O BANDO
O BANDO * Às negras asas, deixou-as pender, Nem mesmo a queda agora a apoquentava; Sabia que este vôo era a perder, Pra quê lutar se desistir bastava? * No princípio teimara em não descer, Mas entendeu que o fim se aproximava, Que as asas se negavam a bater E que a queda final pouco tardava. * Agora que sabia não poder Escapar ao negro abismo que a chamava, De que lhe valeria o verbo querer * Ou a férrea vontade que gabava? Cerrou os olhos para não mais ver O bando que a voar continuava. * Maria João Brito de Sousa - 27.09.2020 - 10.45h À Clara, minha irmã.