VIVER CALANDO A VIDA
VIVER CALANDO A VIDA * Nasceu quente, este Maio, mas eu gelo Privada de sentir garra e paixão... As coisas que me nega um coração Não maior do que um punho ou que um novelo! * A mim, que o (des)cuidei com tal desvelo Que, às vezes, mais lhe quis do que à razão E que, a ela, a deixei sem protecção Para ceder ao seu mais louco apelo, * Nega-me agora a voz franca e sem medo, Cala a palavra livre e destemida... E eu mais uma vez me calo e cedo * À sua prepotência desmedida; Para que pulse, fico no degredo De nem sequer poder cantar a vida. * Maria João Brito de Sousa – 04.05.2019 – 15.33h