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AMAR-TE, POESIA - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

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Litografia de Manuel Ribeiro de Pavia in LIVRO DE BORDO de António de Sousa *   COROA DE SONETOS * AMAR-TE, POESIA * Amar-te em cada ano em dia certo E ter que estar à espera todo o ano Dizer uma só vez: eu não te engano Apenas venho aqui hoje liberto * Eu ando no trabalho aqui por perto Mas meu patrão é velho e tão insano Que só me deixa vir, por inumano, Um dia sem saber ao quê decerto * Pois, se soubesse, amor, que eu aqui vinha Não me deixava vir. Se ele adivinha Ou se alguém lhe contar que nesse dia * Venho comemorar e dar-te um beijo Proíbe-me de vir, não mais te vejo Mesmo uma vez por ano, poesia! * Custódio Montes 22.3.2024 (e só no dia seguinte….) *** "Mesmo uma vez por ano, poesia", Que pra ti corra e enlace fascinada Sabe-me sempre a pouco, ou quase nada, Quanto em ti por segundos me extasia * Pudera eu ter mais tempo e ficaria A ver-te espanto a espanto acrescentada Até adormecer sobre a almofada Onde, por fim, Morfeu te renderia * É atrasada que te rendo preito.....

MEUS CAMINHOS - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

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Imagem Pinterest * MEUS CAMINHOS * Coroa de Sonetos * Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa * 1. * Um túnel, uma estrada, um caminho Que vão dar ao destino que me apraz Outrora fui menino, fui rapaz Andava noutras sendas de adivinho * Agora vou direito sem espinho Em frente sem voltar de novo atrás Outrora ia aonde era capaz Sem medo pelos montes e sozinho * Na busca dos meus sonhos à deriva Bem cheia a alma que era criativa Sem raias no amor, na inspiração * Agora meus caminhos espaçados São largos para mim mas apertados Nas sendas que percorre o coração * Custódio Montes (Sonetos) * 2. * "Nas sendas que percorre o coração" Quando a maturidade o auge atinge Não ficamos parados como a esfinge, Mas não corremos por qualquer razão * E serenamos em compensação Porque evitamos tudo o que restringe O verso manso que em chegando cinge Nossa cintura, como se uma mão... * Devagar vamos, mas debalde não, Que cada passo dado em comunhão Com algum companheiro de poemas * Nunca poderá...

OUÇO - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

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OUÇO * Coroa de Sonetos * Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa * 1. * Ouço música, leio, canto o fado Descubro entre os amigos a amizade Trabalho com prazer e com vontade E ando sempre assim maravilhado * No canto, por guitarra acompanhado, Sigo o ritmo, o som, a agilidade Dos dedos que a trinam com saudade De lembranças chegadas do passado : *   Coimbra e o choupal e as noitadas O prazer de cantar às namoradas E ter à nossa volta muita gente *   E gosto de escrever, ler e ouvir Histórias que se contam e a seguir Transformo-as em poemas diligente. * Custódio Montes 01.02.2024 *** 2. * "Transformo-as em poemas, diligente" E transmutada em musa ou em tricana Passo eu a ser o som que dele emana, Por momentos, esqueço que sou gente... * Levou-me, este soneto, a antigamente, Aos tempos de uma infância soberana Da qual conservo o sonho, a garra, a gana E a força da vontade de ir em frente... * Ouço hoje ainda os fados que o Menano E o Bettencourt compunham mano a mano Sobre os ...