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A mostrar mensagens de junho, 2013

VIVER ATÉ AO FIM

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  (Soneto em decassílabo heróico)   Mal se te apague esse último embondeiro Em horizonte incerto, agonizando, Entenderás que a morte foi tomando Tudo o que a vida te ofereceu primeiro   Sem que te concedesse um só roteiro, Sinopse ou mera guia de comando Do tempo incerto que em te foi gastando Sem dar-te contas de um tal cativeiro.   Só sabes que há-de vir, que a todos calha A hora de, envergando uma mortalha, Voltar ao barro cru que tanto amaste   Mas, por cada segundo em que ela falha, Aproveita! Inda é vida a mão que espalha Sementes sobre um chão que antes lavraste.   Maria João Brito de Sousa – 09.06.2013- 15.18h

SONETO A UMA OUTRA EMBRIAGUEZ

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  (Em decassílabo heróico)     Devo dizer-vos ter julgado certo O fim dos dias do meu “sonetar” Que a cada instante vinha concertar Meu muito humano e lábil desconcerto.   Hoje, porém, sem um motivo, incerto, Sem sonho que o fizesse anunciar, Nasce-me este, ébrio, quase a galopar Sobre as tristezas que sentiu por perto   E, nesta força que nem eu lhe entendo, Fez-se palavra, verso… e, num crescendo, Impôs-se, a cores, ao cinza do costume   Assim que letra a letra foi estendendo A melodia que, em mim não cabendo, Jorrou qual água mas queimou qual lume.       Maria João Brito de Sousa – 29.05.2013 – 21.36h       IMAGEM - Três Mulheres na Fonte - Pablo Picasso, 1921