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A mostrar mensagens de outubro, 2016

DE NOVO; FLORBELA E EU...

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  MARIA DAS QUIMERAS     Maria das Quimeras me chamou Alguém... pelos castelos que eu ergui, Plas flores de oiro e azul que a sol teci Numa tela de sonho que estalou...   Maria das Quimeras me ficou; Com elas na minha alma adormeci, Mas quando despertei, nem uma vi, Que da minh`alma Alguém tudo levou!   Maria das Quimeras, que fim deste Às flores de oiro e azul que a sol bordaste, Aos sonhos tresloucados, que fizeste?   Pelo mundo, na vida, o que é que esperas? Aonde estão os sonhos que sonhaste, Maria das Quimeras, sem quimeras?     Florbela Espanca In "Livro de Soror Saudade"     MARIA SEM CAMISA     Maria sem Camisa, chamo-me eu, Usando de ironia - ou talvez não... - E espelhando, no nome, a condição Do pouco, ou quase nada, que há de meu...   Desse ´baptismo` insólito nasceu - não saberei dizer por que razão... -, Da vossa parte, alguma confusão, Da minha, a força hercúlea que me ergueu,   Pois, sem camisa, embora enregelada, Sobrevivo há ´milénios`, produzindo, E de oiro...

GLOSANDO CESÁRIO VERDE

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  HEROÍSMOS *   Eu temo muito o mar, o mar enorme,  Solene, enraivecido, turbulento,  Erguido em vagalhões, rugindo ao vento;  O mar sublime, o mar que nunca dorme.  * Eu temo o largo mar, rebelde, informe,  De vítimas famélico, sedento,  E creio ouvir em cada seu lamento  Os ruídos dum túmulo disforme. *  Contudo, num barquinho transparente,  No seu dorso feroz vou blasonar,  Tufada a vela e n'água quase assente, *  E ouvindo muito ao perto o seu bramar,  Eu rindo, sem cuidados, simplesmente,  Escarro, com desdém, no grande mar! *  Cesário Verde, in 'O Livro de Cesário Verde'  ***   DIALECTOS MARINHOS *   "Eu temo muito o mar, o mar enorme" Que afunda sob as ondas encrespadas Meus versos feitos de ilhas encantadas Por muito que os (re)crie e (re)transforme... *   "Eu temo o largo mar, rebelde, informe", Mas, de tanto senti-lo e já cansadas De olhá-lo e de temê-lo, amarguradas, Gemem-me as rimas num verso disforme ... *   "Contudo, num barquinho tra...

BALADA PARA UM VELHO CEDRO

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  BALADA PARA UM VELHO CEDRO   Eu sonho um cedro que me embale o sono; Subitamente o sonho -imenso, austero... - Ver, da janela de onde sempre o espero, Rasgando o solo e, como eu sou, sem dono... Um cedro que adoçasse este abandono, Que não vergasse, sólido, sincero, Que me escutasse sempre que me esmero Em descrevê-lo, enquanto assim ficciono... Somo silêncios sobre o velho cedro, Mas se me sobra sonho, o cedro vem, Subindo sempre, se o sonhei sem medo, E, deste sonho, surgem-me outros cem, Como se eu própria ousasse ser segredo Da sementeira que lhes fez de mãe... Maria João Brito de Sousa - 27.10.2016 - 16.19h  

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XV

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ENTARDECER   Despeço-me do sol que se anoitece Quando lá muito ao longe desce fogo E perfilo-me firme como em prece Analisando as regras do seu jogo Na calma da penumbra calo e afogo Os suspiros e ais que a vida tece Para deixar que a noite no seu rogo Se enlace no meu corpo que arrefece Do fogo do horizonte inspirei luz Que na noite me aquece e me conduz Por imagens e sonhos em bailados Deixo-me adormecer em tal quimera Do fogo que já foi nasce uma esfera De intensa e branca luz com rendilhados MEA 14/10/2016   "CHIAROSCURO"   "Despeço-me do sol que se anoitece" Sempre em serenidade, como um rogo, Vendo como se esconde e desvanece Na linha de horizonte, aceso em fogo...   "Na calma da penumbra calo e afogo" Esse eco que, de dia, me abastece... Faz-se silêncio, enfim, que ao fim do jogo Tão só se espera que outro recomece...   "Do fogo do horizonte inspirei luz" E, para o compensar, dela repus Quanto de luminoso havia em mim...   "Deixo-me a...

"AQUECIMENTO CENTRAL"

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Ao(s) Poema(s)   (Soneto em decassílabo heróico)   Se, amargo, me enregela o corpo inteiro O Frio que se aproxima, passo a passo, Recorro à Poesia, a que me abraço, Esquecendo o que é viver sem ter dinheiro...   Adianta-se-me o frio, vem sorrateiro Instalar-se por dentro do meu espaço, Tentando vir deitar-se em meu regaço, Julgando ser - quem sabe? - "o meu primeiro",   Mas eu, que lhe conheço as veleidades, Não lhe encontrando chama em que me aqueça, Rejeito-lhe estas vis intimidades;   Não mais há-de haver frio que aqui me impeça De ir-te aquecendo, ó gelo que me invades, Assim que o meu Poema recomeça!     Maria João Brito de Sousa - 24.10.2016 - 15.35h

GLOSANDO O POETA MATOS SERRA

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    ANSEIOS DE LIBERDADE (II)     Quem me dera ser livre como o vento que circula p’las faldas da montanha… subir, pela razão, ao firmamento. E que a minha visão fosse tamanha… que pudesse dotar-me o pensamento da força e da vontade que acompanha, que permite, sustenta e dá alento como a um bom soldado na campanha!... Que o ser humano é livre p’lo saber, p’lo querer, pela razão, pela vontade e p’la capacidade em descernir… É pela consonância do meu ser com os livres caminhos da verdade que, eu, livre… traço o plano ao meu agir. Matos Serra SER LIVRE "Quem me dera ser livre como o vento" Que sopra por soprar, não recuando, E apenas suave sopro e lento, lento, Me roçasse ao de leve, de tão brando "Que pudesse dotar-me o pensamento" De sopro tal que, nunca me domando, Engenho me insuflasse e mais talento Ao pouco que em talento vos vou dando...   "Que o ser humano é livre pl`o saber", Se no saber confia e, não vergando, O expressa na palavra e nas acções...  ...

GLOSANDO A POETISA MARIA DULCE SALDANHA

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  CHUVA São quatro da manhã, a chuva cai, o vento a fustiga na vidraça, a saudade de ti, fica, não vai, e a recordação, essa não passa!   Lembro tantas noites, aqui deitados, a chuva tinha um sabor especial, sem sono ,estando até bem acordados ouvindo a melodia no beiral   Já não sinto a beleza da canção da cadência da chuva, que sentia, deixa-me só tristeza e solidão   e, hoje sem a tua companhia apenas só encontro escuridão, no teu lugar, a cama está tão fria!     Dulce Saldanha BEMÓIS & SUSTENIDOS "São quatro da manhã, a chuva cai(,)" Na velha cobertura da marquise, Embalando-me o sono em que se esvai, Na suave melodia, a dor da crise... "Lembro tantas noites, aqui deitados," Eu e meu velho gato, adormecidos Ao som da chuva que, sobre os telhados, Orquestrava bemóis e sustenidos*... "Já não sinto a beleza da canção" Quando pouco me aquece a cama fria, Por muito que me cubra o edredão, "E hoje, sem a tua companhia", Meu velho gato, tenho a ...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA GRAÇA MELO

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  PRESÉPIOS E CASCATAS “Para fingir presépios e cascatas” Desenho, com a linha do horizonte A pauta, para novas serenatas Com sons, de oliveiras pelo monte. Entro em meditação, de verde espera Isolo-me, a olhar o interior Até desabrochar nova quimera Na corola inda fechada duma flor. Abrindo os olhos, para a realidade Arrumo o passado em lugar seguro Para que, o sol poente da saudade Não se meta, no sonho, do futuro. Maria Melo (em COM MOTE CERTO) VERDE(S) & CINZENTO(S) "Para fingir presépios e cascatas", Dou rédea solta ao velho imaginário Transformo arranha-céus em mil cubatas, Espelho, na realidade, outro cenário... "Entro em meditação de verde espera", Pois sempre torna o Verde à terra-mãe Cobrindo com seu manto imenso a esfera De onde a razão de o ser sempre lhe vem... "Abrindo os olhos para a realidade", Vejo o Verde a sumir-se entre os cinzentos Tom sobre tom, crescentes da cidade. "Não se meta, no sonho do futuro" Tanta monocromia que...

GLOSANDO O POETA VÍTOR CASTANHEIRA

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  "Quanto mais perto estou do dia extremo Que o sofrimento humano torna breve, Mais vejo o tempo andar veloz e leve E o que dele esperar falaz e menos." PETRARCA Quanto mais perto estou do dia extremo Sei que esse dia vai mesmo chegar Sei também que não mais irei voltar E só pensando nisso sinto o demo   Que o sofrimento humano torna breve E ninguém pode o mesmo controlar Seu código ao ser lido vai ficar Engrossado de um jeito como a neve   Mais vejo o tempo andar veloz e leve Sempre em trilhos da vida sem ter jeito Quanto mais que se esforça e se transcreve   E o que dele esperar falaz e menos Não há método nem mesmo preceito A mais nos nossos dias tão pequenos.     ARIEH  NATSAC QUANTO MAIS PERTO... "Quanto mais perto estou do dia extremo", Mais eu me prendo à pena que o descreve, Mais dela espero o vôo que me eleve, Mais me esqueço da morte que não temo, "Que o sofrimento humano torna breve", Por ser fugaz e breve o sopro ameno Da nossa curta vida, e be...

ANACRONISMO(S)

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(a um bairro que deixou de se rever no seu próprio nome...) Chama-se ainda Bairro das Palmeiras O espaço onde eu as vi, de pequeninas, Medrarem frescas, jovens, altaneiras, Emulando um grupinho de meninas. Uma só sobrevive às mil rasteiras Da cupidez das larvas assassinas, Mas até nessa as palmas sobranceiras Sucumbem já - escavados como minas os troncos dantes fortes quais pilares - As promissoras palmas dos palmares, Tombando, também elas, já sem vida E nem a "minha" velha resistente Que ousou reverdecer estando doente, Ousa o que quer que seja, assim despida.   Maria João Brito de Sousa - 07.10.2016 - 12.14h   Imagem retirada do Google    

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE VI

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  DE VENTO.....A BRISA   Fui vento, nesse dia do passado E para te alcançar soprei um beijo Em aroma de lima. Perfumado Com a verde esperança do desejo   E esse vento que fui , te fez legado E em sopros fez de ti, águas do Tejo Que correram pra mim , por todo o lado Dos meus campos de amor, fizeram brejo   Fui vento de frescura no Verão  No teu mar bebi, águas de paixão  E amanheci submersa de certezas   No Outono que já sou, sou subtil brisa Que entardece serena, sem divisa Em douradas espigas de incertezas     Maria da Encarnaçao Alexandre     13/09/2016       NEM SEMPRE BRISA, NEM SEMPRE TEMPORAL...   "Fui vento, nesse dia do passado" Em que esqueci pretérito e futuros, Ficando, o fruto em mim, condicionado Ao espaço conquistado entre os teus muros "E esse vento que fui, te fez legado" De um beijo que recordo entre os mais puros De quanto beijo tenha sido dado Entre dois jovens frágeis, inseguros... "Fui vento de frescura no Verão", Mas... fazendo cedên...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE V

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Inspiração   "Um dia de chuva é tao belo como um dia de sol. Ambos existem, cada um é como é. "   Fernando Pessoa   BELEZA QUE VEM DA CHUVA     Veio a chuva, espiar a noite escura  Com a luz cintilante das estrelas Compôs uma ritmada partitura  Junto aos vidros fechados das janelas   Na manhã, desenhada de aguarelas  Surge um raio de sol que se mistura  No solfejo das notas, e faz velas, Arqueadas, às cores, com brandura   Há no cheiro da terra já molhada Sons, que nela tombaram, em balada Quando a chuva , a cantou em serenata    Há restos, espalhados plas colinas  Das gotas,  que se julgam bailarinas  Refulgindo no sol, os tons da prata     Maria da Encarnaçao Alexandre  13/09/2016   Primeiro Chamamento -     "Veio a chuva, espiar a noite escura" Compondo no telhado da marquise Tão suave sinfonia que eu, sem cura, A escando nota a nota e sem deslize..." MJBS SEGUNDO CHAMAMENTO "Veio a chuva, espiar a noite escura", Porque há na escuridão coisas tão b...

ABRAÇO(S)

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  SEGUINDO O TEMA "ABRAÇO", DOS POETAS DILMA FRANÇA, ALBERTINO GALVÃO E MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE Meu louco abraço é bem mais lato agora, Porquanto em simples versos se vai dando, E quando mais te enlaça, é bem na hora Em que de ti se solta e vai rodando Pr`a de novo abraçar quem se demora Sobre o seu estro, quase o conquistando; Talvez nem seja abraço, pois não chora, Mas, quando parte, sei que vai ficando... Se dado de surpresa, às vezes cora, Receia ser abrupto, pouco brando, Ou mesmo irreverente se em ti escora Seus alicerces de aço e vai firmando Construção clandestina... então deplora, Sem estar autorizado, ir-te abraçando. Maria João Brito de Sousa - 13.09.2016 - 13.03h