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A mostrar mensagens de dezembro, 2023

SONETO CRIADO A PARTIR DO ÚLTIMO VERSO DO SONETO "NO POEMA" DE CUSTÓDIO MONTES

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Pormenor de Tela de Roberto Ferri, enviada para o meu endereço electrónico por  Pinterest * NO POEMA * No poema as palavras é que mandam Nas vias que percorrem a cantar Às vezes fogem, voam para o mar Correndo pela areia e por lá andam * Como aves voejam e cirandam Baixinho, sobre as ondas, pelo ar Entoam melodias de encantar E nessas belas árias nos demandam * Palavras entoadas, sol poente Teu regaço, maresia envolvente, E os teus olhos amados em redor * Cantigas lá ao longe, melopeia Enredo a surfar como sereia Palavras só palavras só de amor * Custódio Montes (Do seu livro "Em Maio") *** PALAVRAS * "Palavras só palavras só de amor" Mas tantas formas há de amor sublime Que às vezes esse amor em dor se exprime Se o mundo grita e sangra em seu redor * E pode lá haver amor maior Do que o que nos perdoa e nos redime Pois nem uma palavra nos suprime Quando nos rebelamos contra a dor? * Palavras revoltadas que explodindo Fazem por acordar quem está dormindo E dar ouvido...

VIRTUALMENTE ALICE...- Reedição

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Fotografia de Carlos Ricardo *   VIRTUALMENTE ALICE * Há aspas, há arrobas, asteriscos E signos ou sinais que desafiam Os anjos ideados que os recriam E que já me fizeram correr riscos... *   Há coisas de estranheza desmedida Como a "condicional das verticais", Ou outras que parecem ser reais Mas que não são sequer formas de vida... * Há sons que me parecem ser ideias Com/fusas, semi-fusas e colcheias A saltitar na pauta semi-breve *   Da Alice no País-dos-Pesadelos Que trinca, alegremente, os cogumelos E vai mexendo em tudo o que não deve. *   Mª João Brito de Sousa Setembro, 2008 ***

FOME(S) II - Reedição

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Pormenor de mural de Diego Rivera * FOME(S) II * Se tens fome do pão que ao rico sobra, A força da razão está do teu lado Quando acusas traído o resultado De tudo o que é produto de mão de obra * E se, do que criaste, outrem te cobra O fruto inteiro ou o maior bocado E a ti te deixa pobre e esfomeado Certo de que te cala e que te dobra * Mal sabe que te entrega a força toda, Que essa força em ti cresce e se denoda Para acender-se em chama renovada * Porquanto se agiganta, alastra em roda, Incendeia-se toda e mais te açoda Quando do que estuou lhe sobra um nada. * Mª João Brito de Sousa In A CEIA DO POETA Inédito ***

MULHER - Reedição

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"LE MIROIR"

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Tela de Georges Rouault 1871/1958 * "LE MIROIR" * O Tempo pintou-me o cabelo de branco, No meu rosto franco, ravinas cavou E, por onde vou, o meu passo vai manco, Cada solavanco vos diz quem eu sou... * Sentei-me. Bastou uma tábua de banco Que alanca o que alanco pois não se quebrou E tudo mudou ao mirar-me de flanco: Quase tive um tranco, o meu Ego murchou, * Tremeu, gaguejou e... num pulo sumiu, Pisgou-se, fugiu! Para onde, não sei, Mas considerei o pavor que sentiu * Ao ver o que viu quando pra ele olhei... A mim me culpei porque, cheia de frio, Em vez de no rio... num "miroir" me mirei! *   Mª João Brito de Sousa 25.12.2023 - 15.00h ***

O NATAL DAS COISAS QUE AINDA NÃO MUDARAM

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Fotografia de Carlos Ricardo * O NATAL DAS COISAS QUE AINDA NÃO MUDARAM *   Parece-me impensável não escutar O eterno pinheirinho que nos diz Que não é de bom tom não estar feliz Apesar do pesar que nos pesar... * Assim se vai sorrindo pr`agradar, Se come o bolo-rei, se pede bis, E se celebra o dia de um petiz Que veio ao mundo para nos salvar... * Isto, de tão humano, em nós se entranha E, temporariamente, inunda as mentes: Abraçam-se o amigo e a gente estranha * Mas quem está na miséria e mal se amanha, Quem já perdeu o tecto, a cama, os dentes..., Esse inda estende a mão ao que o desdenha. *   Mª João Brito de Sousa 25.12.2023 - 18.00h ***  

PRESÉPIO

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PRESÉPIO *   É por dentro de mim que chego a Deus, É por dentro de mim, eu sei-o bem, Que todos os natais vou pelos céus Visitar o Menino de Belém *   Nunca o disse a ninguém, pois há segredos Que devemos guardar dentro de nós E há sempre quem duvide, ou tenha medo, De uma mulher com asas de albatroz, *   Mas da estranha viagem, que só faço Se a estrela de Belém me dá boleia, Fica o registo do divino traço: *   Nascem raios de luz no meu regaço E há anjos a cantar a noite inteira Ao menino que dorme nos meus braços. *   Maria João Brito de Sousa 2008 ***   Ao meu menino que partiu à nascença. A todas as mães dos meninos palestinianos dedico, neste Natal sangrento de 2023, este último terceto, modificado de forma a reflectir a presente realidade: *   Voam balas e mísseis pelo espaço E oiço mães a chorar a noite inteira Os seus filhos desfeitos em pedaços. *   Mª João Brito de Sousa 24.12.2023 ***

O FILHO DO HOMEM

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      110x85cm    PRESÉPIO *      É por dentro de mim que chego a Deus, É por dentro de mim, eu sei-o bem, Que todos os natais vou pelos céus Visitar o Menino de Belém.     Nunca o disse a ninguém, pois há segredos Que devemos guardar dentro de nós E há sempre quem duvide, ou tenha medo, De uma mulher com asas de albatroz,     Mas da estranha viagem, que só faço Se a estrela de Belém me der boleia, Fica o registo, do divino traço:     Nascem raios de luz no meu regaço E há anjos a cantar a noite inteira Ao menino que dorme nos meus braços.  *     Maria João Brito de Sousa - 20.01.2008    

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO!

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FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO *   Feliz Natal seja para quem for Conquanto haja trabalho e tecto e pão, Que sempre a nossa humana condição Pediu trabalho e pão, pr`além de amor *   E, já agora, que não haja dor No corpo em que nos pulsa o coração, Nem medo que nos tolha, nem nevão Que nos prive de um pouco de calor *   Sejam felizes, que, apesar de tudo, O mundo ainda gira e não está mudo Por muito que confuso ande este povo *   E ainda que de forma desigual Se distribuam pão e capital, Feliz Natal e Próspero Ano Novo! *   Maria João Brito de Sousa ***

UM DIA DESTES

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Fotografia (de minha autoria) da capa do livro que Natália Correia escreveu sobre a vida e a obra do meu avô poeta  * UM DIA DESTES * Um dia destes hei-de ir ter contigo - Não sei pra onde foste mas... que importa? - E hei-de perguntar-te "meu amigo, És tu ou serei eu que já estou morta?" * Ficar sem ti foi para mim castigo, Foi golpe de punhal que fere e corta Esta tenacidade em que me abrigo Como se em cela sem janela ou porta... * Um dia destes - disso estou segura! - Também eu deixarei de andar por cá E cessará, pra mim, esta procura * Não mais versejarei ao deus-dará Como quem lambe a chaga que é sem cura Sabendo que jamais a curará... *   Mª João Brito de Sousa 22.12.2023 - 00.50h ***

ARQUEIRO

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Fotografia (fracção) de Bartolomeu Rodrigues cedida por Luís R. Rodrigues * ARQUEIRO * Quem versos semeia e sonetos colhe Porque assim o escolhe... nada mais receia! Nunca se refreia, nenhum medo o tolhe, Nem que a chuva o molhe, nem que venha a cheia * E, nela, a sereia que este Tejo acolhe, Pra que se desfolhe toda em grãos de areia... Se é bela ou se é feia, di-lo-á quem olhe, Que o Mar que a recolhe já por ela anseia * E o que é mera ideia de humano poeta Passa a ser a meta de um poema inteiro No mar de um tinteiro sob a pena erecta * Que vai, letra a letra, dar cor, corpo e cheiro Ao que é corriqueiro se ele o não completa: Faz do verbo a seta e, a si, faz-se arqueiro! *   Mª João Brito de Sousa 21.12.2023 - 15.00h ***      

ESPANTO II - Reedição

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* ESPANTO *   Meu espanto, como bicho degolado, É este quase-nada, este destroço, Que embora reduzido a pele e osso Faz frente a quem o tenha encurralado *   É este não temer ser confrontado Com força natural, fera ou colosso, Que nega a frustração do “mais não posso!” E muda, à dura sorte, o resultado *   O espanto mora em mim, comigo vive, Mas pode exacerbar-se onde eu não estive Se as asas dum poema o transportarem *   Porque traz quanta força eu jamais tive Se enfrenta humilhação que o esgote ou prive Da voz que os sonhos meus lhe não negarem. *     Maria João Brito de Sousa 30.10.2013 ***

FRÁGIL SERIA O FRUTO E FRACO O CHÃO - Reedição

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FRÁGIL SERIA O FRUTO E FRACO O CHÃO *   Quero-te, solidão, mais do que ao mar E mais do que ao vulcão que trago aceso Nas mil e uma noites sem luar Dos dias em que o céu se compra a peso *   Do tanto que te quero e sei mostrar, Do muito que te anseio, adubo e prezo, Fico, de corpo e alma, a levedar A massa do teu pão posto em defeso *   Porque és a amante que poucos entendem E a mãe dos versos que me surpreendem No ventre do silêncio, ó solidão, *   Se não fora por ti, fermento vivo Do verso-pão que como e que cultivo, Frágil seria o fruto e fraco o chão! *   Maria João Brito de Sousa 19.06.2019 ***

NÃO HÁ FIM PARA O SONHO, NÃO HÁ FIM

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Fotografia de Carlos Ricardo * NÃO HÁ FIM PARA O SONHO, NÃO HÁ FIM... *   Não há, neste planeta, mar nem céu, Estrada longa demais, alta montanha, Ponte suspensa sobre um medo teu Que te trave esse sonho e, coisa estranha, * Um pouco desse sonho é também meu, Um nada dessa chama em mim se entranha E aonde chegar, chegarei eu, Que nisto ninguém perde... só se ganha! * Não há fim para um sonho construído, Nem haverá lugar para o vencido Num sonho desta forma partilhado *   Se, quando te pareça estar no fim, Vês que mal começou dentro de mim E que outros vão nascendo a nosso lado. *     Maria João Brito de Sousa 2018 * Na fotografia, Rogério V. Pereira e eu  aquando do último lançamento do seu livro "Contos Para Serem Contados"  

SAUDADE II

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Paisagem Pinterest *   SAUDADE II * Que é de ti, Musa? Aonde vais... aonde? Já não consigo ver-te, nem ouvir-te E, não te vendo, como irei pedir-te Que encantes as palavras que hoje eu monde * Enquanto se confundem numa fronde Que te oculta de mim para remir-te Desta saudade com que ousei cobrir-te E tão mais cresce quanto mais te esconde? * Se algumas encontrar por mero acaso Enquanto sondo o espaço das memórias, Hei-de plantá-las no mais belo vaso * E adubá-las-ei de espanto e glórias Sob a magia deste rubro ocaso Em que eternizo as coisas transitórias. *     Mª João Brito de Sousa 17.12.2023 - 23.30h ***      

FOLHAS - Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa

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FOLHAS - Coroa de Sonetos Custódio Montes e Mª João Brito de Sousa 1. * Ainda há folhas verdes e amarelas Nos ramos do carvalho ao alto erguido Resistem ao inverno aparecido As verdes são mais fortes do que aquelas * Que caem mais depressa, como estrelas Cadentes, num adeus enternecido Depois rolam no chão humedecido Vemo-las mais de perto e são tão belas! * As verdes ficam presas lá no ar Suspensas como aves pelos céus Mas sem sair do ramo nem voar * Do chão não vemos nós os olhos seus Senão talvez se vissem a chorar Pelas irmãs que vão sem um adeus * Custódio Montes 3.12.2023 *** 2. * "Pelas irmãs que vão sem um adeus" Não chorarão as folhas que, ficando, Ignoram que a seguir estarão voando Em loucos remoinhos pelos céus * Pra formarem, depois, pequenos véus Sobre o chão, sob os pés que as vão pisando... Soltam-se agora algumas como um bando E uma lágrima cai dos olhos meus * Tombam as folhas velhas e cansadas, Mas dentro em breve as novas brotarão E da nudez das árvores ge...