átomos solares, ocasionais, E, às vezes, conseguimos fazer mais Quando julgámos não poder mais nada… *   Vem impossível, mais do que adiada - à luz das consciências mais normais - Reencher-nos de sonho o velho cais Da barca eternamente naufragada *     Virá de onde diríamos não vir A mais remota sombra de um auxílio; Improvável, absurda e, no entanto, *   Vem como se quisesse destruir As fronteiras reais do nosso exílio Pra vir morar connosco em qualquer canto. *   Maria João Brito de Sousa – 13.11.2010 – 13.42h       DO LADO DE CÁ *   Deste lado, o de cá, está tudo instável! Se eu abrandar, fazendo o que puder, Talvez me sinta bem, mais confortável, Mais pronta pr`a criar e pr`a escrever…     Do outro lado, a dor insuportável Que nem sequer me deixará escolher Se lhe mostrar fraqueza incontestável Ou der quaisquer sinais de me render… *   Do meu “lado de cá” – alguns não são Tão esdrúxulos quanto o é este daqui… - Há sempre algo...

TER, NÃO TENDO

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  Atribuo o que tenho ao que não tenho… Se tudo tem um preço, este é o meu! Por mais que vos pareça injusto ou estranho, Aceitei-o da mão que mo estendeu… É, portanto, das letras que desenho E que estendo pr`a vós, qual Prometeu, Que retiro o Maná que agora obtenho [quem não colhe da Terra, ordenha o Céu…] Se, às vezes, sinto a falta de um conforto, Se a alma se me esgota na labuta, Se o provento não dá pr`a sustentar-me, Tenho a compensação do tronco morto Renascendo da cinza; a eterna fruta Com que haverei, depois, de consolar-me…   Maria João Brito de Sousa

DOIS SONETOS - por ser S. Martinho :)

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  MARTINHO E O PEDINTE     -“ Meia capa pr`a mim, meia pr`a ti!” Disse Martinho entregando a metade Da capa que o cobria e, logo ali, Se rasga o céu céu azul, em claridade… Martinho deu do que era para si Nesse gesto de amor e caridade E o pobre respondeu: - “Agradeci Entregando-te o dom da santidade…” Olhando o céu azul, disse Martinho: -“ Festejemos então, bebendo o vinho Das uvas que se estendem nos vinhedos!” E respondeu o pobre: - “O meu caminho É o mesmo que o teu. Não vais sozinho E o tempo não terá, pr`a ti, segredos!”   Maria João Brito de Sousa – S. Martinho, 2010       A VELHA NAU       Neste fundo de mar me afogo e cedo A alma à velha nau que me navega E, tendo revelado o meu segredo, Recebo o novo dom que ela me entrega Fascinada por ele, só nele me enredo E, venha o que vier, nem a refrega Me faz voltar atrás, cedendo ao medo Do ciclo da permuta e da trasfega… Por mais mar que esta minha nau percorra [pouco me importa que ela afunde e morra; há sempre um mar que vol...

SE EU PUDESSE...

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  Se pudesse mudar-me, eu mudaria Esta parte de mim, feita de lodo, Para remar em frente, com denodo, Na contra-foz da minha teimosia… Se eu pudesse, depois, renasceria [hei-de morrer no fim, de qualquer modo…] Sublime, na alegria com que apodo A mesmíssima luz que então veria… Seria tarde ou cedo? E saberia Em que terra, em que mar despertaria? Talvez seja melhor nunca saber! [o lodo que eu julguei que me cobria era apenas o sal da fantasia que me trouxe a vontade de o fazer…]   Maria João Brito de Sousa – 09.11.2010 - 18.47h

O MOSQUITO NA MESA DO CAFÉ II [sonetilho]

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  Inda se fosse um leão, Uma cobra, um elefante... Mas um "monstro" esvoaçante Com perna longa e ferrão?!   Assustada, exclamo:- Não! E, em menos de um instante, Salto da mesa. Ofegante, Dispara-me o coração,   Quase quer fugir do peito! Não sei bem se isto é defeito Ou se, afinal, é feitio   Mas, quando avisto um mosquito, Podem crer que eu salto, grito E anda tudo em corrupio!       Maria João Brito de Sousa

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XXI

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  O CHAMAMENTO     Por vezes tenho dúvidas. Não sei Como chamar por Ti. Que nome tens? Mas sei que, quando chamo, sempre vens No mesmíssimo instante em que chamei     E se, enquanto chamava, exagerei Pedindo-te mais graças do que bens, Dando-me exactamente o que conténs, Dar-me-ás muito mais que o que almejei…     Se, assim, sem dar-te um nome redutor, Tu me dás tanta graça e tanto amor Que, por mais que agradeça, nunca chega,     Eu ser-te-ei leal, mas sem te impor Um nome sem valor – seja qual for! – Porquanto não tem nome a nossa entrega…     Maria João Brito de Sousa – 06.11.2010 – 14.26h     A CONDENAÇÃO DOS MARES       Eu gosto tanto dos cabelos soltos Das árvores, cumprindo os rituais Do vento que os abana e traz revoltos Como se fossem estranhos animais...     São livres como eu! Como eu são loucos, Porque fazem de simples matagais, Oceanos, selvagens como poucos, Sob indómitas vagas vegetais     E gosto tanto de abraçar-me às rochas Vivíssimas nos troncos que se estendem Banha...

UNS TANTOS DE NÓS...

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  Muito além das conquistas ou dos medos, E dos bens que, pr`a ter, há que comprar, Das mentiras, verdades e segredos Que cada um irá, ou não, calar; Muito além das sereias nos rochedos [que inventámos tão só para enganar as fragatas que lançam seus torpedos quando nenhum de nós quer disparar…] Apesar das mil coisas que nos prendem À nossa condição de seres humanos E que no dia-a-dia nos constroem, Há uns tantos de nós que compreendem Que iremos muito além desses enganos Das “coisinhas” banais que mais nos doem…     Maria João Brito de Sousa

SONETILHO COM PREOCUPAÇÕES MATERIAIS [mas não demasiadas...]

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  Peço ao poema que escrevo Que venha dar-me talento Pr`a gerar o alimento E pr`a pagar o que devo Mas, já presa de outro enlevo, Depressa o esqueço e lamento Ter esquecido o meu sustento E a pedi-lo… nem me atrevo! Estou, decerto, prisioneira De um qualquer estranho feitiço Que condena e… abençoa Pois, viver de outra maneira… Nem um tostão dou por isso! [pobre, sim, mas nunca à toa!]   Maria João Brito de Sousa  

MISSÃO IMPOSSÍVEL

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  Imagem descaradamente roubada da net in www.osvigaristas.com.br     Pode ser muito mais do que terrível Ou mesmo assustador e até penoso Tentar esta missão quase impossível De cumprir um dever imperioso… Nada do que aqui escrevo é exequível Com o preenchimento rigoroso Deste modelo online incoercível, Que cada vez parece mais custoso! Mas eu hei-de tentar até ao fim! Na fronteira limite do tal prazo Pode ser que consiga perceber O que é que eu fiz de errado ou se é por mim Que isto me vai sair com tanto atraso… [e agora… o que me irá acontecer?]   Maria João Brito de Sousa – 02.11.2010 – 20.35h       NOTA - Este soneto jocoso já não faz muito sentido pois acabei por conseguir preencher toda a documentação. Publico-o apenas porque era assim mesmo que eu estava ontem...