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DESPOJAMENTO E DISPERSÕES

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  Quanto o luar me oferece, em dividendos, Tanto eu irei cantar, durante o dia! Desconstruída, eu lanço mil remendos Sobre os rasgões de mim que antes não via… Renasço em cada flor dos aloendros Reassumindo, enquanto alegoria, Os despojos da carne dos meus membros No dealbar de cada melodia… É por vezes subtil, esta diferença Entre o rebelde e a sua submissão À estranha metafísica da vida Mas, quem pode dizer que isto é doença? Pr`a mim é mais um passo, outra incursão Numa aparência apenas pressentida…       Maria João Brito de Sousa

ASAS PARA VOAR

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    “Tem asas pr`a voar!”, pensava então, Considerando o Espaço Virtual… Depois tomei pr`a mim quanta ilusão Surgira desse Espaço e, afinal… Esse Espaço tornou-se habitação E, sempre que engrossava o seu caudal, - fruto de uma imprevista reacção- Cresciam-lhe umas asas de cristal… Estas coisas da química da vida Podem, por vezes, ser surpreendentes E trazer-nos tão estranhos resultados Como esta reacção tão desmedida, Tão ímpar, talvez tão sem precedentes Quanto as asas reais dos seres alados…       Maria João Brito de Sousa -12.07.2010 – 22.49h

O QUASE-NADA

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    Por vezes faz-me falta um quase-nada … [que absurda sensação de quase-ausência me devolve, inteirinha, à procedência da raiz da memória antecipada?]   Um estranho quase-nada, é bem verdade! Um algo indefinido, indefinível, Que sendo bem real é intangível Mas nada tem a ver com liberdade…   É algo por nascer! Algo incompleto, Algo que ainda está por construir Erguendo-se da sua incompletude   Como se fosse um corpo, um estranho objecto Que, querendo ser, está quase a conseguir E que não muda nunca de atitude…     IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

NINGUÉM...

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       Nem eu sei, nem tu sabes, nem ninguém Conhece, de si mesmo, o tal sentido Que faz valer a pena ter vivido Quando o que aqui se faz, se faz tão bem.   Trabalha-se, constrói-se e vai-se além Daquilo que foi feito e concebido Porque nenhum de nós terá esquecido A força que, cá dentro, a vida tem.   Construir, ser feliz, ter liberdade De sonhar como sonha a Criação De tudo o que existiu e há-de existir;   É essa a verdadeira felicidade Que move cada ser em gestação E o único objectivo a perseguir.    "L`Art cèst un combat; dans l`art il faut y mettre sa peau..." Millet citado por Vincent Van Gogh.    

A JUSTIFICAÇÃO DA LUZ

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  Procuro a Luz e tudo o que encontrar Ao longo desses passos que já dei Será sempre essa luz que procurei Pela simples razão de a procurar…   Quando a luz é razão p`ra caminhar, Enquanto caminhar acenderei A mesma luz que em mim antecipei No preciso momento de a sonhar.   A luz é como estrada em construção, É um nunca-acabar de passos dados, É um nunca-encontrar que frutifica   Na nossa persistência. A condição? Procurar, no futuro, os mil passados Desse orbe intemporal que a justifica.   Imagem retirada da internet     Um apelo em http://mumbles.blogs.sapo.pt/ :)

MONÓLOGO DO GATO VADIO

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Depois desta incerteza, que tristezas Virão ainda perturbar-me o sono Nas noites de luar deste abandono Das caçadas e de outras incertezas?   Não quero os ideais de outras grandezas! Repudio a ideia de ter dono E só Deus, lá no alto, é meu patrono! A Ele devo estes céus de horas acesas…   A Ele devo esta força que comanda, A cada movimento, o meu caminho E o pêlo de cetim com que me aqueço!   Por Ele esta existência, esta demanda E a glória de reinar, sempre sozinho, No espaço onde procrio e me abasteço!     Imagem retirada da internet