O POEMA QUE O CORPO ME RECUSAVA
Se um poema dependesse só de mim E não desses milhares de variáveis Que se não sabe quando têm fim E que jamais se tornam dispensáveis, Ou se escrevê-lo fosse sempre assim, Tão certo quanto os meus inevitáveis... Mas não! Erva que cresça num jardim Expr`imenta mil destinos improváveis... Agora, neste alívio de proscrita Que aqui vai renegando o seu castigo, A tactear, como se se espantasse, Deixo, enfim, um poema que acredita E que agora mostrou ser meu amigo Por muito que o meu corpo o recusasse... Maria João Brito de Sousa