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A mostrar mensagens de dezembro, 2012

NOS TEUS OLHOS, MIL SÓIS...

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(Em decassílabo heróico)   Quando o sol nos teus olhos se reflecte E  pasmos, inocentes, me procuram, Nas pupilas, quais setas que perfuram, Rendido, aquece o gelo e se derrete…   Cada olhar, feito sol, me compromete Vazios e escuridões, quando perduram, E quantos medos restem se me curam Nesse olhar que os desmente, se os repete…   Há sóis nas finas setas que me lanças, Há notas de harmonia, há ternas danças, Há silêncios solar´s, serenos, castos...   Há meu felino irmão, mil setas d`oiro Que, em cúmplice feitiço, em suave agoiro, Me devolvem, brilhando, os dias gastos…         Maria João Brito de Sousa – 30.12.2012 – 15.11h   Reformulado - Maio 2016     Ao Sigmund Freud, o mais amado dos meus amigos gatos

SONETO SEM DESTINATÁRIO

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(Em verso eneassilábico)   Na aridez de passeios e estradas Plantei bagas de sonhos maduros Em prodigalizando, às punhadas, Mil prenúncios de claros futuros…   Colhi, dessas ardentes jornadas, Impropérios, por vezes tão duros Que doíam como as chicotadas Do furor dos traidor`s mais impuros…   Pudesse eu outra vez percorrer Quanta estrada corri no passado, Voltaria a plantar e colher   Mil denúncias e a dor de o saber… Mas bem sei que teria voltado Se isso me fosse dado a escolher…       Maria João Brito de Sousa – 01.12.2012 – 17.30h   IMAGEM - Pintura de Álvaro Cunhal

SONETO À MINHA LOUCA, LOUCA INSPIRAÇÃO...

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(Em decassílabo heróico)   Venho tarde e más horas porque venho de um momento lunar que desconheces no despontar da teia em que te teces há mais do que a noção que tens de antanho   Se firo, qual maleita ou corpo estranho e me alheio do tanto que padeces, é por puro desdém das gastas preces que te confesso já, nego e desdenho!   Matéria, anti-matéria… o que me importa se, ao ser razão de ti, me quedo absorta pr` assombrar-te depois, sem mais razão,   E, sempre que me julgues quase morta, te invadir, derrubando a frágil porta que usaste pr`a fechar-me o coração?     Maria João Brito de Sousa – 18.12.2012 – 02.47h   NOTA – Soneto reformulado a 20.06.2015   IMAGEM - "Mulher em Molho de Luar", Maria João Brito de Sousa - 1999

AINDA O MAR...

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    (Em decassílabo heróico)   Depois do mar, nasceu um mar ainda, Que, a par desse primeiro, o transcendeu… E a gaivota a sondar se havia céu Que soubesse albergar maré tão linda…   Com ela, uma canção, muito bem-vinda, Num cravo ocasional que alguém lhe deu, A brotar de um fuzil que floresceu Pr`a sugerir marés, se o mar se finda…   E… venham lá gaivotas, venham cravos, Venham punhos erguidos, venham bravos, Gritar-nos que a maré não foi esquecida!   Em ficando a maré comprometida, Logo outra irromperá, jamais traída; Somos filhos de Abril, sem reis nem escravos!         Maria João Brito de Sousa – 14.12.2012 – 21.17h     NOTA – Sendo certo que, no soneto clássico, a disposição dos versos rimados das duas estrofes finais é bem mais flexível do que nas restantes duas estrofes, permiti-me, no entanto, uma certa e talvez excessiva liberdade na rima final deste soneto em particular[CCD-DDC].    

SONETO MUITO FANTASMAGÓRICO...

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SONETO FANTASMAGÓRICO * (Em verso eneassilábico) *   Vês paredes de uns prédios já gastos… De uma delas, de cinza tingida, Brotam, vagos, soturnos e castos, Mundos mil, estranhas formas de vida. *   Se a magia nocturna dos astros Lhes confere aparência fingida, Serão barcas, sem remos, nem mastros, Sobre um mar sem prelúdio ou saída… *   Se, iludida, a memória se exalta, Reconhece os perfis, nel`s confia E quer crer no que aos olhos ressalta, *   É tal qual como se almas penadas, No silêncio dessa hora tardia, Se apossassem das pedras… coitadas.  *     Maria João Brito de Sousa – 27.11.2012 – 15.58h

SONETO MUITO SURREAL, SÓ PARA DESCONTRAIR... OU NEM POR ISSO...

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(Em verso eneassilábico)   Trago a louca impudícia das horas A tanger-me em violinos traídos E a surpresa das aves canoras Sobre arames farpados floridos,   Uso abismos sem fim como escoras Dos mais altos castelos erguidos Aos dilemas de amor das amoras, Ou à dor de uns piratas vencidos!   Conquistei terra e mar aos meus medos, Moldei estátuas nas chamas de velas, Dediquei-me a aprender, dos penedos,   A dureza - o seu ponto mais forte... - E, encontrando maleita, ou sequelas, Proporciono, ora alívio, ora… morte!     Maria João Brito de Sousa – 26.11.2012 – 21.47h     IMAGEM - Tela de Oleg Shuplyak Reformulado a 25.11.2015

TEMPESTADE(S) - Soneto em verso de nove sílabas métricas dedicado à minha ligação boicotada

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  TEMPESTADE   Repensado este estranho argumento Como a última nau de quem sonha, Serei sempre implacável… nem tento Desculpar-me ou mostrar-vos vergonha.   Sou do mar, sou da terra e do vento, Sou selvagem, por vezes, medonha Se me engendram de negro ou cinzento Vergastando a maré mais risonha.   Quantas vezes não fui tempestade, Força bruta, invencível, cruel, Flagelando – porém, sem maldade –   Edifícios da vossa cidade, Vosso rio, vosso mar, vossa pele, Sem curvar-me ante a vossa vontade?       Maria João Brito de Sousa -02.12.2012 – 14.15h