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A mostrar mensagens de setembro, 2015

LIBERDADE - Bocage e eu - AVL

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    LIBERDADE Liberdade, onde estás? Quem te demora? Quem faz que o teu influxo em nós não caia? Porque (triste de mim!) porque não raia Já na esfera de Lísia a tua aurora?   Da santa redenção é vinda a hora A esta parte do mundo que desmaia. Oh! Venha... Oh! Venha, e trêmulo descaia Despotismo feroz, que nos devora! Eia! Acode ao mortal, que, frio e mudo, Oculta o pátrio amor, torce a vontade, E em fingir, por temor, empenha estudo. Movam nossos grilhões tua piedade; Nosso númen tu és, e glória, e tudo, Mãe do gênio e prazer, ó Liberdade! Manuel Maria Barbosa du Bocage LIBERDADE II "Liberdade, onde estás? Quem te demora?" Quem te prende e te afrouxa, dominada, Quando nua nasceste e desnudada Te ergueste em toda a fauna, em toda a flora? "Da santa redenção, é vinda a hora" Pois basta de evocar-te e não ter nada, E ver-te assim, rendida, envergonhada, Ou morta, assassinada... igual nos fora! "Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo," Cedendo à frustração, per...

A CEIA DO POETA

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(Soneto em decassílabo heróico)   O verso ardendo ao lume, a mesa posta, a toalha das rimas bem estendida e um prato de silêncios, sem lagosta, aguardando, expectante, essa comida   Que o nutre, que o sustenta, de que gosta e que está quase pronta a ser servida pela mão do poeta, numa aposta em resistir, fintando as leis da vida...   Apaga o lume e serve-se à vontade de imagens, de palavras, de conceitos expurgados da excessiva quantidade   Dos "ais", dos gongorismos, dos trejeitos em que, alguns, julgam estar a qualidade, e a qualidade sempre achou defeitos...     Maria João Brito de Sousa - 08.09.2015 - 16.47h   Imagem - "A Refeição Frugal" - Pablo Picasso (água forte)

"ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE"

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  "Erros meus, má fortuna, amor ardente"... de erros que me sobrassem, naturais, fui trocando - de menos, ou demais? - as quadras por sonetos... dei semente! "Tudo passei, mas tenho tão presente" um ror dos pecadilhos mais venais, dos comuns, cometidos por mortais que à perfeição aspirem, tão somente... "Errei todo o discurso de meus anos", talvez num verso, ou noutro... é natural porque apenas humana e nunca um deus! "De amor não vi senão breves enganos", mas como posso, a Amor, levar a mal, se, o próprio, erros comete, iguais aos meus? Maria João Brito de Sousa - 08.09.2015 - 11.47h   NOTA - Soneto escrito na sequência da publicação do soneto de Camões com o mesmo título, glosado por Helena Fragoso.