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A mostrar mensagens de maio, 2017

GLOSANDO HELENA FRAGOSO III

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  PERDI-ME     Perdi-me nos abraços da saudade Nos passos que me esquecem no caminho Na escuridão que ensombra de verdade O que restou do lar que era meu ninho...   Perdi-me nesta noite de ansiedade Neste tempo desfeito, tão sozinho... Sentindo a cada passo a realidade Deste meu mundo triste...que adivinho.   Mas tento inda encontrar essa vontade De vencer a tristeza que me invade E luto no final do meu caminho...   Perdi-me nos abraços da saudade Nesta triste e cruel realidade Sentindo que por vezes já definho...   Helena Fragoso     ULTRAPASSAGEM   “Perdi-me nos abraços da saudade”, Mas mesmo que a saudade me faltasse, Ter-me-ia bastado a liberdade Pedir-me que fosse eu quem a abraçasse…   “Perdi-me nesta noite de ansiedade” E embora em minha cama pernoitasse, Sonhei ser uma escrava que se evade Das masmorras de fel que outrem criasse…   “Mas tento inda encontrar essa vontade”; Onde hoje encontro só contrariedade, Enfrento, dia e noite, o mesmo impasse…   “Perdi-me nos abraços da sau...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XLIV

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  QUANDO A NOITE CHEGA   Serenamente a noite chega e traz Um bailado com fitas de luar Num brando musical que se perfaz Nos sonhos que se formam num olhar   Se uma sombra dançante, satisfaz  Fantasias que crescem no lugar Onde o som do silêncio é capaz De num abraço quente vir beijar   Os lábios que trauteiam as canções Ao ritmo do bater dos corações Quando sonho visita o pensamento   E junto com as estrelas e o luar Há um conjugar perfeito um embalar Que leva a viajar plo firmamento      MEA 9/05/2017     FINITUDES   “Serenamente a noite chega e traz” Um pouco de descanso ao torturado Corpo que já não busca senão paz, Quando da própria paz se vê privado.   “Se uma sombra dançante o satisfaz” E devaneia um tanto alucinado, Será só porque a dor não foi capaz De lhe apagar um sonho antes sonhado.   “Os lábios que trauteiam as canções”, Cerram-se agora em estranhas contorções, Que a dor que quer esquecer não foi vencida   “E junto com as estrelas e o luar”, Está a dor, sempre pronta pr`a ...

DO FUNDO DE MIM

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  Mais fundo, neste poço tão sem fundo, Mergulho a cada dia em que não vivo E sinto-me, no fundo, um ser cativo Que vai dizendo adeus à vida, ao mundo.   Perdida da palavra – e nela abundo… -, De quanta poesia hoje me privo, Resta-me este mal estranho, consumptivo, Voraz, perverso, vil, nauseabundo…   E sonhei eu escrever até ao fim, Quando, afinal, a morte chega assim, Pé-ante-pé, esmagando a pouco e pouco   Os frutos que medravam no jardim Que andava a cultivar dentro de mim, Em vez de, abrupta, desferir-me um soco.     Maria João Brito de Sousa – 17.05.2017 – 11.57h   Imagem - Tela de Oscar F. Bluemner

A ESTRANHA, EM VEZ DE MIM

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Das pontas dos meus dedos já não brotam Palavras como as que antes me brotavam, Mas os meus pobres dedos já nem notam Que a palavra era o chão que antes lavravam…   Cansados e doridos me derrotam Diante das vitórias que almejavam E assim me roubam tudo e me amarrotam, Embora nem sonhando o que estragavam…   Definho nesta extrema dependência, Eu que sonhei ser livre até ao fim Dos dias de caminho e de existência,   E se esta caminhada acaba assim, Que acabe duma vez! Não há paciência Pr`á estranha que me habita, em vez de mim!     Maria João Brito de Sousa – 10.05.2017 – 13.03h