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O BANDO

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O BANDO * Às negras asas, deixou-as pender, Nem mesmo a queda agora a apoquentava; Sabia que este vôo era a perder, Pra quê lutar se desistir bastava? *   No princípio teimara em não descer, Mas entendeu que o fim se aproximava, Que as asas se negavam a bater E que a queda final pouco tardava. *   Agora que sabia não poder Escapar ao negro abismo que a chamava, De que lhe valeria o verbo querer *   Ou a férrea vontade que gabava? Cerrou os olhos para não mais ver O bando que a voar continuava. *   Maria João Brito de Sousa - 27.09.2020 - 10.45h   À Clara, minha irmã.  

SILÊNCIO!

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SILÊNCIO! * Silêncio, que um poema vai ser escrito Ainda que a palavra esteja gasta, Esvaziada, esmagada como pasta, Sangue pisado de um verbo proscrito, * Mescla magoada que em versos debito, Mosto de um vinho sem nome nem casta... Calai-vos por favor, que isto me basta E em nome deste nada me credito, * Pois se de alma dorida, atormentada, Peço silêncio em troca deste nada, Ouvi-me, que este nada é quanto tenho... * Silêncio, que a palavra, amargurada, Só em silêncio pode ser gestada; Dela renasço e nela me despenho! *   Maria João Brito de Sousa - 18.09.2020 - 11.25h