O LEITO DE UM RIO POR DENTRO DAS HORAS
É por dentro das horas que desfio O rosário das queixas que não faço Que esta fome de sol, que por cá passo, Me mina de incerteza. E faz-me frio. O abismo que se cava em cada rio Que rompe a terra mãe no seu abraço, Traz no seu leito fundo o puro traço De quem, deixando-se ir, não desistiu. Cada vez mais se entranha pelas horas Que voam renegando as mil demoras Que um ciclo natural sempre despreza E se esse rio souber que o sonho existe, Conquista o seu direito a morrer triste, Desvenda outra insuspeita natureza. Maria João Brito de Sousa – 26.10.2011 - 15.20h Reformulado a 2.11.2015