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DEUSES SOMOS NÓS!

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"Pensando nos secamos e perdemos Esta força selvagem e secreta Esta semente agreste que trazemos E gera heróis, homens e poetas"   Ary dos Santos     Glosa   "Deuses somos nós!"     "Pensando nos secamos e perdemos" Mas, não pensando, iremos na colecta Do que outrem, mais astuto, nos prometa E que, no fundo e sem saber, já temos;   "Esta força selvagem e secreta" Em que, hora a hora, nos reacendemos Já que concretamente a concebemos Abstracta, de aparência, mas concreta,   "Esta semente agreste que trazemos" Nesta barca de espanto, em seus dois remos, Na vela que reclama hastes erectas   "E gera heróis,(e) homens e poetas"... Eis quanto nos define. O que seremos? Dessa mesma matéria o talharemos!     Maria João Brito de Sousa - 22.06.2017 – 16.48h   In “ERA UMA VEZ UM POETA... ARY DOS SANTOS, UM POETA ORIGINAL” Antologia Horizontes da Poesia, 2017, Euedito      

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE - LUAS...

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  NA PENUMBRA PINTADA PELA LUA     É teu corpo um soneto que imagino Que escrevo tantas vezes e, adormeço No verso que o percorre peregrino Por curvas e caminhos que conheço   Outros versos me levam ao destino Quando as horas me acordam e te peço Que completes um tal verso ladino E dês ao meu poema recomeço   Na penumbra pintada pela lua Crescem versos da rima quente e nua Que fazem a beleza dessa escrita   Sem haver da manhã sequer vislumbre Declamo cada verso com deslumbre Quando de mim se abeiram em visita     MEA 23/10/2017   ************   NUM RECANTO QUALQUER DO MEU PASSADO     “É teu corpo um soneto que imagino” Recolhido num berço, eternizado Pela minha memória, meu menino, Num recanto qualquer do meu passado.   “Outros versos me levam ao destino” Desse bercinho em mim cristalizado, Mas sempre que te evoque, pequenino, Estarás presente, embora em tempo errado;   “Na penumbra pintada pela lua”, Abres porta e sais comigo à rua Num gesto rotineiro e natural.   “Sem haver da manhã ...

GLOSANDO JOÃO MOUTINHO II

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  SONHO SOLTO   Sento-me, só, no colo das ideias Do verso branco que não sei parar… Sinto o dilatar de todas as veias Que pulsam em mim, sem me sossegar   Todos os elos, todas as cadeias, Todas as ondas me vão navegar E desaguar nas mesmas areias Do mesmo sol-pôr, do mesmo luar   Cavalgo as marés da tua ternura Nas dunas de pele que quero sorver… Saciando a sede na tua candura   O sonho só solto ao anoitecer No amanhecer da minha loucura No verso de amor que não vou escrever   João Moutinho POR ELA “Sento-me, só, no colo das ideias”, Enlaço-me nos braços da Razão E, apagada a chama das candeias, Confronto a minha humana condição; “Todos os elos, todas as cadeias”, Todas as formas de escravização, São coisas que não sabes, mas premeias, Não por palavras, mas por omissão. “Cavalgo as marés da tua ternura” Quando descanso e sempre que puder, Mas assim que a Razão sonda e perfura “O sonho só solto ao anoitecer”, É por ela que aceito esta ruptura E, por ela, só dela passo a ser.   Maria Joã...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE - Poetas

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  QUERIA SER POEMA   Queria ser poema, não poeta Poema que espalhasse afecto e amor Por todos os recantos do planeta Onde se dita a guerra, se faz dor   Poema que escorresse da caneta De qualquer presidente ou ditador Que ao assinar metesse na gaveta Tal decreto com fim exterminador   Queria ser poema no luar Para poder à noite iluminar Quem nada tendo dorme na calçada   Poema só com versos de amizade De alegria, prazer felicidade Lidos em cada triste madrugada     MEA 14/08/2017 UNOS, AINDA QUE SÓS “Queria ser poema, não poeta”, E tantas, tantas vezes o sonhei Que acabou por ser essa a minha meta Quando, ao último verso, enfim cheguei. “Poema que escorresse da caneta” Como sangue da carne em que o gerei, Que me deixasse grávida e repleta Do tanto que perdi quando me dei. “Queria ser poema no luar”, Ou verso apenas, sob a luz solar, Mas sempre sob um sol de todos nós. “Poema só com versos de amizade” Que nunca nos negasse a liberdade De sermos unos, mesmo estando sós. Maria João Brito ...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE - Barquito/Jangada

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UM BARQUITO NO TEJO Lá ao longe nas águas cor de prata Onde o sol se refresca ao fim do dia E onde o Tejo convida uma fragata Vai um barquito, só...sem companhia   Vai sereno na sua passeata Deslizando em reflexos de poesia Sob a ponte onde a água é mais pacata Quando a tarde é já cor de fantasia   Parece quedo ali ao meio do rio... Somente o balouçar lento e macio Denota que ele vai a navegar   De vela içada segue o seu destino E ao leme leva um sonho de menino Feito de sol de brisas e de mar   MEA 20/08/2017 ******** JANGADA DE SONHOS “Lá ao longe, nas águas cor de prata”, Flutua uma jangada aventureira Humilde, porque toda se recata, Sem âncora, sem rumo e sem fronteira. “Vai sereno/a na sua passeata”, Ao sabor das marés voga ligeira; Só nas cristas das ondas se retrata E só no azul do céu se espelha inteira. “Parece quedo/a, ali, ao meio do rio”, Onde não passa mais nenhum navio; O mar que a espera é seu, de mais ninguém! “De vela içada segue o seu destino” Deixando atrás de si o r...

GLOSANDO CHICO BUARQUE

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  SONETO Por que me descobriste no abandono Com que tortura me arrancaste um beijo Por que me incendiaste de desejo Quando eu estava bem, morta de sono? Com que mentira abriste meu segredo De que romance antigo me roubaste Com que raio de luz me iluminaste Quando eu estava bem, morta de medo? Por que não me deixaste adormecida E me indicaste o mar, com que navio E me deixaste só, com que saída? Por que desceste ao meu porão sombrio Com que direito me ensinaste a vida Quando eu estava bem, morta de frio? Chico Buarque SONETO II Porque vieste assim, louco e sem dono, Falar-me de mil coisas nunca ouvidas E me afagaste com mãos decididas, “Quando eu estava bem, morta de sono?” Porque bateste à porta, manhã cedo, E me ofuscaste em luz, na luz que entrava Por essa mesma porta que eu fechava, “Quando eu estava bem, morta de medo?”   Porque é que me quiseste dividida, Se inteiro preencheste este meu rio “E me deixaste só, com que saída?” Porque foi que sorveste cada fio Duma água que jamais fo...

GLOSANDO ALBERTINO GALVÃO II (?)

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  TEMPO INSENSÍVEL Soneto em versos de 11 sílabas (os meus preferidos)   A noite caíra encobrindo a cidade E as poças que a chuva da tarde fizera! Da minha janela soprava-me a espera Enquanto embalava, no colo, a saudade   Inspirei, absorto, a fria humidade Soltei o soluço que em mim retivera Pensando que bom, oh meu Deus quem me dera Ter hoje e agora quinze anos de idade   Mas sendo insensível o tempo não trava A louca corrida que o relógio grava E segue somando minutos e anos   Indif’rente a sonhos desejos e planos Lá vai me lembrando que ele ao ir passando De mim vai também minha vida levando.   Abgalvão (in Palavras com Alma) BAIXOS-RELEVOS (em versos de onze sílabas métricas) “A noite caíra encobrindo a cidade” Que em sombras desvenda seus becos, vielas, Seus prédios mais altos e suas capelas Que, de alvas, brilhavam sob a claridade. “Inspirei absorta a fria humidade”, Chorei sob um céu sem lua, nem estrelas, Onde nada brilha... nem um rasto delas No intenso negrume que agora me i...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE (cinquenta e nem sei quantos...)

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  COLHI CACHOS DE SOL   Colhi cachos de sol já à tardinha E juntei-lhe uma fruta bem madura Com água, gelo e gim. Fiz caipirinha Que fui bebendo em copos de ternura   No olhar ficou em jeito de adivinha O fulgor que o sol pôs nesta mistura Senti-me ao fim da tarde uma rainha Dourada como a mais bela escultura   Já a lua vestia de cambraia Descalça entrei nas ondas duma praia E apanhei nelas véus de renda fina   Cobri o rosto e andei sem rumo exacto Pensamento vazio olhar abstracto Nos pés descalços asas de menina   MEA 22/07/2017 ***********     FAMILIAR(IDADES)... “Colhi cachos de sol já à tardinha”, Gomos de lua cheia e reluzentes Bagos, desses que brotam duma vinha De que outros se embebedam, desistentes... “No olhar ficou um jeito de adivinha”; Sabes, de saber feito, ou só pressentes, De mim, quanto era meu? Que me mantinha Assim, perseverante, entre indif`rentes? “Já a lua vestia de cambraia” Quando, no horizonte, o sol desmaia E, fascinada, então, pelo poente, “Cobri o rosto e an...

AINDA GLOSANDO FLORBELA ESPANCA III

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  RENÚNCIA A minha mocidade há muito pus No tranquilo convento da tristeza; Lá passa dias, noites, sempre presa, Olhos fechados, magras mãos em cruz... Lá fora, a Noite, Satanás, seduz! Desdobra-se em requintes de Beleza... E como um beijo ardente a Natureza... A minha cela é como um rio de luz... Fecha os teus olhos bem! Não vejas nada! Empalidece mais! E, resignada, Prende os teus braços a uma cruz maior! Gela ainda a mortalha que te encerra! Enche a boca de cinzas e de terra Ó minha mocidade toda em flor! Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"     AFIRMAÇÃO   “A minha mocidade há muito pus” No cantinho das coisas já passadas Que guardo, dia a dia acumuladas, Porque só a memória as reproduz...   “Lá fora, a noite, Satanás seduz!” Mas eu que, renegando almas penadas, Observo as gentes tristes e cansadas, Deduzo cada medo que as traduz;   “Fecha os teus olhos bem! Não vejas nada!” - Só fecho os olhos quando, atordoada, Possa o sono nublar-me a lucidez!   “Gela ainda a ...

GLOSANDO JOÃO MOUTINHO

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  AGORA II   Agora, diz-me tudo o que quiseres Agora, é o momento de sentir Agora, não desfolho malmequeres Agora, é o instante de sorrir   Agora, é uma pressa que tu queres Agora, é outro passo no porvir Agora, é outra seta que desferes Agora, nem me chegas a ferir   Agora, já passou, já é futuro Agora, foi o tempo que perdi Agora, se quiser, posso ser puro   Agora, não importa o que vivi Agora, já não posso ser mais duro Agora, já não sei viver sem ti     João Moutinho MORDENDO O ALHEIO FRUTO “Agora, diz-me tudo o que quiseres”, Agora, e não depois, te glosarei, Agora, bem sabendo que preferes Que apenas prove e diga que gostei. “Agora, é uma pressa que tu queres” E foi precisamente onde eu parei, Agora, vou esquecer quanto opuseres Aos versos que, na pressa, te roubei. “Agora, já passou, já é futuro” Agora, sem pedir - nada pedi... -, Tomo posse daquilo que capturo. “Agora, não importa o que vivi”, Mordo o poema urgente e já maduro Que sem pedir licença aqui colhi. Maria João Brito ...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XLV

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    FANTASIA, SONHOS E BRINQUEDOS   Há  fantasia, sonhos e brinquedos Fundidos com amor e esperança Alegria aventuras e segredos Nos olhos inocentes da criança   E quando chora e grita com os medos Nos seus olhos há gotas numa dança Translúcida, que brotam quais torpedos Até sentir de novo ar de bonança   Se na água do rio se vê espelhada Tem nos olhos uma estrela desenhada Que cintila nos risos que declama   Como sendo poemas, esses risos Mágicos,  que se fazem de improvisos Quando os seus olhos vêm quem ama     MEA 1/06/2017   A CURIOSIDADE INFANTIL "Há fantasia, sonhos e brinquedos" E essa curiosidade natural Que, ao fervilhar nas pontas dos seus dedos, Desvenda do complexo ao mais banal   "E quando chora e grita com os medos", São esses choros coisa ocasional, Porque logo se apagam nos folguedos Que engendra pela casa, ou no quintal...   "Se na água do rio se vê espelhada", Sobre ela se debruça extasiada, Fantasiando sobre o que ali viu...   "Como...

GLOSANDO HELENA FRAGOSO III

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  PERDI-ME     Perdi-me nos abraços da saudade Nos passos que me esquecem no caminho Na escuridão que ensombra de verdade O que restou do lar que era meu ninho...   Perdi-me nesta noite de ansiedade Neste tempo desfeito, tão sozinho... Sentindo a cada passo a realidade Deste meu mundo triste...que adivinho.   Mas tento inda encontrar essa vontade De vencer a tristeza que me invade E luto no final do meu caminho...   Perdi-me nos abraços da saudade Nesta triste e cruel realidade Sentindo que por vezes já definho...   Helena Fragoso     ULTRAPASSAGEM   “Perdi-me nos abraços da saudade”, Mas mesmo que a saudade me faltasse, Ter-me-ia bastado a liberdade Pedir-me que fosse eu quem a abraçasse…   “Perdi-me nesta noite de ansiedade” E embora em minha cama pernoitasse, Sonhei ser uma escrava que se evade Das masmorras de fel que outrem criasse…   “Mas tento inda encontrar essa vontade”; Onde hoje encontro só contrariedade, Enfrento, dia e noite, o mesmo impasse…   “Perdi-me nos abraços da sau...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XLIV

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  QUANDO A NOITE CHEGA   Serenamente a noite chega e traz Um bailado com fitas de luar Num brando musical que se perfaz Nos sonhos que se formam num olhar   Se uma sombra dançante, satisfaz  Fantasias que crescem no lugar Onde o som do silêncio é capaz De num abraço quente vir beijar   Os lábios que trauteiam as canções Ao ritmo do bater dos corações Quando sonho visita o pensamento   E junto com as estrelas e o luar Há um conjugar perfeito um embalar Que leva a viajar plo firmamento      MEA 9/05/2017     FINITUDES   “Serenamente a noite chega e traz” Um pouco de descanso ao torturado Corpo que já não busca senão paz, Quando da própria paz se vê privado.   “Se uma sombra dançante o satisfaz” E devaneia um tanto alucinado, Será só porque a dor não foi capaz De lhe apagar um sonho antes sonhado.   “Os lábios que trauteiam as canções”, Cerram-se agora em estranhas contorções, Que a dor que quer esquecer não foi vencida   “E junto com as estrelas e o luar”, Está a dor, sempre pronta pr`a ...

GLOSANDO IDALINA PATA

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  EU E AS PALAVRAS Juntos , tu, eu e as palavras, Vamos pela vida lado a lado, Tentando esquecer o que é passado, Para ter o futuro que ambicionava.   A palavra é a minha companhia, Nos melhores momentos e nos maus, Quando a minha vida está um caos, Busco na palavra a energia.   Às vezes não encontro o que dizer, E por essa razão eu fico triste, E sinto que por dentro estou vazia.   Mas quando começo a escrever, Vejo que a Paixão ainda existe, E volta de novo a alegria.   Maria Idalina Pata 29-03-2017   *******************   O MEU CANTIL DE PALAVRAS "Juntos, tu, eu e as palavras", Escrevemos tudo aquilo que entendermos Desde que essas palavras sejam termos Concretos e leais, nas suas lavras...   "A palavra é a minha companhia", Minha raiz, meu fruto e meu sustento; Dela me nasce um caule, inda rebento, Que cresce noite a noite e dia a dia...   "Às vezes não encontro o que dizer" Porque a palavra tarda em renascer Quando a vida me lança em campo hostil,   ...

GLOSANDO VASCO DE CASTRO LIMA

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  COLHEITA Surge o coro dos pássaros cantores na catedral pagã da mataria. O milho ruivo e os pomos tentadores cobrem a terra pródiga e sadia. É o tempo da colheita. Os segadores remoçam, cantam, choram de alegria. Como prêmio ao suor dos lavradores, não vai faltar o pão de cada dia. Garças esbeltas, de alva formosura, passeiam pelo campo aquela alvura que põe, no verde, branquidões bizarras. E o coqueiro se curva, satisfeito, porque ainda vibra, dentro do seu peito, o zunido estridente das cigarras... Vasco de Castro Lima In osecularsoneto.blogspot.pt COLHEITAS,,, "Surge o coro dos pássaros cantores" E eu páro de cantar, que é já cumprida A função de aliar-me aos produtores Das mais belas colheitas desta vida. "O tempo é de colheita. Os segadores" Empunham, com mão forte e decidida, As foices e, esquecendo algumas dores, Empenham corpo e alma na corrida. "Garças esbeltas de alva formosura" Vão-nos sobrevoando a grande altura, Um mesmo sol dourado os abenç...

GLOSANDO SAÚL DIAS

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  JÁ FOSTE RICO E FORTE E SOBERANO     Já foste rico e forte e soberano, Já deste leis a mundos e nações, Heróico Portugal, que o gram Camões Cantou, como o não pôde um ser humano! Zombando do furor do mar insano, Os teus nautas, em fracos galeões, Descobriram longínquas regiões, Perdidas na amplidão do vasto oceano. Hoje vejo-te triste e abatido, E quem sabe se choras, ou então, Relembras com saudade o tempo ido? Mas a queda fatal não temas, não. Porque o teu povo, outrora tão temido, Ainda tem ardor no coração. Saúl Dias, in "Dispersos (Primeiros Poemas)"     **************************************   DEPOIS DE CADA NOVA PROVAÇÃO   "Já foste rico e forte e soberano," Cruzando o mar remoto dos mil medos, Das ondas, dos abismos, dos rochedos Que a tantos provocaram tanto dano.   "Zombando do furor do mar insano", Tentaste ir desvendando os seus segredos E, conseguiste, embora os mil degredos, Conhecê-los melhor, ano após ano.   "Hoje vejo-te triste e ab...

GLOSANDO JOÃO DE DEUS

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O SEU NOME   Ela não sabe a luz suave e pura Que derrama numa alma acostumada A não ver nunca a luz da madrugada Vir raiando, senão com amargura! Não sabe a avidez com que a procura Ver esta vista, de chorar cansada, A ela... única nuvem prateada, Única estrela desta noite escura! E mil anos que leve a Providência A dar-me este degredo por cumprido, Por acabada já tão longa ausência, Ainda nesse instante apetecido Será meu pensamento essa existência... E o seu nome, o meu último gemido.   João de Deus   (Campo de Flores, 1893) In Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora   INOCÊNCIA(S)   "Ela não sabe a luz suave e pura" Que um soneto lhe acende, ao desfolhar-se E não pode, portanto, recordar-se De jamais ter provado essa doçura,   "Não sabe a avidez com que a procura" Da pura melodia, ao ter-se, ao dar-se, Lhe traria a certeza de encontrar-se A fundo, até ao ponto de ruptura,   "E mil anos que leve a Providência...

GLOSANDO TEIXEIRA DE PASCOAES

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    TRISTÊZA   O sol do outomno, as folhas a cair, A minha voz baixinho soluçando, Os meus olhos, em lagrimas, beijando A terra, e o meu espirito a sorrir... Eis como a minha vida vae passando Em frente ao seu Phantasma... E fico a ouvir Silencios da minh'alma e o resurgir De mortos que me fôram sepultando... E fico mudo, extatico, parado E quasi sem sentidos, mergulhado Na minha viva e funda intimidade... Só a longinqua estrela em mim actua... Sou rocha harmoniosa á luz da lua, Petreficada esphinge de saudade... Teixeira de Pascoaes, in 'Elegias'     (Foi respeitada a grafia original)   ***************************   ROTA     "O sol do outomno, as folhas a cair" Dos ramos açoitados, baloiçando, Porque o vento implacável vai soprando E antecipando o frio que irei sentir,   "Eis como a minha vida vae passando" E como, apesar disso, hei-de cumprir, Enquanto esta vontade o consentir, Os dias que essa vida me for dando...   "E fico mudo, extatico, parado...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XLI

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  UM POUCO DE PRIMAVERA   Naquela verde relva do jardim Há salpicos de vida já brotando Com a brancura fresca do cetim São mesa posta a pássaros em bando   Que saltitam por ela em frenesim Ora ali voando ora debicando Num bailado de voos sem ter fim E em alegres chilreios vão rimando   Versos em que prometem Primavera Em abraços voados pla atmosfera Que nas manhãs de sol pintam no espaço   E expressam melodia tão fremente Com destreza singela e inocente Mudando a cada instante seu compasso   MEA 21/02/2017   ********************   MÁTRIA     "Naquela relva verde do jardim", Expressando a vida em cor, rejubilantes, Há vidas que parecem não ter fim, Que renascem tão vivas quanto dantes,   "Que saltitam por ela em frenesim" Contrariando os mais recalcitrantes, Pois Vida, ao renascer, renasce assim, Em ciclos pré-datados e constantes...   "Versos em que prometem Primavera", Toda a Vida os compõe, vindos da espera Que precede as razões de cada dia   "E exp...