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A mostrar mensagens de fevereiro, 2021

"QUANDO O AMOR ACONTECE"

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MOIRA(S)

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MOIRA(S) * (Mitologia Grega) *   Não são parcas, as Moiras, no seu zelo; Fiam, tecem e cortam noite e dia Sem se cansarem da monotonia, Sem se esquecerem de nenhum novelo * Desponta o fio e logo irão tecê-lo Com mão que sabiamente doba e fia, Senhoras da tristeza e da alegria Dos dias mais magoados e mais belos. * No fim, uma das Moiras corta o fio Das luas e dos sóis de cada vida; Só essa determina o fim de um rio, * Só essa indica a hora da partida; Ela é quem sela o poderoso trio Ante o qual Zeus recolhe a espada erguida. * Maria João Brito de Sousa - 27.02.2021 - 12.00h

COISAS QUE SÓ EU SEI

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COISAS QUE SÓ EU SEI * (em verso alexandrino) *   Não canto essoutro amor cantado à exaustão Que é fruto da paixão que irrompe como a flor Quando, no seu esplendor, garante a gestação A cada geração que seduz pra se impor. * Cantá-lo por favor, a mim, não me imporão Que eu moro na canção que eu entender compor E não ando ao dispor da velha tradição; Nada faço à traição, nem guardarei rancor * Porque é com despudor que afirmo que cantei Coisas que só eu sei e outras que, não sabendo, Tentei ir aprendendo assim que aqui cheguei; * A Amor nunca neguei, que o vivi no crescendo Que a vida foi tecendo enquanto o que sonhei Cá dentro sufoquei. De amar não me arrependo. *   Maria João Brito de Sousa - 26.02.2021 - 11.35h  

DE NOVO, O MAR

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    DE NOVO O MAR * De novo o mar. Tão longe e aqui tão perto, Vem relembrar-me o sonho da jangada; Pede-me tudo e não me pede nada Que eu já não tenha, há muito, descoberto * Pois sempre que num verso me liberto, É nesse mar que encontro a minha estrada E tão mais lesta quanto mais cansada Prossigo em busca do meu porto (in)certo. * Não sei se cacilheiro, se canoa, A jangada de sonhos e de espantos Que hoje me espera num cais de Lisboa, *   Mas sei que vence as dores e desencantos Do vastidão marinha que a atordoa E não teme os rochedos, que são tantos. *   Maria João Brito de Sousa - 23.02.2021 -14.53h * Soneto criado para a Antologia Luso-Brasileira "Tanto Mar Entre Nós" *   Fotografia de  Fernando Ribeiro

QUEM NÃO TEM CÃO...

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QUEM NÃO TEM CÃO... * Erato não serei, poeta amigo, Que para tal não tenho engenho e graça, Mas posso garantir-lhe garra e raça Sempre que aceite que escreva consigo. * Não ostento os cabelos de oiro ou trigo Que enfeitam qualquer deusa quando caça, Mas meu arco-de-versos tem a traça Do que não tem idade, sendo antigo. * Se errar "humanum est", eu errarei, Mas pode crer que lhe não faltarei, Se Erato me ceder a sua vez... * Porque "quem não tem cão, caça com gato", Sempre que o ignorar a bela Erato, Conte c`oa minha humana pequenez! * Maria João Brito de Sousa - 22.02.2021 - 18.37h *** Soneto escrito em resposta ao soneto ERATO do poeta Custódio Montes. * Imagem - ERATO - Tela de Francis Boucher

UM PAPEL NO PALCO DA VIDA

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UM PAPEL NO PALCO DA VIDA * "E voltam os meus medos de menino" Num barco de papel lançado ao rio Num dia enevoado agreste e frio P`la vontade insondável do destino... * Ao longe, o repicar um velho sino Invade a rua, embala o casario E a toada acalma o arrepio De um eu tão vulnerável quão franzino. * Brinca contigo o Tempo, em certos dias; Todo o cenário muda e, num repente, Vês-te no palco, nu, de mão vazias * E tu, que eras tão lúcido e valente, Porque impotente em nada contrarias Um fim que é sempre igual pra toda a gente. *   Maria João Brito de Sousa - 22.02.2021 - 13.17h * Soneto inspirado no soneto DIA DO SOL (Sunday) do poeta Carlos Fragata.

"WHERE THE WILD ROSES BLOOM" - Maria João Brito de Sousa e Laurinda Rodrigues

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"WHERE THE WILD ROSES BLOOM" *** COROA DE SONETOS * Maria João Brito de Sousa e Laurinda Rodrigues *** 1. * Nesta minh`alma, presa por um fio, Tremeluz uma lágrima que insiste Em dominar a dor a que resiste Em vez de, solta, transformar-se em rio. * A sua teima, mais que um desvario, É luta de que a alma não desiste, E se é certo que a dor em mim persiste, Mais certo é que eu lhe ganhe o desafio * Pois do mar que chorei em tempos idos Por mágoas que nem dei a conhecer, Nasceram-me, cá dentro, rios traídos * Que desaguaram antes de irromper Criando um mar de versos (in)contidos Ao qual, sempre que sofra, irei beber. *   Maria João Brito de Sousa - 18.02.2021 - 17.35h *** 2. * "Ao qual, sempre que sofra, irei beber" serenamente, como fora ópio que, por entre essas mágoas, vai tecer formas vibrantes em caleidoscópio. * E ninguém diga que amar é sofrer porque o sofrer de amor é sempre próprio: faz angústia e ansiedade, faz doer, que nos desvenda como em microscópio. * V...

O SONETO POSSÍVEL NUM DIA COMO O DE HOJE

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O SONETO POSSÍVEL NUM DIA COMO O DE HOJE ***   ... e pouco a pouco vamos definhando, Pouco nos sobra, somos só estilhaços, Sombras furtivas dos humanos traços Que este presente foi desfigurando. * Sobrevivemos sem sabermos quando Se nos refazem os humanos laços, Ou se cerram, de vez, os olhos baços Que muitos - tantos... - foram já cerrando. * Tudo está longe mesmo estando perto E o mundo transmutou-se num deserto Que gela à noite e, de dia, sufoca *   Quem se atreva a adentrá-lo a descoberto; Nada há de certo neste tempo incerto, Excepto a mordaça que nos tapa a boca. *   Maria João Brito de Sousa - 21.02.2021 - 12.40h

"JÁ NÃO TARDA A PRIMAVERA"

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"WHERE THE WILD ROSES BLOOM"

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"WHERE THE WILD ROSES BLOOM" * Nesta minh`alma, presa por um fio, Tremeluz uma lágrima que insiste Em dominar a dor a que resiste Em vez de, solta, transformar-se em rio. * A sua teima, mais que um desvario, É luta de que a alma não desiste, E se é certo que a dor em mim persiste, Mais certo é que eu lhe ganhe o desafio * Pois do mar que chorei em tempos idos Por mágoas que nem dei a conhecer, Nasceram-me, cá dentro, rios traídos * Que desaguaram antes de irromper Criando um mar de versos (in)contidos Ao qual, sempre que sofra, irei beber. *   Maria João Brito de Sousa - 18.02.2021 - 17.35h

CARTA ABERTA A UM BRASIL (TAMBÉM) CONFINADO

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CARTA ABERTA A UM BRASIL (TAMBÉM) CONFINADO * É em silêncio que te lembro... e dorme Ainda o chão solar do teu país Na sua selva inexplorada, enorme, Onde o poema ousou lançar raiz * À espera de que o verso se transforme No que, em confinamento, disse e fiz Pra que o disforme se molde conforme Chaga que sara e se faz cicatriz * E se essa cicatriz profunda for, Se deixar marca como o mal de amor Que é indelével, mas nunca insolúvel, * Que possa despontar como uma flor Aquilo que salvarmos desta dor Que há-de passar pois sempre foi volúvel. *   Maria João Brito de Sousa - 17.02.2021- 09.30h *   Soneto criado para a Antologia Luso-Brasileira "Tanto Mar Entre Nós".  

UM CHEIRINHO DE ALECRIM

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UM CHEIRINHO DE ALECRIM * Irei levar-te aquilo que me sobra Do rubro cravo aceso no meu peito E o cheirinho a alecrim deste meu jeito De ser haste que quebra mas não dobra. * O reencontro que a memória cobra, Quando me aceitas tal como eu te aceito, Culminará no tal final perfeito Que a poesia exige a qualquer obra. * Sei que ainda te lembras da semente E esse Amazonas que enlaçava o Tejo Não desertou do coração da gente * Que recorda o sabor de um velho beijo; Quem receia falar de quanto sente Quando cantá-lo é mais do que um desejo? *   Maria João Brito de Sousa - 15.02.2021 - 15.44h * Soneto criado para a Antologia Luso-Brasileira "Tanto Mar Entre Nós..."    

FEITIÇO

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FEITIÇO (em verso alexandrino) * Bebendo o meu café, lembrei teu chimarrão E deitada no chão vi-te ficar de pé Soprando um oboé nas cordas do violão Que à costa dera em vão num espasmo da maré. * Ao largo, uma galé afunda um galeão Enquanto um furacão avança em marcha-à-ré; Se o que o olhar não vê nem sempre é ilusão, Eu dou-lhe a dimensão daquilo que não é * E digo o que não crê nem o meu coração, Que assim reza a canção que invento pra você À sombra de um ipê, sob o sol do sertão. * E nesta minha mão de crente sem ter fé Na qual guardo o rapé e a vara de condão, Trago um verso pagão pra dançar candomblé. *   Maria João Brito de Sousa - 16.02.2021 - 08.37h * Soneto em verso alexandrino e rima encadeada criado para a Antologia Luso Brasileira "Tanto Mar Entre Nós"

TANTO MAR...

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TANTO MAR... * Tanto mar entre nós... e, no entanto, O poema não desiste de o cruzar Que o verso lhe nasceu do mesmo mar E das ondas emerge em espuma e canto. * Por vezes gargalhada, noutras pranto, Navega sem temor de naufragar O poema que partiu para cantar E cujo porto será sempre o espanto. * Ao leme irão o sonho e o talento Que se revezam. Quando um está cansado E pára um pouco a retomar alento, * Terá, o outro, o leme a seu cuidado; Assim se cruza o mar mais turbulento Pra que, no cais, se abracem samba e fado. *   Maria João Brito de Sousa - 14.02.2021 - 19.30h   *   Soneto criado para a Antologia Luso-Brasileira "Tanto Mar Entre Nós..." , um projecto em curso de publicação.