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CASA

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  CASA * Agiganta-se a casa. O mundo pára. Não excede o meu telhado o próprio céu, Quando me falam deste pouso meu, Da minha toca velha e estranha e rara, *   Deste tecto onde a musa se declara A cada verso lido como seu E, a cada passo que ainda não deu, Mais foge a casa que nos foi tão cara. * Se fico, estou perdida e, se vou, morro. Pra quê chorar, gritar, pedir socorro? Escolho morrer, ficando! Morro nela. *   A musa (inexistente) assim mo dita, Pois disso nos dependem verso e escrita; Arrisco, escrevo e não desisto dela!   Maria João Brito de Sousa – 02.08.2018 – 09.52h  

... E O QUE ME RESTA?

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  Tiram-me braços, pernas, coração... Levam-me o velho espaço onde me insiro E, por arrasto, a mim me levarão, Talvez em breve, ao último suspiro, Que só eu sei da estranha condição De ser tábua do chão do meu retiro E, assim que mo negarem, negarão Até o próprio ar que nele respiro... Não gosto de queixar-me e sei ser vão Falar do estranho amor que aqui refiro, Mas nada mais me resta! É deste chão Que o verso se me eleva a quanto aspiro, Enquanto vos vou expondo a situação... (... mas quanto mais me exponho, mais me firo...)   Maria João Brito de Sousa - 06.01.2016 - 18.00h  

MEU PINHEIRO MANSO, MEU FIGUINHO-LAMPO...

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  (Soneto em verso hendecassilábico)     Meu celeiro farto, meu pinheiro manso Que choras se parto, calo ou me desdigo, Meu pinheiro amigo, meu seguro abrigo Onde, havendo p`rigo, me escondo e descanso   De um bulício antigo que nem sempre alcanço; Porta sem postigo, falta sem castigo, Figueira onde o figo sabe que o bendigo Por ser só comigo que dança, se eu danço   Doce figo lampo que uma mãe-figueira Me of`receu trigueira, lesta, rotineira E que ao dar-se inteira se me foi tornando   Materno alimento, carne, irmã ceifeira De espiga engendrada nesta fértil leira Tão mais derradeira quão mais vai faltando.     Maria João Brito de Sousa - 12.03.2015       (Soneto em reedição, ligeiramente modificado - À minha morada)    

A VELHA MORADIA DO DAFUNDO

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  (Soneto em decassílabo heróico)   Daquela antiga casa que sabia Todos os tempos do meu verbo Amar Como secreto templo que se abria De cada vez que a fosse visitar,   Olhava um areal que se estendia Da orla ribeirinha até ao mar Que rescendia a sonho e maresia Em cada avo de sonho por explorar…   Talvez morasse Deus na antiga casa, Ou talvez fosse, eu mesma, um deus menino Que ali quis construir seu próprio mundo,   Pois despontava-me uma ou outra asa Na casa que era mais que o que eu defino Por velha moradia do Dafundo…     Maria João Brito de Sousa – 19.07.2014 – 17.04h   NOTA – Reformulado a partir do soneto original de 31.07.2010  

UMA OUTRA CASA, TAMBÉM PORTUGUESA...

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Eu passo! Essa jogada não é minha! Prefiro a lucidez distanciada Do tempo em que ao jogar uma cartada Tinha a vitória mais do que certinha!   Um livro de cordel (escrito por mim!), Uma sopa no prato, sobre a mesa... Vestígios de outra casa portuguesa Sem beijo à minha espera (antes assim!)...   Sem azulejos nem flores e jardim, Sem nada que pareça uma promessa, Mas sempre a minha casa e não m`int`ressa   Se a casa cheira a mel e alecrim! A casa portuguesa... um universo Desta implosão de mim no meu inverso!       Imagem retirada da internet      

ÀS VOSSAS PORTAS

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  Ele era o meu eleito entre os Poetas! Vivia amando tudo o que não tinha, Mas em qu`rendo o luar, o luar vinha Beijar as suas horas mais secretas...   Viveu para aprender até morrer, Aflorou os mistérios de outros céus E antes de partir, disse-me: - Adeus, Ainda tenho muito que aprender!   Por vezes nem sei mesmo se partiu Ou se ficou por cá... alguém sentiu Que as coisas permanecem mesmo mortas?   Por isso estamos juntos nestes versos, Criamos outros tantos universos E batemos, os dois, às vossas portas.   Ao poeta António de Sousa e à Ligeirinha.   Imagem - Fotografia tirada há cerca de dois meses à porta da "nossa" casa, na Rua Luís de Camões em Algés.