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A mostrar mensagens de março, 2021

ANTES QUE O SOL NASÇA...

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ANTES QUE O SOL NASÇA *   Antes que o sol nasça, lembrar-te-ei que as noites justificam o retorno dos dias e que as borboletas, como as palavras, rastejam, estéreis, antes de voar  * Lembrar-te-ei, ainda que eu própria o tenha esquecido, que todos os horizontes germinam na lonjura exacta do alcance do teu olhar apesar dos teus olhos  o imaginarem na fronteira do sonho (in)comum  * Lembrar-te-ei, ainda que a lua possa desmentir-me, que as manhãs te irão sobreviver e que as montanhas nunca se vergaram a uma vontade isolada porque só as mãos juntas apontam os caminhos que vale a pena desbravar nas longínquas escarpas do monte improvável e nada do que eu te lembrar fará sentido a menos que o descubras antes que o sol nasça *       Maria João Brito de Sousa – 18.10.2012 – 16.13h

CAMINHO(S)

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CAMINHO(S) * "Sonho de olhos abertos, caminhando" Bem mais do que contava caminhar E só de olhos abertos sei trilhar Estes caminhos que encontrei sonhando * Como luz que se acende e vai brilhando, Assim se me ilumina o caminhar Em quantos passos der, sempre a sonhar, Acordado, contudo, e avançando... * Não posso conceber um melhor guia Do que este, passo a passo conseguido, Que a cada passo dado me alumia, * Mas sei que se sonhasse adormecido Talvez me alumiasse ao fim do dia "Outra luz, outro fim só pressentido..." *   Maria João Brito de Sousa - 29.03.2021 - 20.11h *   Entre aspas, versos de Antero de Quental.  Soneto criado para uma rubrica do Horizontes da Poesia *   Na fotografia, o meu pai no seu escritório do nº 91-A da Rua Luís de Camões, Algés

PARA TE AMAR, POEMA....

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    PARA TE AMAR, POEMA * Nenhuma montanha será demasiado alta para te amar, poema, para te amar, tão só…  * E decido-me a deixar-te tombar…   Na queda confundem-se flor e pássaro, tempo e modo, metáfora e urgência real de não chegar ao fim *  Porém, tudo não dura mais do que a palavra que, num súbito recuo, opto por não deixar cair. *   Salvo “in extremis” no segundo imediatamente anterior ao impacto derradeiro, devolvo-te às asas a que sempre pertenceste e enfrento, mais só do que nunca porque consciente e lúcida, o maior de todos os riscos no crescente declive das banalidades  * É tempo de dormir. Amanhã será um novo dia para te amar, poema, para te amar, tão só… *       Maria João Brito de Sousa – Poema manuscrito a 24.12.2012 – 02.00h * Tela de minha autoria, fotografada e  digitalizada por Vítor Martinez * NOTA - Mais uma vez, por pontual ausência da Musa, trago um poema de verso branco à morada do soneto

SOPAS & DESCANSO

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Para sorrir um pouco, leia  aqui, se faz favor

UMA "DEIXA" IMPROVISADA

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UMA "DEIXA" IMPROVISADA * (pormenor de bastidores) * Claríssima, a manhã espreita a nudez De uma protagonista enluarada Que acorda enrubescida e estremunhada De um sono que durava há mais de um mês. * No palco, a sua deixa, a sua vez, Vai a meio de ser representada Por uma musa atenta e acordada Que do seu sono a tempo se refez. * Sendo esta peça feita de improvisos, Entra a protagonista noutra altura, Esbanjando vénias, gestos e sorrisos * Prossegue, então, a Peça, que a cultura Nasce também de gestos imprecisos E de erros que alguns julgam ser sem cura. *   Maria João Brito de Sousa - 27.03.2021 - 13.11h

HUMANA NATUREZA II

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  HUMANA NATUREZA II *   "Vai a fresca manhã alvorecendo" No limbo das razões adormecidas E do sono despertam novas vidas Que, pouco a pouco, vão prevalecendo * Sobre as que o sono eterno foi vencendo E que, de madrugada, são esquecidas; Mil teorias são então tecidas Sobre outras tantas que fomos tecendo. * Como humanos que somos, questionamos, Teorizando tudo. Ateu ou crente, O homem teoriza. E constatamos *   Que o dia dorme já serenamente Enquanto, estremunhados, suplicamos; "Torna a alentar-te, ó sol resplandecente!" *   Maria João Brito de Sousa - 25.03.2021 - 12.30h * Entre aspas, versos de Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre (Marquesa de Alorna) Soneto criado para uma rubrica do Horizontes da Poesia

METÁFORA - Manifesto

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METÁFORA (Manifesto) *   Eu digo-te que o sol floresce limpo sobre o estrume das aparências e que as palavras são casas nas cidades da voz  * Digo-te que as ruas são mãos a (re)pousar, que as estátuas de pedra são canções e que as canções são luas, de tão brancas…  * Dir-te-ei, vez por outra, que as plantas são mulheres e homens cansados da colheita improvável, que os dias – todos eles – são movimento, que as noites são o esconderijo dos sonhos à espera de acordar e que os muros são pontes entre agora e depois  * Falar-te-ei de passos sem distância, de espaços sem medida, de memórias sem tempo e de gente sem medo de morrer, mas jamais me ouvirás falar de renúncia enquanto o murmúrio me for permitido na cidade da voz libertada *   Também a metáfora se come, se bebe e não sabe render-se enquanto viva *       Maria João Brito de Sousa – 03.09.2012 – 18.12h      

VENDAS

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Imagem retirada  daqui   VENDAS *   Vendaram-me estes olhos que desvendam, (que desvendavam quando desvendados) Caminhos dia a dia vislumbrados A que os olhos vendados se me prendam. *   Ainda que os meus olhos pouco entendam, Ir-mo-ão desvendando os passos dados Pois todos os caminhos são lavrados Pelos arados que se lhes não rendam. *   Abrem os passos ruas que se fecham Atrás dos mesmos passos que as abriram; São caminhos que rasto nunca deixam, *     Ruas que apenas nossos pés serviram Ainda que esses pés pouco se mexam E ainda que esses passos muito os firam. *     Maria João Brito de Sousa – 2020/2021(?)   *   NOTA - Encontrei este soneto de rima toante nos ficheiros, sem data. Não posso estar segura de nunca o ter publicado, mas penso nunca o ter chegado a fazer.   

PAPOILA(S)

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Papoilas - Monet   PAPOILA(S) *   Estão secas as papoilas que murcharam Mas será sempre rubra a sua cor Que é a dos corações abrindo em flor Sobre o verde do prado em que brotaram. *   Persistem na memória em que atearam As chamas rubras desse seu fulgor E sabem ao melhor que há no melhor Da cor vermelha com que o chão pintaram. *   Tão belas e tão frágeis quão selvagens Parecem, bastas vezes, ser miragens Em vez de coisas vivas e reais *   Que se espraiam na tela das paisagens Pontilhadas de vida e de mensagens Escritas pra serem lidas por mortais. *   Maria João Brito de Sousa - 22.03.2021 - 10.56h * NOTA - Porque  a Vida e a Poesia não se confinam, logo, às 19.30h de hoje, dia 23 de Março, estarei  aqui . Quer-me fazer companhia?  

SEDE(S)

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Eu, fotografada em 1972   SEDE(S) * "Encontraste-me um dia no caminho" Que eu fazia sozinho, em desencanto; Não te esperava nem esperava tanto De um desencanto assim, tão comezinho... * Foi então que deixei de estar sozinho Neste caminho em que floresce o espanto E em que utrapasso a dor e o quebranto Sempre que assumo um passo mais asinho * Deste-me a mão, sondaste de mansinho A vulnerab`lidade do meu manto De sede ardente e do mais puro linho * E tanta sede em ti sentiste, quanto Em mim secara, por inteiro, o vinho; "Tivemos de beber do mesmo pranto" ***   Maria João Brito de Sousa - 21.03.2021 - 13.17h *   Entre aspas, versos de Camilo Pessanha  Soneto criado para uma rubrica do Horizontes da Poesia  

NASCE, POESIA!

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NASCE, POESIA! *   Porque o que sou me não cabe nas mãos fechadas, escorrem-me, por entre os dedos, estas sobras do que recuso transformar em gesto de troca, artigo de compra e venda, alimento, embriaguez, culto, ritual   e  que és tu, Poesia. * Divinizam-te, alguns, o corpo que não tens no altar que insistes em não ser, mas sei-te no cerne de todas as coisas, escorrendo inevitavelmente de todos os poros, por todas as frestas, limpa, lúcida, viva, inexplicada…  * Cantas, ainda, onde a esperança morreu, ressoas no vácuo, apesar de inaudível, desdobras-te em invisibilidades e vislumbres, acendes-te, sublime, no temor de cada escuridão. *   Inútil, ou não, Nasce, Poesia! *   Maria João Brito de Sousa – 11.09.2012 -01.53h   QUEBRANDO REGRAS * Sou uma poeta que tenta ser arrumadinha nas suas publicações, daí que tenha criado um blog para sonetos, um para poemas em redondilha maior ou menor e outro ainda para os poemas em verso livre e branco, porém... dado o afecto que nutro pelo Ilustre Ba...

"SE OS SONHOS FOSSEM DINHEIRO"

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Queira fazer o favor de ler  aqui

AURORA

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AURORA * (Soneto em verso alexandrino) * Porque a vida não pára e o mar é tanto ainda, Assim que noite finda, renasce a manhã clara Sobrançando a antepara assim que a vela guinda; Como será bem-vinda e como nos é cara! * Como é preciosa e rara assim que se deslinda E a sorrir nos brinda enquanto nos prepara Pra quanto nos separa em estando desavinda; A aurora na berlinda e nós correndo para * A luz com que nos cinda assim que nos beijar... Já esmaece o luar onde o sol vai espreitando A barca sem comando ainda a flutuar * À deriva num mar nem sempre azul e brando; Que remador, remando, a pode impulsionar Se a aurora demorar e a luz lhe for faltando? *   Maria João Brito de Sousa - 18.03.2021 - 10.08h

"JUST ANOTHER VIDEO GAME"

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"JUST ANOTHER VIDEO GAME" *   Rejeito a espada e recuso a parede; Se uma me fere, a outra me encurrala Na minha velha, empoeirada sala Que apenas tem saída para a "rede" * E, cá por dentro, cresce-me uma sede Que, lá por fora, a muita gente abala; Quando essa sede cresce, nada a cala E tanto cresce que ninguém a mede... * Há porém que arriscar, eu bem o sei, Pois entre um risco certo e um possível, Será pelo segundo que optarei * Mas, caso haja mudança irreversível Deste equilíbrio instável que alcancei, Ou ganho o jogo, ou desço mais um nível... *   Maria João Brito de Sousa - 18.03.2021 - 14.00h

SERVIDO AO POSTIGO - Coroa de Sonetos - Maria João Brito de Sousa e Jay Wallace Mota

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SERVIDO AO POSTIGO * Coroa de Sonetos * Maria João Brito de Sousa (Oeiras, Portugal) e Jay Wallace Mota (Belém, Brasil) *** 1 * Trago um soneto servido ao postigo; Vá prá fila senhor concidadão Tal qual como se fosse comprar pão Ou tomar um café... sem um amigo. * Adquira um verso ou qualquer outro artigo Pois passa o meu postigo a ser balcão De um boteco de esquina sem patrão, Sem tecto, sem cadeiras, nem abrigo... * Vou servir-lho no copo descartável De um protesto que sei incoerente, Mas que se vai tornando inevitável * Pois já não sei se sei s`inda sou gente Se apenas sou mais uma variável De uma curva ascendente ou descendente... * Maria João Brito de Sousa - 12.03.2021 - 11.21h * (em co-autoria com a minha irreverentíssima Musa) *** 2. * De uma curva ascendente ou descendente, Depende o mundo todo, a cada dia, Pra ver a evolução da pandemia E decidir os passos para frente. * Mostrados em escala contundente, Os gráficos revelam uma fria Maneira de medir essa agonia Porque só mostr...