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A mostrar mensagens de agosto, 2014

TRÊS SONETOS DE TRAZER POR CASA...

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        O ARROZ MALANDRINHO     Cebola, um grão de sal, folhas de louro, Bem douradinhos num pouco de azeite… Deixa a colher de pau de ser enfeite Pr`a tornar-se, no tacho, o meu tesouro!   Depois trago o arroz, limpo e escolhido, E vou-o alourando na mistura (vai começando a ser uma aventura fazer um arrozinho bem estrugido…)   Deito a água a ferver... alguns minutos, São quanto irá bastar ao meu petisco! Depois é só tapar, manter quentinho,   E, assim que doseados, os  produtos -  muito embora correndo um certo risco -, Servir-vos-ei arroz ... bem  malandrinho!     Maria João Brito de Sousa - 2009     AS ERVILHAS COM OVOS     Hoje vou preparar umas ervilhas Guizadas, com dois ovos bem escalfados, Sem deixar de falar dos mil cuidados Que aqui dedico a estas maravilhas;   Sobre aquilo a que chamo um estrugidinho, Deito as ervilhas, logo as vou mexendo Até que cozam bem, sempre fervendo, Ao ponto de ficar tudo tenrinho,   Depois os ovos, sem esquecer tempero, Pr`a que fique o pitéu mais...

ADEUS, MAMÃ!

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ADEUS, MAMÃ! *   Transformo a minha dor em dor nenhuma Se recordo o menino que gerei E as coisas que jamais aceitarei Dissolvem-se no ar feitas em espuma... *  Num vão peculiar do meu sentir, Arrumada a miragem, com carinho, Lá fica o meu menino deitadinho Num berço de memórias, a dormir  * Agora é o poema quem comigo Passeia de mãos dadas, desce à rua, Dorme na minha cama e, de manhã, *   Me vem chamar para brincar consigo... Mas, mal acorde a noite e nasça a lua, É quem me diz num beijo; - Adeus, mamã! * Maria João Brito de Sousa – 2007 (Reformulado)    In, Poeta Porque Deus Quer, Autores Editora, 2008     NOTA – Mais um daqueles sonetos que reformulei com alguma relutância e o mínimo possível, muito embora tivesse, no seu original, uma enorme falha métrica – doze sílabas poéticas no verso final - que teria sido facilmente evitável, não fosse faltar-me a prática que só todos estes anos a trabalhar o soneto clássico me viriam a trazer.