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A mostrar mensagens de dezembro, 2009

GATOS... ou quase...

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      Amigo silencioso e ondulante Que me adormeces sempre que adormeces, E entendes as razões das minhas preces Onde ninguém veria algo importante,   Macio, aveludado… és um mistério Que transcende este humano entendimento... Quisera eu conhecer-te, lá por dentro, Tomar posse ilegal dessoutro império…   Que estranhíssima química nos traça Caminhos ideais, cheios de graça, E nos funde e confunde tantas vezes?   Quando o teu grito ecoa pelas ruas São estas mesmas veias, minhas, tuas, Que me enchem de irreais luas acesas…     Maria João Brito de Sousa - 2009    NA FOTO - Sigmund, Minerva e E.T. (estas duas últimas faleceram em Março e Maio deste ano)

O QUASE-NADA

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    Por vezes faz-me falta um quase-nada … [que absurda sensação de quase-ausência me devolve, inteirinha, à procedência da raiz da memória antecipada?]   Um estranho quase-nada, é bem verdade! Um algo indefinido, indefinível, Que sendo bem real é intangível Mas nada tem a ver com liberdade…   É algo por nascer! Algo incompleto, Algo que ainda está por construir Erguendo-se da sua incompletude   Como se fosse um corpo, um estranho objecto Que, querendo ser, está quase a conseguir E que não muda nunca de atitude…     IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

POEMAS QUE SORRIEM...

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        Curvai-vos! Os poemas são batalhas, São rios por inventar de espadas cegas, Causas que desconheces - mas não negas - Isentas do bolor de humanas falhas!   Abri alas pr`a eles, os combatentes, Que avançam sobre as hostes de insensíveis! Deixai-os avançar como invencíveis Porque deles se erguerão causas urgentes!   Reparai… a batalha não termina! [nunca se sabe ao certo quem domina neste caos que as vontades vão esgrimindo…]   Mas, no ponto mais alto da colina, Nasceram mais poemas que a vermina Desvaloriza porque estão sorrindo…   IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

QUINTA, SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA

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                    A PALETA   (A minha paleta, à luz da Biopsicografia)     Em azuis e magentas me descrevo.   Em verdes e castanhos vou vivendo Porque o sol se levanta num crescendo Aspergindo outros tons sobre este enlevo     E nunca sei se devo ou se não devo  Cobrir-me desse negro a que me prendo... Mas, enquanto não sei, eu vou sabendo Que mesmo sendo cor, eu sempre escrevo     Pois sou uma paleta das ideias:   Sou apenas um leito de grafismos E a matriz da palavra em gestação!     É som, o que me corre pelas veias,   O que vai dando cor aos silogismos Que nascem porque bate um coração...   Maria João Brito de Sousa - 2009     A VARANDA DE DEUS   Deus tem uma varanda junto ao mar. Eu, que nela nasci, vou descrevê-la; Essa varanda é como uma janela Onde Deus se debruça p`ra sonhar.   E é, essa varanda, um doce lar Para que possa qu`rer descansar nela. É pequena, a varanda, mas é bela E cabe nela o mundo... se mudar.   Caberá nela  quem vier por bem, O que foi perseguido e quer abr...

O PRESÉPIO DE BARRO

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      Já estás quase a nascer, meu Deus Menino, Simbolizando a Vida em todos nós… Já oiço, antecipada, a tua voz Na luz da Estrela-guia, em cada sino.   Quem me dera saber-te bem seguro Por todo o humano tempo que te resta, Amado, eternizando uma só festa, Por todas as etapas do futuro...   Vejo-te pequenino, aconchegado Num presépio de barro, bafejado Pelo inusitado dos presentes,   Mas, mais tarde ou mais cedo, renegado, Tremo por te saber crucificado Por quem nunca aceitou homens diferentes.       Maria João Brito de Sousa -2009             UM FELIZ NATAL PARA TODOS VÓS! Peço desculpa a todos os que não consegui contactar nestes últimos dias, quer por email, quer por visita e comentário. O tempo é escasso e muitos dos emails vieram devolvidos... mas fica a intenção! Um enorme abraço para todos vós, em todo o mundo!   Maria João, poeta porque Deus quer

EM TEU NOME

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        Em teu nome acendi incenso e velas E o raio de luar desta oração Que aqui teço e devolvo à devoção Da minha evocação das causas belas.   Em teu nome e no nome do teu nome Lavrei estas palavras que te entrego E tudo o que em palavras eu delego É esta causa imensa como a fome.   O meu último esteio foi quebrado E oiço um estranho silêncio inacabado Perpetuando, sempre, a voz do tempo.   Cravo então, em silêncio, o meu arado E sigo pela vida, sem cuidado, Porque a Vida, afinal, é um momento.     Maria João Brito de Sousa - 23.12.2009       IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

O TRAIÇOEIRO

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Ó gato! `Inda te chamam altaneiro! A ti que te dás todo em marradinhas, Que me olhas bem nos olhos, que adivinhas O que é e o que não é bem verdadeiro,   Que queres ver-me feliz, que me procuras Para me dar, de ti, o que em mim falta, Que derramas, em mim, a maré-alta Das tuas brincadeiras e ternuras?   Traiçoeiro? Que ideia! És mais leal Do que essa gente louca que te insulta E que te desconhece por inteiro!   Tu és, como qualquer outro animal, Um pequenino ser que a vida exulta! Jamais serias falso ou traiçoeiro!  

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA III

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    UM POETA NA ESQUINA   Poeta numa esquina, sem alento, Que não choras nem pedes a quem passa A esmola da atenção ou essa graça Do merecido pão do teu sustento *   As asas que perdeste... o teu talento Que o mundo destruiu, como uma traça Que devorando inteiro te desfaça E te não deixe mais que desalento *   E, cruelmente alheia, a populaça No seu vaivém, correndo contra o vento, Não percebe, sequer, quanta desgraça *   Te prende àquela esquina, desatento Das coisas deste mundo e desta raça Que assim te condenou não te entendendo.  *   Mª João Brito de Sousa    Dezembro, 2009                 MISTÉRIO * Que mistério em teu corpo se engendrou, Maria, se não foste de ninguém? Que mistério, Maria, te fez mãe   De um menino que tanto nos marcou? *   Que Maria foi essa que alcançou   Honra tão grande e tão imenso bem?   Maria e só Maria foi alguém   Em quem o próprio Espírito encarnou? *   Mas terá sido assim que aconteceu?   Terá sido o menino que nasceu   Igual a todos nós, nascido em do...

A NORTADA E A LAREIRA ACESA

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    Ali soprava ainda um vento agreste Chicoteando os ramos inocentes Que as árvores estendiam, descontentes Com essa fúria súbita e celeste.   Rodopiavam folhas arrancadas Ao maternal abraço dessas hastes Que balouçavam gerando contrastes Com as casas imóveis e caiadas.   Era a Nortada fustigando a aldeia, Cavando remoinhos na charneca, Levando tudo, tudo pelos ares…   Por trás das nuvens brilha a lua cheia. Deita-se o bom medronho nas canecas E acende-se a lareira em nossos lares…     Imagem retirada da internet     - A nossa amiga Maria Luísa, do http://prosa-poetica.blogs.sapo.pt/ , encontra-se doente, com dores na coluna, e não poderá estar entre nós durante algum tempo. Pediu-me que vos avisasse a todos e vos transmitisse os seus votos de um muito FELIZ NATAL!

AS CATEDRAIS DE GELO

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  Gela a branca geada. Branca, gela E tudo se arrepia em seu redor Como se nos mostrasse o seu melhor Nas construções de gelo que revela.   Assim o Inverno chega e se desvela Na criação de mil cristais sem cor, E sem sequer olhar, seja o que for, Agreste, toca, esculpe e remodela…   Silencioso e breve, este escultor Das obras transparentes e espelhadas, Vai transformando tudo em catedrais   De onde roubou o sopro do calor… [depois, na Primavera, derrotadas, tornam-se o verde pasto de animais…]   Imagem retirada da internet

LIBRETO

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    Estou numa verborreia de soneto Que não posso conter, que não comando, Pois, a cada momento, eu vou achando Acordes com os quais me comprometo...   E assim se perde em mim um Eu concreto Nessa vida real que vou deixando... [Um concerto ideal vai entoando Os acordes finais deste “libreto”...]   O público, encantado, pede “bis”, Mas vem o rapazinho da cortina Pôr cobro à euforia do momento...   [Não sei por que razão alguém me diz Que a "sonetista" é louca e desafina Mas que o cenário, esse, é um portento!]       Imagem retirada da internet  

O VESTIDO VERMELHO

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  Era um amor platónico, pensava ele. Fez um tremendo esforço para entreabrir os olhos, já baços, que uma guinada mais forte o obrigara a cerrar. Era imenso, insustentável, mas sempre fora um amor platónico. Nunca soubera amar assim outra qualquer. A vida, inteira, passava-lhe diante dos olhos como um filme muito, muito antigo… ela andava sempre de calças e sorria muito. Ele sentava-se a seu lado, no sofá de napa, vigiando-lhe o sono, sempre que ela ficava, madrugada afora, à espera do marido invariavelmente afadigado em lides político-partidárias. Nunca gostara muito dele. Considerava-o um tanto ou quanto negligente no cumprimento dos seus deveres de macho protector, mas nunca lhe passara pela cabeça senti-lo como rival. Era, efectivamente, um amor insustentavelmente platónico. Uma dor excruciante fê-lo cerrar, novamente, os olhos amendoados, cor de mel. Gemeu baixinho. Nunca se revoltara contra a ordem natural das coisas e sabia que o fim estava a chegar. Intuía-o por ali, muit...

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA III

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                  COMPOSIÇÃO FIGURATIVA LINEAR A PRETO E BRANCO * Trazia os olhos negros afundados Em órbitas profundas como poços E nos lábios carnudos, grandes, grossos, Restos mortais de sorrisos negados.  * Alto, de ombros estreitos e curvados, Parecia mais jovem que os mais moços E, embora magrito e fraco de ossos, Sobressaía dentre os encorpados.  * Uns jeans, uma t-shirt e um blusão, Já sem sombra de cor por tanto uso Recobriam-lhe o corpo há tanto tempo  * Quanto o tempo que dura uma ilusão. Tinha o olhar perdido, algo confuso, De quem personifica o desalento. *   Maria João Brito de Sousa - Dezembro, 2009       COMPOSIÇÃO FIGURATIVA LINEAR A PRETO E BRANCO II * Não fora o choro triste, convulsivo, Silente, por pudor, mas que me vem Macular esta paz que me mantém E que, serenamente, em mim cultivo, *   Não foram essas lágrimas salgadas E as mãos que se te crispam sobre o rosto, Apontando, frontais, o teu desgosto, Dir-te-ia entre as mais afortunadas *   Mas oiço-te chorar. Um g...