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A mostrar mensagens de dezembro, 2011

A DEMISSÃO DA PALAVRA

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  Brotaram, de repente, absurdos gritos Do eixo da palavra atormentada Onde os sintomas – todos! - são malditos Prenúncios de revolta estrangulada   E à digestão dos ecos mais aflitos Por excessos duma ceia inesperada, Somaram-se, por fim, dois sonhos fritos À privação geral… mas consolada!   A vocalização desconstruiu-se Na absurda convergência da partida, E, pouco a pouco, a chama consumiu-se   No pavio duma rima já sumida E a palavra ergueu-se e demitiu-se Da principal função da própria vida…         Maria João Brito de Sousa – 25.12.2011 – 22.55h

MAIS UM NATAL...

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MAIS UM NATAL * Natal! Como se o Céu pudesse, agora, Modificar de um sopro a Terra inteira, Reconstruindo o Mundo de maneira A decidir quem nasce e a que hora... * Como se o Sol, que a todos revigora, Fosse o supremo fim desta canseira E a luz que dele emana, a derradeira Tábua de salvação de quem cá mora... * Natal! Como se as águas não jorrassem, Como se as terras virgens não pulsassem Na floração selvagem dos seus lírios, *   Como se as pedras se desmoronassem E as chamas, a tremer, não se apagassem Já frias nos pavios dos velhos círios... *   Maria João Brito de Sousa * 18.12.2011 – 15.17h

SEI LÁ QUANDO....

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    É de longe que venho. O que eu vivi!   Quantos prados eivados de ribeiras,   Quantos penhascos, quantas ribanceiras   E quanto esconso vale eu não corri       E o que passou correndo e que nem vi,   Na pressa de correr? Entre carreiras,   Se perdem forças, se ganham canseiras,   Se esquece tanto quanto eu já esqueci.       Às vezes muito tarde, noite afora,   Esperando a madrugada, como agora,   De pálpebras cerradas, mas sonhando,       Outras vezes de dia, a qualquer hora,   Grafando a irreverência da demora   Nalgum  quase insondável “sei lá quando”…           Maria João Brito de Sousa – 13.12.2011 – 21.16h       Imagem de um dos megalitos da Ilha de Páscoa, retirada da internet  

O RENOVAR DAS PENAS ou NINGUÉM VOA SEM PENAS...

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Pobrezita de mim, que não sei ser Senão uma avezinha que gorjeia E, sobre asas cortadas, revolteia Sempre a tentar voar, sem o poder.   O que nos versos meus ousei dizer, Suavizará as penas de quem leia E pode até tocar quem remedeia Asas que outrém cortasse, sem saber…   Sobram penas caídas… venham novas, Geradas na matriz das próprias covas Das penas que caíram! Velhas penas...   Mãe Natureza, eu sei que tu me aprovas Quando em folhedo e pétalas renovas Arbustos, ervas bravas, açucenas…           Maria João Brito de Sousa – 11.12.2011 – 17.44h       Imagem retirada da internet, via Google

RETRATO DE MANADA ATRAVESSANDO UMA ESTRADA ou NOVOS SENTIDOS PARA VELHAS ESTRADAS

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Mui paulatinamente, uns três ou quatro, Irão adiantando a caminhada Usando da prudência e do recato Comum à persistência da manada...   Passaram já as águas de um regato, Estão perto de uma via alcatroada E alguns já vão pisando a velha estrada Assim que alguém lhes tira este retrato...   Os carros, que são poucos, vão parando E os cascos vão cobrindo o duro asfalto Conforme a via inteira vai ficando   Recoberta de dorsos coloridos, Como se a natureza, em suave assalto, Tentasse dar à estrada outros sentidos...         Maria João Brito de Sousa - 10.12.2011 - 14.49h     Imagem "descoberta" na net

ALENTEJO II

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Ó terra de oiro antigo e céu sem fim Pontilhada de verde e de castanho, Eu quero-te sem prazo e sem tamanho Com este querer maior que existe em mim   Terra de ervas e flores, como um jardim Espraiando-se orgulhoso em chão de antanho E onde o corpo móvel de um rebanho Nos surge e se nos deixa ver, assim.   Que o teu povo magoado te acrescente Os laços sempre férteis da semente E possa eternizar-te no seu  "cante "   Que a tua voz se eleve eternamente, Que sempre seja livre a tua gente E que haja em ti fartura a cada instante!         Maria João Brito de Sousa  06.12.2011 - 15.21h   Reformulado a 22.11.2015     Imagem do Alentejo, retirada da internet