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A mostrar mensagens de maio, 2008

O JOGO DE XADREZ

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    É urgente este estar dentro de mim! Impõe-se ir defendendo estas fronteiras De quem tentar entrar de mil maneiras, Com cavalos-de-Tróia... ou de marfim.   Meu jogo de xadrez não terá fim! Erguem-se as duas torres (des)inteiras E nenhum dos peões fará asneiras. (impávido, o relógio faz: tlim-tlim)    Numa "jogada-mestra", eu contra ataco - contra esta maquineta, sou rainha... - E... zás!, dou xeque-mate ao invasor!   O tabuleiro é velho, um pobre caco, Mas... a vitória, essa é toda minha Porque, a este xadrez, sei-o de cor!       Maria João Brito de Sousa - 31.05.2008 - 11.55h   Nota - Soneto reformulado a 18.10.2015 . Imagem retirada do blog soupoeluz.blogspot.com

(A)BRAÇO DE MAR

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    Um abraço do mar é para a vida, Tem uma eternidade pela frente E, embora fugaz, é permanente Pois quando o mar abraça, é de partida.     Cuidado, pois se estás comprometida, Por muito que esse abraço a ti te tente, Há coisas que uma vida não consente E mal o mar abraças estás despedida.     Cuidado! Tem cuidado porque mente O mar que te encantou! Ficas perdida Nesse (a)braço de mar, eternamente.     Bem sei que o mar não te é indiferente Pois, só de o vislumbrar, tu, comovida, Choraste como chora tanta gente.        Maria João Brito de Sousa - 30.05.2008 - 14.10h     Tela de Ki

SEM ESPAÇO, SEM TEMPO E SEM PALAVRAS...

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    Meus amigos,       Não encontro palavras nem sequer para vos explicar por que razão vos não vou hoje visitar a todos... vai soar a desculpa "esfarrapada", vai soar a "coisa que já deveria estar feita"... mas a verdade é que ainda não está e "impõe-se-me um discurso urgentemente!"... Para todos vós fica o convite: Amanhã o poetaporkedeusker vai ser homenageado na Galeria Municipal Verney em Oeiras. Quem puder comparecer será muitíssimo bem vindo! O evento terá lugar às 16.00 h de amanhã, dia 29.05.08, na referida Galeria, sita na Rua Cândido dos Reis, 90-90A em Oeiras e inserir-se-à no âmbito das "Quintas Feiras Culturais" promovidas por aquela instituição e que, neste dia, será dedicado à Associação Portuguesa de Poetas, da qual sou membro e que teve a bondade de escolher a minha humílima pessoa para esta homenagem. Deixo-vos com um soneto "brincalhão", que me nasceu quando fiquei sem espaço no disco rígido, e com a promessa de volt...

O DISCURSO

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O DISCURSO *   Impõe-se-me um discurso, urgentemente! Aquilo que eu disser será escutado E há que ter, como tal, muito cuidado, Não se torne o discurso independente *   O discurso é, por vezes, imprudente: Nós damos-lhe a função de ser recado E o tonto,  faz-se ambíguo e torna errado Quanto sendo pensado era inocente, *   Pois diz-se e desdiz logo o que foi dito, Mostra vontade própria, é traiçoeiro, E às vezes, transformado em ditador, *     Desmente tudo aquilo que foi escrito, Ilude o nosso ouvido o tempo inteiro E destrói a carreira ao orador. *       Maria João Brito de Sousa - 20.05.2008 . Na foto - Pormenor de "Émile Zola" de Édouard Manet, 1868. Museu d`Orsay - Paris  

A MULHER DA LUA

  A MULHER DA LUA * Ouvi agora, senhores, A história verdadeira E muito singular Da mulher que vivia Num quarto de lua Com vista para o mar E usava estrelas cadentes Em jeito de rosinhas-de-toucar * Da que fez o voto De nunca desamar E só pedia à vida A etérea transparência do luar... * A saga começa Dois mil anos antes do nunca-acabar Com a história da mulher Que pariu o menino que havia de voltar * Da que fugiu para o deserto, Não por ter medo do dragão, Mas pr`a poder chorar, Da que continua ajoelhada A procurar , Muda estátua de sal Ou lava de vulcão depois de resfriar * Aquela a quem coube o destino De sete noites, Sobre cada sete noites, Tresnoitar, E das lágrimas choradas Fez brotar Um oásis na aridez lunar * Da que mataria a sede Da alma mais sedenta Que a soubesse encontrar, Da que espera, Sem mesmo acreditar, O dia, Dia a dia mais incerto Em que o menino volte Para a dessedentar. *   Mª João Brito de Sousa 1993 ***

HUMANA CONDIÇÃO

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        HUMANA CONDIÇÃO * Humana lucidez, quem te procura Nas calmas profundezas da razão? Que antiga noite maga, sábia e escura Renova a tua estranha condição? *   Ao depores uma flor em Shanidar, Que sonhos modulavam tua dor? A Lucy, quem a soube consolar? Que medos te assolavam no sol-pôr? *   Em Stonehenge, quem te deu alento? Machu Picchu, que sonho te inspirou? Que chama arde nas grutas de Altamira? *   Se tão sublime sopro de talento Em Kéops e Gizé te abençoou, A Arte é a razão da tua vida! *   Maria João Brito de Sousa - 18.05.2008 - 12.04h    

A FELI(X)CRACIA EM SONETO

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                Um gato é um poema que Deus fez Num dia em que, sentindo-se feliz, Quis ofertar ao mundo um aprendiz Da felicidade eterna e sem porquês   Mas, depois de o criar, pensou, talvez; - Fosse o homem tal qual como eu o quis, Assumindo-se assim, como eu o fiz, Teria, também ele, estas mercês... . Viver, amar a vida e procriar! Ser curioso, ir indo à descoberta De tudo o que há em volta e mais além... . Ser tanto e ainda assim poder sonhar! Ó alma! Ser-se assim, pura e liberta Desta insatisfação que um homem tem...     Maria João Brito de Sousa - 17.05,2008 - 11.42h :) .

A FELI(X)CRACIA

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O PELOURO DOS PERFEITOS GRAFISMOS...

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      Dói-me este orgulho incerto e desmedido E dói-me não ganhar... o que fazer? Nestas andanças do ganhar/perder Doeu-me, desta vez, o ter perdido...   Mas dói-me muito mais ter consentido Que um outro alguém me desse o seu par`cer Porque pior que a perda é não saber Se o livro foi, sequer, aceite e lido...   Pelouro de grafismos tão perfeitos Que eu já imaginava entre os eleitos E que ousei confiar a alheias mãos...   Agora dói-me o ego e nunca mais Julgarei ser melhor do que os demais, Me entregarei assim a anseios vãos...     Ao "Pelouro dos Perfeitos Grafismos", porque é a perder que mais se aprende...                

A ILHA

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    Serei sempre uma ilha de paixões Rodeada de mundo a toda a volta... Deserta por decreto da revolta Que me encheu de lagoas e vulcões...   Em mim os animais são aos milhões, Correndo como o verso, à rédea solta, Pois por cima da lava que me solda Lavrei um verde manto de ilusões   E neste Paraíso em que me dou, Entre ervas, embondeiros, brancos lírios, Sou Arca de Noé de âncora presa!   Talvez alguém duvide do que sou, Talvez seja mais um dos meus delírios, Talvez seja uma forma de defesa...     Maria João Brito de Sousa - 2008   Um dos poemas que foi a concurso no Prémio de Poesia Palavra Ibérica.   Na Imagem - Uma tela de KI - trapezio.blogs.sapo.pt                

O CATIVEIRO

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  CATIVEIRO * Como meridiano-de-mulher Na divisão do Ser em hemisférios, Sou o imponderável dos mistérios Que explica o seu mistério a quem quiser! * Falo a quem me entender, a quem souber Dentro de si achar outros impérios Já fartos das prisões dos cemitérios A que a futilidade os quis prender * Falar-vos-ei de um tempo-antes-do-tempo No modo dos futuros-infinitos Que ainda estão por vir no mundo inteiro *   E de um maior, mais justo entendimento, Que tudo o que se ler nestes escritos Nasceu do que aprendi no cativeiro. * Maria João Brito de Sousa 14.05.2008 - 02.53h ***    

NO CADERNINHO AZUL...

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      Deu-me Deus estas mãos de porcelana Que em breve irão partir-se e ser-me inúteis... Não as hei-de gastar em coisas fúteis, Às mãos que são fugazes como a chama... . Ponho nas minhas mãos o coração. Nelas me ponho inteira e me vou dando E nelas me darei sem saber quando Deixarão de cumprir essa função... . São, minhas mãos, meu único instrumento, A gravação do "eu" sobre o papel De um caderninho azul que alguém me deu . E é nesta missão que reeinvento A minha eternidade e esqueço o fel Da dor que nestas mãos já se acendeu...   Maria João Brito de Sousa - 12.05.2008 - 13.17h . À Ki.    

A CAUSÍDICA

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    Eu sou quem nunca cala nem consente Injustiças e humano desamor... Talvez por assim ser saiba de cor Aquilo que, afinal, é mais urgente...   Advogo a justa causa de quem sofre, Denuncio infracções, aponto o dedo E, venha o que vier, não tenho medo; Minh`alma é tão segura quanto um cofre!   Advogarei aquilo que puder Enquanto esta viagem não termina, Enquanto o corpo breve me durar   Nas fronteiras de um corpo de mulher Que Deus me quis ceder, mas predestina Ao fim da mesma causa milenar...     Maria João Brito de Sousa - 10.05.2008 - 12.35h    

POR UM GIGA...

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  Por um Giga se enfrenta uma batalha, Cresce o engenho em nós, se trava a luta... Por um Giga se acorda e se labuta, Se alcançam impossíveis, se não falha! . Por um Giga se ascende à dimensão Da Eva/Adão em nós, colhendo o fruto Que não será pecado e sim produto Da nossa mais legítima ambição... . Por um Giga se aguçam competências, Se reacende a chama, segue em frente, Se chega ainda além do concebível,   Se transcendem humanas competências, Se ultrapassa o que em nós é aparente, Se alcança o que parece inacessível...     Maria João Brito de Sousa - 09.05.2008 - 12.17h     "MÃE" - Pintura a pastel seco sobre Cavalinho,               Maria João Brito de Sousa, 1962                

O MANTO DA VIDA

MANTO DE VIDA * Conheço-me de cor e salteada: Na amarga lucidez dos meus sentidos Sei-me da humana cor dos meus vestidos Sobre a estranha incerteza de uma estrada * Dou-me desde que a vida me foi dada: Do acender da chama em tempos idos Ao manto remendado dos tecidos Em que me fiz humana e fui amada * Tem o Tempo a textura destas mãos Que ardem de espanto e se enchem da vontade Que aqui se tece em malhas de carbono * E a Vida, como um pacto de artesãos Urdido entre a mentira e a verdade, Tem sempre a brevidade por patrono. * Maria João Brito de Sousa 08.05.2008 - 11.08h ***

O SINO

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  Não lavo humanas mágoas destas mãos! Eu repico a Finados, depois dobro, Em festiva Aleluia o canto afogo Pr`a convocar as almas dos cristãos... . Não escolho entre os cristãos e os pagãos Pois são outras as causas que eu advogo... É gratuito o meu canto. Eu nunca cobro Por cantar para vós, ó meus irmãos! . Nas matinas ecoa a minha voz... Ressoa ao sol-poente a despedida Desta canção de mim ,que é imortal, . Que vos vai convocando, a todos vós, A partilhar comigo a minha vida Embora eu seja feito de metal... .  

O VESTIDO DE MENINA

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  Da seda, branco linho, ou do tobralco De um poema nascido de outro alguém, Ficou-me imagem breve, aqui, além, De panos recoberta, como um palco . E chega-me um cheirinho a pó-de-talco, À cânfora, que usava a minha mãe, E à arca de pau-preto que ninguém Sabe ir escondendo os sonhos que recalco... . Vão ficando, indeléveis, na memória Palavras de cetim, ou de algodão De mui branda textura feminina   Que despertam, de forma aleatória, Ao toque da varinha-de-condão, Lembranças de um vestido de menina...     Maria João Brito de Sousa - 05.05.2008 - 12.58h . A um poema recitado na Galeria Verney por uma poetisa da APP.  

A HONESTA VENDEDORA-DE-SONHOS

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Um sonho que eu já tive... alguém o quer? Alguém precisa de um que esteja usado, Dos tais que nunca deram resultado Senão em fantasias de mulher? Alguém pode comprar-me outro qualquer, Ainda por usar, nunca estreado? (… vender um sonho é, no entanto, errado... sonhos não são objectos "de aluguer"...) Já vos não vendo nada! O sonho é vosso, Desponta-vos da carne e vai crescendo Até vos preencher, rumando em frente, Por dentro da semente - antes caroço.. -, De fruta que estivéssemos roendo... ( ...nunca um só sonho agrada a toda a gente...) Maria João Brito de Sousa – Maio, 2008 NOTA – Soneto reformulado a 23.07.2015 . "LA FEMME QUI PEINT L`ENFANT ETERNEL", 76x63cm Acrílico sobre tela, Maria João Brito de Sousa, 2006

CABELOS DE LUAR

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De quantas meias-luas serei feita? Quantas, ó lua irmã, serei de ti? Em quantas meias-luas me vivi Neste anseio lunar de alma imperfeita? . Em quantas meias-luas já desfeita Chorei por me dizeres que te menti? E feita meia-mar serei, por ti, A outra meia-lua, a tua eleita! . Ah! Quanto mar na Lua que vou sendo, Ou quanta lua em mim, neste meu mar E quanto estranho amor entre esses dois; . No espelho desse mar é que vou vendo Os meus cabelos brancos, de luar, À espera de um luar que vem depois...   Maria João Brito de Sousa - 03.05.2008 - 13.04h . Dedicado a duas amigas que acreditam que eu "ficarei" mais jovem se pintar o cabelo. E para que raio quereria eu "parecer" mais jovem? . "Harmonia e Preconceito", 40x30cm, Acrílico e Pastel de Óleo s/ Canson (entre-vidros)

SOLTAI O SONHO...

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Há uma flor na Lua, à meia-noite... (bem sei que é mero sonho, uma ilusão, mas será flor, tal como as outras são, onde esse imaginário assim se afoite...)   Há uma flor na Lua! É Lua-cheia, Um sonho `inda em botão desabrochou E quanta luz na Terra derramou A flor que floresceu da própria ideia...   Se solto, o sonho em nós é criador; Engendra o que quiser (e quer bem mais!), Semeia, colhe e explode ao sobressalto   De um dom primordial rasgado em cor... Por quanto sonho em vós `inda guardais; Soltai-o pr`a que suba inda mais alto!     Maria João Brito de Sousa - 02.05.2008 - 13.28h   "Mulher em Molho de Luar", 68x56cm, Pastel de Óleo sobre Canson (entre-vidros), Maria João Brito de Sousa, 1999 . Soneto dedicado ao meu amigo V.A.D., pois nasceu, agora mesmo, de um diálogo online, e a Albert Einstein porque muito provavelmente o subscreveria se estivesse vivo.

A META

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Nesse céu onde almejo à vida eterna -Paraíso de mim que, em mim, criei...-, Sou ilha nesse mar onde engendrei A rota, à compulsão que me governa;   Um ego a que não nego os impossíveis Futuros de imperfeita-perfeição, Uma tela `inda branca (a tentação...) E mãos que vão escrevendo, `inda sensíveis...   Meu sonho inacabado! E quanto assumo Da tua incoerência (ou será minha?) Assim que em ti deponha o próprio anseio...   Ó meta de ideais deste meu rumo, É a poeta em mim quem te adivinha E pode, a razão, mais do que o receio!     Maria João Brito de Sousa - 01.05.2008 - 10.52h .