JANGADA
JANGADA * Olhei-te em tempo incerto, à hora errada; Inda o dia tardava a despontar, Já eu te olhava como se esse olhar Pudesse dar-te tudo, sem ter nada. * Olhei-te nesse alvor de madrugada, De manhã, à tardinha e, ao deitar, Já esquecera que havia todo um mar Ao qual eu prometera uma jangada. * Para te olhar, desconstruí-me inteira E esqueci-me do mar, que nem ribeira Cheguei a ser, sem vagas, nem marés... * Nessa jangada nunca mais pensei, Se não quando de olhar-te me cansei E vi que a tinha inteira sob os pés. * Maria João Brito de Sousa – 11.08.2018 – 12.19h