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A mostrar mensagens de março, 2011

CAMINHO DE POETA

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Solitário nasceu e há-de morrer Poeta que é poeta a tempo inteiro! Bem soube que nasceu para escrever, Nunca o fez pr`a mostrar-se ou ter dinheiro...   Poeta é mesmo assim! O seu dever Foi ser em plena essência, verdadeiro, Esquecido de si mesmo ao transcender Fronteiras deste humano cativeiro…   Poeta... este ousou sê-lo e nem par`cer; Negando o que outros dizem dar prazer Abraçou, despojado, a fantasia,   E deu-se por inteiro. E nem sequer Hesitou, recuou, parou pr`a ver Aonde é que o levava a Poesia...       Maria João Brito de Sousa – 22.03.2011 – 18.46h   Ao meu avô, António de Sousa. Poeta.    NOTA - Soneto reformulado a 22.10.2015      http://www.raizonline.com/radio/     Oiça, esta noite, entre as as 22 e as 24.00h - hora de Portugal Continental - o programa   SABOREANDO, de  Joaquim Sustelo       E... que tal umas rifas por uma boa causa?   http://www.carolinalucas.com/bazar   A pequena Carolina Lucas precisa de garantir a continuidade dos seus tratamentos, em Cuba. Uma boa ma...

PRIMAVERA

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  Vestiu-se o céu de azul sobre a cidade Exausta do cinzento que fazia, Prenchendo de cor e claridade A vida oculta que em si mesma havia.   Nasciam flores da pura insaciedade Do tal ciclo solar que se oferecia Uma vez mais, cantando a liberdade De recriar-se em luz, todo utopia…   Sob este azul que agora veste o céu, Tentando interpretá-lo, estarei eu Que nada sei dizer do que não sinto…   (perdoem se vos falo do que é meu; por mais que eu queira o céu, ninguém mo deu, e eu, de meu, só tenho o que aqui pinto…)         Maria João Brito de Sousa - 21.03.2011  

DEPOIS DE ANTES DE MIM

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“Depois de antes de mim… estarei por cá!” E sublinhava a frase com risadas, Desfazendo-se toda em gargalhadas, Mostrando não cuidar do que não há…   Soprava um beijo a rir, como quem dá Riquezas das que são mais cobiçadas E fugia de nós subindo escadas Inventadas por ela e por… sei lá!   Sumindo-se na tarde incandescente, A cada pôr-do-sol, corria, urgente, Depois de nos deixar num alvoroço…   Certa tarde chegou quase à tangente E, sorrindo pr`a nós, disse, inocente: “- Brincamos amanhã, depois d` almoço!”     Maria João Brito de Sousa – 16.02.2011 – 20.02h      ESTA NOITE;   Música e Letra por Liliana Josué na Rádio Raizonline Horário: Sextas feiras das 21horas às 23 horas Titulo do programa: Música e Letra Apresentadora: Liliana Josué   E, NO FIM DE SEMANA, VÁ AO http://www.carolinalucas.com/bazar    :)   BOAS COMPRAS!

VULNERABILIDADES

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  Falta-me outro luar que mal recordo Mas vem iluminar, de vez em quando, Essas noites de insónia em que eu acordo Porque  nem a mim mesma me comando…   Tu dizes que é tolice e eu concordo Mas que posso fazer se em nada mando? Se nem desta maçã, que agora mordo, Serei mais do que quem a vai trincando?   Falta-me outro luar inexplicável, Mais branco do que o posso descrever, De uma brancura quase intolerável   Num silêncio pesado, inominável Que nunca mais me deixará esquecer Que mesmo ao que não há sou vulnerável…     Maria João Brito de Sousa

FERVURAS...

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        Soube-me a boca ao fel de mil lamentos E que acesas palavras disse então… Mas tu estavas ali e eras, em vão, A Musa que evocava os meus tormentos…   Que me importavam prémios opulentos Se, ao regressar a mim, tanto “senão” Crescesse, qual fermento azedo em pão, E, à pressa, me roubasse os meus talentos?   Não o quero aceitar! Não poderia! Inteira, a vocação me morreria Aos pés dessa incerteza, em parte alguma…   Ficando sem saber se outra viria, Eu, que me sei de cor, nem saberia Se eu mesma, assim fervendo, era só espuma…     Maria João – 16.02.2011 – 18.45h

PROJECTO DE CIDADE

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    Todas as ruas pedem multidões, Amantes passeando de mãos dadas, Canteiros, florescendo pr`ás paixões Que nelas encontremos semeadas,   Casas brancas, janelas com varões, Vasos florindo nalgumas sacadas, Portas pintadas como as das canções Que nos falavam de urbes encantadas…   Cada rua nos vai pedir jardim E uma "vista de mar", de lago ou rio De águas tintas de verde, como o jade,   Onde cada edifício tem por fim Poder encher de vida esse vazio Que implica um tal projecto de cidade…       Maria João Brito de Sousa – 14.03.2011 – 00.27h     IMAGEM RETIRADA DA INTERNET       http://www.raizonline.com/radio/     Hoje, entre as 22.00 e as 24.00h, aceda ao SABOREANDO com Joaquim Sustelo. Clique no link e tenha uma excelente noite de poesia!

POR VEZES, SÓ A TELA...

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    Às vezes digo aquilo que não devo Mas mesmo não devendo eu vou dizer Que por muito que seja o que aqui escrevo Ficam-me sempre coisas por escrever…   Poderia tentar, mas não me atrevo E fico por aqui, porque o dever Me faz calar o que comigo levo E transformar em gesto o que disser…   Assim nasce a pintura numa tela E nisto transfiguro o que não digo Do que sinto por dentro e me transcende…   Poderei sempre conversar com ela E gravar nela as metas que persigo Porque é sempre uma tela quem me entende…   Maria João Brito de Sousa

TEUS OLHOS

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Lágrimas dos teus olhos imploravam Outros olhos que olhassem para ti, Que vissem esses teus tal qual os vi, Afogados na água em que boiavam…   Vi nos teus cegos olhos que choravam As águas desse rio que não esqueci Mas a salvá-los não me permiti Pois não era por mim que se afogavam   E foi essa a razão que me impediu De resgatar teus olhos desse rio Que deles corria em estranho sobressalto,   De banhar-me na dor que deles fluiu Só pr`a que nunca mais tivesses frio, Para que alguém te olhasse enquanto eu falto…     Maria João Brito de Sousa  – 29.01.2011 – 02.59h

NUM SÓ POEMA

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    Num só poema escrito com paixão, Num só verso que nasça cá de dentro, Numa frase qualquer que uma emoção Tornou grafismo e foi gritada ao vento,   No estranho dedilhar desta tensão Na grafia em que sou o que me invento, Nesta sempre imparável compulsão Em que me não sei dar, mas sempre tento,   Nos instantes ferozes e selvagens Da magia insondável das imagens, No aço laminado de um segundo   Em que me encontro além do infinito E me esvazio toda num só grito… Eu sou pr`além de mim; sou todo um mundo!         Maria João Brito de Sousa – 05.03.2011 – 17.30h         http://www.raizonline.com/radio/   É já amanhã, entre as 21 eas 23.00h, A LETRA E A MÚSICA  com LILIANA JOSUÉ. Carregue no link acima e tenha uma boa noite de Poesia!

UM POUCO MAIS QUE NADA

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  Se o mundo me aceitar… fico por cá! Neste universo errático, imparável, Ser pouco mais que nada é reprovável E eu sou bem pouco mais que o que não há…   Mas se, nas voltas que o planeta dá, Me puder mostrar útil, agradável, Se nada aqui fizer de condenável, Quem sabe se este não se tornará   O meu pousio possível e provável, O local ideal [… ou ideável?] Para abrigar o nada que aqui sou   Ou mesmo pr`a tornar-me inabalável, Um ente c`o poder incontestável De se cumprir tal qual se idealizou?       Maria João Brito de Sousa – 08.03.2011 – 14.03h

COMO IRMÃOS

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Depois de uma ilusão… quanta ilusão, Quantas metas ainda inalcançadas… Quantas vezes o “sim” traduz um “não”, Sob o esforço das horas desgastadas?   Quanto trabalho até à remissão De feridas inda não cicatrizadas… Quanta fé se não põe na construção Das coisas que estão sempre inacabadas?   Depois de uma ilusão, resta o que resta E, do que resta, o tanto que virá Do muito que sair das nossas mãos   E a solução final pode ser esta; Há quem sempre aproveite o que se dá Se aprendemos a amar-nos como irmãos…     Maria João Brito de Sousa       Na fotografia - António de Sousa com os companheiros da Associação Cristã da Mocidade - A.C.M.

ISTO QUE SOMOS...

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O Tempo passa como nós passamos Pelos dedos das noites e dos dias Enquanto, vivos, nos perpetuamos Entre mágoas, tédios e alegrias   Do tempo que passou, todos guardamos Memórias de prazeres e de arrelias E é sempre uma memória que evocamos Se as horas se nos tornam mais tardias   Contudo, tudo aquilo que fizemos Ao longo destes passos que aqui demos, Gravou na Terra um rasto do que fomos   E alguns foram os frutos que colhemos Nesse pomar dos anos que vivemos Pr`a te legar, ó Mundo, isto que somos!     Maria João Brito de Sousa – 03.03.2011 – 23.59h         A TODOS OS POETAS DA BLOGOSFERA

MAIS MÃOS PARA FAZER UM POUCO MAIS...

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Ah, se eu tivesse mãos para prender, Nas minhas próprias mãos, o que é injusto, Pudesse eu terminar, mesmo que a custo, Esse tanto que ainda há por fazer…   Se eu tivesse nas mãos esse poder, Decerto enfrentaria qualquer susto Para tentar moldar um novo busto Aos operários de um verso por morrer…   Mas são só duas, estas mãos que querem E nunca farão mais que o que puderem, Embora não desistam de tentar…   Erguem cidades de uns nadas que auferem Mas morrem, façam lá o que fizerem, Quando o que delas querem não bastar…         Maria João Brito de Sousa – 01.03.2011 – 19.01h       NOTA - A Poesia tem, entre outras, a obrigação de fazer pensar. Sentir, também… mas deve permitir um “sentir” inteligente e útil, não meramente decorativo, e muito menos construído sobre a mera aparência. A Poesia quer-se feita de carne, sangue, ossos e nervos… como nós.

A TODOS OS PRÍNCIPES DO NADA

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São Príncipes do Nada, nada têm Senão essa vontade de viver Que os move em direcção ao que não vêem E os faz não desistir até morrer   São apenas crianças, mas contêm A fórmula secreta do que é ser E, mesmo quando morrem, sobrevêm Porque não cala a morte o seu viver.   Anónimos, ou não, têm um nome, Brincam, jogam, alguns sabem cantar E muitos, sem remédio, passam fome…   São tímidos, alguns, outros, risonhos, Procuram quem não podem encontrar Onde pousarem seus pequenos sonhos!         Maria João Brito de Sousa – 01.03.2011 – 22.13h    

APELO DO PROGRAMADOR-CRIATIVO DESEMPREGADO - Uma Geração à Rasca

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Dai-me olhares, dai-me coisas recusadas, O fumo de um cigarro e pouco mais; Germinam, deles, os passos virtuais Dos homens que percorrem caminhadas!   Pedi-me alguns milagres!... Quanto baste, Pois tudo o que me move é o talento E se pedirdes mais… não sei se aguento, Nem juro que um de vós se não agaste…   Dai-me a matéria-prima e vos darei Mais do que alguma vez vos negarei; A génese da fé numa emissão!   Dos píxeis que entregardes criarei, Pr`além do prometido, o que engendrei No âmbito geral de uma ilusão!     Maria João Brito de Sousa – 27.02.2011 – 15.15h