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A mostrar mensagens de julho, 2019

EM CONTRA-MÃO

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  EM CONTRA-MÃO   Também amei demais, se é que isso existe... Mas, se isso existe, então amei demais; Amei como quem prova e não resiste, Amei como um mortal ama imortais.   Amei-te na alegria. Amei-te triste. Amei-te sempre em doses desiguais Que fui servindo enquanto as não puniste Com desculpas, nem com condicionais.   Amei-te sempre até que desististe De reparar nuns tantos ideais Que pra ti preparei, mas que nem viste.   Amei-te em silenciosos rituais Duma eloquência que me não pediste, Flagrante, em contra-mão, cega aos sinais.       Maria João Brito de Sousa – 04.07.2018-14.33h     Na sequência da leitura do soneto “Amei Demais”, de Joaquim Pessoa.    

EU, GATO COM GUIZO

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EU, GATO COM GUISO *   Corro, corro, corro... mesmo não correndo. Varro, limpo e estendo sem pedir socorro E disto me morro, já que vou morrendo De pouco ir fazendo no tanto que corro...   *   Dez metros percorro e já estão doendo Do esforço tremendo, artérias que aforro Para que num jorro me não vão perdendo, Como depreendo enquanto discorro. *   Do que era preciso, pouco ou nada fiz; É certo que o quis, mas... mal me organizo Com rigor, com siso, logo me desdiz *   Um feito infeliz!, e eu, gato com guizo, Confuso, indeciso, vivo por um triz, Baixando o nariz, aceito o prejuízo.   *   Maria João Brito de Sousa – 25.07.2019 – 13.36h     Rabisco de minha autoria

SOMBRAS E CAMUFLAGENS

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SOMBRAS E CAMUFLAGENS   * Do que deixar por erros poluído, Farei sempre triagem rigorosa, Revendo o conteúdo e o sentido De cada verso ou cada frase em prosa,   * Não vá passar-me, assim, despercebido, O espinho traiçoeiro, em vez da rosa... Mas sempre escapa algum, meio escondido Em frase de aparência mais viçosa. *   Disso não tendo culpa, culpa tenho De me não desculpar se vos arranho Com espinhos que escaparam sem que os visse,   *   Mas são meu olhos sombras dos de antanho Que viam erros do menor tamanho Que alguém, sem dar por isso, produzisse.   *     Maria João Brito de Sousa – 16.07.2019 – 11.15h   Imagem retirada   daqui

BOLAS DE SABÃO

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BOLAS DE SABÃO *     São tão lábeis, as bolas de sabão Quanto os meninos são, sem o saber; Elas, rebentam por qualquer razão, Eles, não param de as fazer nascer *   E embora as coisas sejam como são - nem sempre fáceis de compreender -, Para os meninos só a diversão Os impele a correr, correr, correr,   * Atrás de bolas que rebentarão Ao simples toque dessa mesma mão Que se esmerara para as conceber   * E, desta feita, a gratificação Reduz o feito à estranha dimensão Da qual mais colhe quem menos colher.   *   Maria João Brito de Sousa – 10.07.2019 -22.09h   *   NOTA - Soneto criado para um Desafio Poético no site HORIZONTES DA POESIA

ASSIM QUE ROMPA A AURORA

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ASSIM QUE ROMPA A AURORA   *   Cansada de adular moda e pessoas, Despojas-te de véus, quedas-te nua; Tão pronto te rebelas quanto voas Além da Terra e muito além da Lua.   * Bendito seja o som no qual ecoas, Abençoada a voz que, sendo tua, For abalando as mil de que destoas Enquanto sobrevoas cada rua, *   Porquanto nesse vôo te revelas Capaz de confrontar-te com janelas Com mais vista pra dentro que pra fora *   E de onde a prepotente tirania Te algeme à sua eterna miopia, Escapar-te-ás assim que rompa a aurora! *   Maria João Brito de Sousa – 12.07.2019 – 09.19h       Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia

ESTA QUE SOU

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ESTA QUE SOU *   Esta que sou, não é ninguém, Do que sobrou, já nada tem Pois cada bem se lhe esfumou... Aonde eu vou, irá, porém, *   Como convém a quem passou E mal poisou, voou além. Gerou desdém? Não soçobrou E acabou por ser alguém. *   Não há vintém? Nem se importou, De quem a amou, fez-se refém... Quem a detém se se encontrou? *   Tanto teimou, que hoje mantém Quanto a sustém. Nunca abdicou E, se abrandou, foi pra ser mãe. *   Maria João Brito de Sousa – 06.07.2019 – 13.41h *   NOTA – Soneto em verso de oito sílabas métricas e rima encadeada na quarta e na oitava sílaba poética.    

A ÁRVORE DA GRATIDÃO

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A ÁRVORE DA GRATIDÃO   *   Estou-lhe grata por tanta gratidão, Muito embora não julgue que mereça Afeição tão sentida quanto essa, Nem tão vasta e profunda, em dimensão. *   O talento que traz vem-lhe do chão; Não há nada que o trave ou que o impeça De dar-se quando a vida recomeça E gera um fruto novo e doce e são. *   Enquanto o novo fruto amadurece, A chuva o dessedenta e o Sol o beija, Só à árvore-mãe se reconhece *   O mérito de dar, não tendo inveja Das outras, pois que nelas se enternece Até que toda ela frutos seja. *   Maria João Brito de Sousa – 04.07.2019 – 23.43h   * À minha amiga Idalina Pata pelo soneto intitulado "Para ti, Poeta", que teve a gentileza de me dedicar na décima primeira Antologia Horizontes da Poesia.   Imagem - "FLORA", estátua de Teixeira Lopes, Jardim da Cordoaria, Porto.