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A mostrar mensagens de março, 2013

"IRONIC"

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  (Soneto em decassílabo heróico)     No substracto inorgânico e espontâneo Do voo das palavras que não escrevo, Desvendo muito mais do que o que devo, Discirno original de sucedâneo,   Pressinto a mutação, toco o genoma Da vida que em mim pulsa ardentemente, Deponho a frustração nas mãos da mente E quase me separo do meu "soma"...   (...)   Não fora - enorme! -  o fluxo migratório A fazer-me lembrar o rumo inglório Do povo castigado a que pertenço   Talvez eu acabasse acreditando Que uns versos que não vejo, nem comando, Fossem fruto daquilo em que nem penso.         Maria João Brito de Sousa - 08.03.2013 - 19.00h     IMAGEM - "Os Retirantes", Portinari

MURALHAS DE DEFESA

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  (Decassílabo heróico) Impões-me: -Vem pr`aqui, vai pr`acolá!, De forma impessoal, paternalista, Que em tantos prenuncia uma conquista Mas que de modo algum me afectará Insistindo em lembrar que o mundo dá, Àquele que, obedecendo, não resista Ao “isco” de promessa tão simplista, Estatuto e bens rivais dos de Sabá… Invariavelmente te respondo Que não esperes senão um não redondo No que toca a mudar-me a natureza Pois, d`aquilo que sou, nada te escondo E, antes que te imponhas, vou-te impondo Invencíveis muralhas de defesa. Maria João Brito de Sousa – 07.03.2013 IMAGEM - Gravura de José Dias Coelho

GESTO PONTUAL

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  (Soneto em decassílabo heróico)   Garante-me o dorido, insone dia, Um momento qualquer de insurreição, Um vislumbre de clara epifania, Um grito de revolta ou de paixão,   Mas sei que tanto faz! Tanto daria Dizer ou desdizer… contradição Seria querer extrair desta agonia Labor que merecesse a criação.   Buscando, no mais fundo de quem sou, Razão pr`a me lembrar do que restou Dos mil versos vibrantes que criava,   Redescubro, na força que os gerou, Um gesto pontual que se lembrou De eclodir sob a forma de palavra.         Maria João Brito de Sousa – 06.03.2013 - 18h       IMAGEM – “The Weeping Woman”, Pablo Picasso, 1937  

ESPANTO[S] ou "Lembrando os fios..."

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ESPANTO(S) ou Lembrando os Fios * Diz-me o espanto que a lua irá tardar, Que a tarde se toldou, que o céu cinzento Lh`impôs um manto espesso e turbulento Qu `irá manter escondido o véu lunar… * Diz-me este espanto que não sei calar Que ao que me for roubado o reinvento E brota-me o poema enquanto tento Que o espanto me não deixe de espantar * Por força de entender que nada espanta O verso que, em repouso, se decanta E depois, ao jorrar, se alarga em rio * Que em breve se reforça e se agiganta, Mudou-se o fio num mar de força tanta Que me espanta lembrá-lo enquanto fio... *   Maria João Brito de Sousa – 13.03.2013 IMAGEM - Desenho de Álvaro Cunhal