DE NOVO; FLORBELA E EU...
MARIA DAS QUIMERAS Maria das Quimeras me chamou Alguém... pelos castelos que eu ergui, Plas flores de oiro e azul que a sol teci Numa tela de sonho que estalou... Maria das Quimeras me ficou; Com elas na minha alma adormeci, Mas quando despertei, nem uma vi, Que da minh`alma Alguém tudo levou! Maria das Quimeras, que fim deste Às flores de oiro e azul que a sol bordaste, Aos sonhos tresloucados, que fizeste? Pelo mundo, na vida, o que é que esperas? Aonde estão os sonhos que sonhaste, Maria das Quimeras, sem quimeras? Florbela Espanca In "Livro de Soror Saudade" MARIA SEM CAMISA Maria sem Camisa, chamo-me eu, Usando de ironia - ou talvez não... - E espelhando, no nome, a condição Do pouco, ou quase nada, que há de meu... Desse ´baptismo` insólito nasceu - não saberei dizer por que razão... -, Da vossa parte, alguma confusão, Da minha, a força hercúlea que me ergueu, Pois, sem camisa, embora enregelada, Sobrevivo há ´milénios`, produzindo, E de oiro...