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A mostrar mensagens de fevereiro, 2011

A RAZÃO DAS NOSSAS VIDAS

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      Libertem-se as tensões, uma por uma, Do gesto gasto, impuro, incontroverso, E cresça a vocação rasgando a bruma Do despertar nublado de um só verso!   Libertem-se as razões que coisa alguma Prendeu a quanto dele jazer imerso, Ou, quando essa opressão se lhe avoluma, Ao que o tornou angélico… ou perverso…   Por vezes, as tensões, nem razões são E esfumam-se ao romper de uma ilusão Morrendo inoportunas, descabidas,   Noutras encontram, nessa dimensão, A sua mais perfeita tradução E tornam-se a razão das nossas vidas…       Maria João Brito de Sousa – 26.02.2011 – 22.54h         http://www.raizonline.com/radio/   Porque a poesia é uma das razões das nossas vidas...

AMPLITUDES

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  Por cada imenso grau dessa amplitude Gerada em cada abraço, sem mentir, De súbito, conjugo o verbo rir, Embora torne inversa essa atitude.   Pensas que, na mulher, essa virtude Se deva, em três pernadas, resumir Ao acto de gestar e de parir… E julgas que o que pensas não te ilude.   No toque intraduzível de um abraço, Revelo mar e céu por cada traço De cada palavrinha que te diga   E podes nem o crer mas, se te enlaço, Será pra mitigar quanto cansaço Na amplitude do gesto o corpo abriga.         Maria João Brito de Sousa 24.02.2011     Imagem retirada da internet

UM SONETO, SÓ PARA VARIAR ...

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  NEM MAIS UM PASSO!     Nem mais um passo sem espantar o medo, Sem esmagar esta vã precariedade, Sem espalhar pela Terra este segredo De erguer, por cada escrito, uma vontade!   Nem mais um passo! Juro que não cedo! Do mais puro cristal dessa verdade, Surgiu-me o despontar de um arvoredo Nas vielas e  ruas da cidade,   Um arvoredo denso, entre os mais densos, Com becos por explorar, com céus imensos… Nem mais um gesto para o renegar!   Nem mais um passo sem que os dedos tensos Do muito que sonhar nestes consensos, Se rendam sem que eu esgote o que criar!       Maria João Brito de Sousa – 22.02.2011 – 01.38h                   http://lilianaeomundo.blogspot.com/ , agora com ligação à rádio Raizonline

BLOG EM MANUTENÇÃO

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  PEDIMOS DESCULPA POR ESTA INTERRUPÇÃO. O BLOG PROSSEGUE DENTRO DE ALGUNS DIAS.       PONTO DA SITUAÇÃO A 18.02.2011 -   Não sei se deva sentir pena ou admiração pela pessoa que eu era quando comecei este blog... inveja não sei ter, mas a verdade é que, nesse tempo, escrevi alguns sonetos muitíssimo toscos mas que têm uma beleza extraordinária. Não tenho a menor dúvida de que este trabalho de revisão teria de ser feito.             Imagem retirada da internet

CUIDADO COM AS PALAVRAS!

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  Palavras são magia, encantamento… São um feitiço, até, se, entretecidas Em hastes de viçosas margaridas, Se deixam embalar num qualquer vento E, sejam de alegria ou de lamento, Mostrar-se-ão tão mais engrandecidas, Quanto mais nos falarem dessas vidas Que as fizeram florir, como um rebento… São, tantas vezes, rápidas, certeiras, Directas como velhas companheiras Do suspiro profundo em as lançamos… Outras vezes, porém, são traiçoeiras; Sem darmos conta, dizem tais asneiras Que nos deixam pior do que já estamos…       Maria João Brito de Sousa – 10.02.2011 – 18.50h

QUE DEUS MAS LIVRE!

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Fotografia de minha autoria *   QUE DEUS MAS LIVRE * Que Deus mas guarde das negras enchentes, De cada fogo e de outros cataclismos! Que mas ampare à beira dos abismos E lhes suporte o peso das correntes *   Que Deus mas guarde de estarem doentes E as livre destes meus idealismos Pois não entenderiam tantos “ismos”, Poderiam tornar-se ambivalentes... *     Deus mas livre de serem como sou - mas não da absurda força que as gerou - E possa relevar quanta incoerência *   Lhe pede, nestas linhas, quem ousou Um pequeno poema e revelou Um vislumbre, tão só, da sua essência *   Maria João Brito de Sousa – 07.02.2011 – 20.06h  

A ÉTICA DA CRISE...

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  Perdão… dá-me licença que o assalte? Passe o dinheiro todo, por favor, E queira desculpar-me, meu senhor, Não vá ser esse pouco o que lhe falte… Mas, se me der licença, eu explico já A causa deste roubo que aqui faço E sela-se este assalto num abraço Porque é nisto que a crise, às vezes, dá… Acontece eu estar “liso” e ter dois filhos, Por isso aqui me vê, nestes sarilhos Que me irá desculpar porque entendeu Que a crise toca a todos, meu amigo… E desculpe-me lá se o pus em perigo! Com muito amor;     este Assaltante seu…     21.00h – 08.02.2011 – M. João Brito de Sousa   NOTA – Eu tinha – tinha mesmo! – um Soneto Clássico, sem a menor imperfeição formal e de conteúdo menos… “popular”, prontinho para publicar… mas não resisti a postar este, escrito num jacto, entre a gargalhada e a lágrima. Queiram ter a bondade de entender…

PORQUE UM VERSO TEM ALMA... E TU NEM VÊS...

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Porque um verso tem mãos que tu nem vês, Tem lábios que te beijam, sem beijar, E será quem te pode apaziguar Depois de incendiar-te em mil porquês.     Porque, ao romper da dor, será, talvez, Ele próprio quem te saiba consolar, Mitigando essa sede de criar Que preenche os vazios de outra escassez.     Porque a el` não se nega uma existência, Nem se lhe rouba a luz dessa inocência Em que se te entregou sem hesitar.     Porque quando lhe falhas na assistência, Estarás ausente dessa mesma ausência E só a ti  estarás a renegar.           Maria João Brito de Sousa – 07.02.2011 -18.44h

TSUNAMI

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Lembrei-me e foi depois de ter lembrado Que me tentei esquecer do que sentia; Cada vez mais me inundo em poesia Por mais versos que vá pondo de lado.     “Poeta de um poema improvisado!” E, cá por dentro, o riso contraria Essa abstrusa versão; -“Não poderia Noutro ofício qualquer ter-me encontrado!”     Foi como foi. Tão simples quanto o mar Em que alguém naufragou sem se afogar… E eu quero lá saber de mais razões!     Se um destes dias me volto a lembrar, Volto a rir-me da onda, pra domar O “tsunami” do mar das disfunções…           Maria João Brito de Sousa -  Fevereiro, 2011       Imagem retirada da internet

A MELHOR MANEIRA DE "NÃO" ESCREVER UM SONETO... OU DE ESCREVÊ-LO, APESAR DE TUDO...

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      Fazer sonetos só pela partilha, Porque a tal me propus, por ter de ser, Mata esta compulsão de me escrever, Vai-me tornando cada vez mais ilha,     Enlanguesce-me a mão qu`inda dedilha As teclas, transformadas em dever, E não tiro proveito, nem prazer De umas rimas batidas, de cartilha…     Mas, num repente, sem que eu saiba como, Revolta-se a palavra, eclode o pomo De algo que resistiu pr` além de mim!     Nem só do que eu lhe dou vive o poema Pois mesmo não lhe impondo qualquer tema Alguma coisa o fez escrever-se assim…             03.02.2011- 18.23 h – M. João Brito de Sousa         Amanhã, em Sobral de Monte Agraço   Inauguração da Exposição "(Re) Encontros" de Paulo Pereira/Pintura e Ricardo Tomás/Escultura, a ter lugar na Galeria Municipal de Sobral de Monte Agraço no dia 5 de Fevereiro de 2011, Sábado, pelas 18 horas. Exposição estará patente até 28 de Fevereiro de 2011, de 3.ª feira a sábado das 14 às 19 horas (encerra aos Feriados )

A BRINCAR COM AS PALAVRAS

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Peculiar… nasceu peculiar, Cresceu de um quase nada que encontrei Por dentro desse tanto que nem sei Do muito que não posso nem explicar…     Quando nasceu, ousou, quis-se afirmar E é por isso que nada escreverei Para além destas linhas que tracei E algumas mais, que ainda irei traçar     Agora vão ser menos; serão cinco E depois irão ser menos ainda Pela simples razão de qu`rer explorar     Esta causa, em que ponho tanto afinco, Sem deitar a perder a coisa linda Que é ter tanta vontade de brincar.           Maria João Brito de Sousa – 02.02.2011 – 22.19h

ASCENSÃO E QUEDA DE UMA POEIRA CÓSMICA CHEIA DE SENTIDO DE HUMOR

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  ASCENÇÃO E QUEDA DE UMA POEIRA CÓSMICA ERRANTE CHEIA DE SENTIDO DE HUMOR * Este seria um astro quase errante Na execução duma órbita fugaz, Sepultando o suor da vossa paz Sob um silêncio cavo e militante… *   Perpetuado foi cada habitante De um espaço que já não o satisfaz E aceita a missão que outrem lhe traz De ir zelando por vós… mas bem distante. *   (um dia destes nega esse seu rumo, e escapa-se a voar, desfeito em fumo, na velha compulsão de ser quem é, *   ou então muda a rota e cai a prumo e nada sobrará senão o sumo dos frutos das conversas de café…) *   Maria João Brito de Sousa – 01.02.2011 – 19.28h    

REPARA...

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Repara; o tempo passa e, ao passar, Os pássaros que foram, já não são Aves que, tarde ou cedo, irão voltar, Já prosseguiram noutra direcção…   Mil pássaros cobrindo um céu solar, Navegantes do ar passando em vão? E se, nessa aventura de voar, Eles te pedirem mais do que atenção?   Repara que esta vida inexplicada É bem mais forte e mais determinada Do que quanto pudeste imaginar   E, quando julgas não te faltar nada, Ela não pára pra medir a estrada Que tu nem te lembraste de explorar.     Maria João Brito de Sousa - Fevereiro, 2011