Mensagens

A mostrar mensagens de abril, 2013

SE (ME) EXALTO

Imagem
  (Soneto em verso eneassilábico)       Se dissinto e me exalto e procuro, Nestes versos de terra batida, O perfeito local do Futuro Onde erguer, no futuro, outra vida   É por ser-me insondável, mas puro, Este querer que me torna aguerrida E este ser, de que não me descuro, Neste estar de chegada e partida!   Se, amanhã, ou depois, me esquecer Do que agora me move e me enleia Nestes ramos de humano saber,   Será tempo de o tempo o dizer Mas, enquanto este qu`rer me norteia, Terei tempo e razões pr`a viver!     Maria João Brito de Sousa – 29.04.2013 – 19.42h       IMAGEM - Desenho de Álvaro Cunhal, série "Desenhos da Prisão"

SONETO DE AMOR À LÍNGUA PORTUGUESA

Imagem
  (Em decassílabo heróico)       Sussurra-me, esta voz que me acompanha E aqui se assume inteira e colectiva, Um gesto que em palavras se desenha Pr`a cumprir-se em canção; sonora e viva!   Então, como se a voz me fora estranha, Dona de autonomia e quase altiva, Flui por mim toda até que em mim se entranha Pr`a me deixar, depois, de si cativa…   Mil palavras me nascem no momento Em que faço da voz discernimento E amor à língua-mãe que me norteia   Porque ela me ultrapassa em “sentimento” E consegue dar voz ao que nem tento Se acato o que outra língua em mim cerceia.         Maria João Brito de Sousa -17.04.2013-18.32h  

ESPADA DE POETA II

Imagem
  (Soneto em decassílabo heróico)     Numa ânsia de lutar por seu país, Fez-se d`aço a pureza dos seus versos No vigor de mil golpes controversos Contra invasor tão vil que nunca o quis…   Que a voz nunca lhe falte e, é já feliz… Quem sabe, agregue, um dia, ecos dispersos D`alguém que, nos momentos mais adversos, Hesite em repetir quanto hoje diz…   (…)   Por sua gente, em luta levantada; Seu verso militante erguendo a espada! Contra o jugo de alguns que tudo querem;   O sabre da vontade, essa indomada! (… e o momento a deixá-la agrilhoada às grades que aos  "outsiders" convierem…)         Maria João Brito de Sousa – 12.04.2013– 21.39h

POEMA MATER(IA)

Imagem
POEMA MATER(IA) * (Soneto em decassílabo heróico)  *   No topo da matéria, uma palavra E lá dentro, pulsando, as palavrinhas… Mas, por belas que sejam, sendo minhas, Nunca irão designar quanto eu esperava * E apenas a paixão, de amante e escrava, Sem opor resistência a tais rainhas, Me obriga à persistência destas linhas Que tão estranha obsessão me comandava *   Porém, recusam mando que não venha Do fundo deste amor que as não desdenha, Ou do corpo/matéria em que me sou *   Quando, em mim, toda inteira, se desenha O verbo que do alto se despenha Sobre a própria palavra que engendrou.  *       Maria João Brito de Sousa – 10.04.2013 – 13.36h  

ESPADA DE POETA

Imagem
ESPADA DE POETA (Soneto em verso eneassilábico) Cá estou eu, decidida a vender Muito cara a provável derrota, Com poemas e rimas por frota, Na batalha ao rigor do Poder! * Não sei bem se esta luta me quer, Se enfeitada com elmo e com cota Chego a ver a mudança da rota, Ou consigo sequer combater, * Mas se luto é por grandes anseios E se avanço enfrentando os receios, Uma gota – não mais! – lhe acrescento * Porque o faço negando os recreios De que os palcos de guerra estão cheios E, por espada, uso o simples talento. *   Maria João Brito de Sousa – 02.04.2013 – 18.52h