VIVER ATÉ AO FIM
(Soneto em decassílabo heróico) Mal se te apague esse último embondeiro Em horizonte incerto, agonizando, Entenderás que a morte foi tomando Tudo o que a vida te ofereceu primeiro Sem que te concedesse um só roteiro, Sinopse ou mera guia de comando Do tempo incerto que em te foi gastando Sem dar-te contas de um tal cativeiro. Só sabes que há-de vir, que a todos calha A hora de, envergando uma mortalha, Voltar ao barro cru que tanto amaste Mas, por cada segundo em que ela falha, Aproveita! Inda é vida a mão que espalha Sementes sobre um chão que antes lavraste. Maria João Brito de Sousa – 09.06.2013- 15.18h