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SEI DE UM TEMPO ou Mais Um Soneto de Abril

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    (Soneto em verso eneassilábico)     Sei de um tempo em que as horas sorriam Transmutando os seus ramos caídos Pelo peso das flores que nasciam Das sementes dos cinco sentidos   No reflexo da cor que exibiam E, ao torná-los em rifles floridos, Nesse apelo que as flores emitiam, Davam fruto entre os frutos nascidos.   Sei de um tempo que o dia acordou De uma noite de medo e cantou Como as aves que lavram caminhos   No mesmíssimo tempo em que eu sou Neste pouco de Abril que sobrou Da voragem de uns tantos, mesquinhos.       Maria João Brito de Sousa – 06.05.2013 – 11.24h   NOTA – Revoltemo-nos, porra!

AINDA O MAR...

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    (Em decassílabo heróico)   Depois do mar, nasceu um mar ainda, Que, a par desse primeiro, o transcendeu… E a gaivota a sondar se havia céu Que soubesse albergar maré tão linda…   Com ela, uma canção, muito bem-vinda, Num cravo ocasional que alguém lhe deu, A brotar de um fuzil que floresceu Pr`a sugerir marés, se o mar se finda…   E… venham lá gaivotas, venham cravos, Venham punhos erguidos, venham bravos, Gritar-nos que a maré não foi esquecida!   Em ficando a maré comprometida, Logo outra irromperá, jamais traída; Somos filhos de Abril, sem reis nem escravos!         Maria João Brito de Sousa – 14.12.2012 – 21.17h     NOTA – Sendo certo que, no soneto clássico, a disposição dos versos rimados das duas estrofes finais é bem mais flexível do que nas restantes duas estrofes, permiti-me, no entanto, uma certa e talvez excessiva liberdade na rima final deste soneto em particular[CCD-DDC].