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PASSANDO AO LADO

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  “PASSANDO AO LADO” E quando mal se dorme porque a dor Teimou a noite inteira, acrescentou-se E, conseguindo levar a melhor, Deixou dentro de nós a dor que trouxe, Não há espaço pra sonho, ou chão pra flor; Já nada é espanto, nada é pêra-doce E tudo, analisado ao pormenor, Parece um pesadelo. Antes o fosse! Mas pesa-me, este longo desabafo; Não tenho a fina lira que tem Safo, Nem as paixões soberbas de Florbela. Poeta de aço vivo e já tardia, Subtraio à dor um pouco de ironia, Passo-lhe ao lado e... já nem dou por ela! Maria João Brito de Sousa – 19.05.2018 – 09.08h