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A mostrar mensagens com a etiqueta um soneto por dia (3)

SER AS COISAS III, IV e V

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Invento mil canções de encantos-de-alma Ao marulhar do vento, à noite escura, À água do ribeiro que murmura Segredos-de-encantar à tarde calma.   Invento... ou são os olhos, os ouvidos, Que se encantam de ver, de tanto ouvir? Inventar, afinal, é só sentir, É poder libertar esses sentidos.   Inventar é sentir, em cada coisa O por-dentro e por-fora que ela tem, É partilhar texturas, sensações,   É prestar atenção a quanto se oiça, É sermos essa coisa, nós também E dar-lhe voz em versos e canções...   IV   Eu não quero ter nada! Eu quero é SER Como as coisas que sendo, tudo têm, As coisas que si mesmas se sustêm Alheias ao desejo de qu`rer ter   E SENDO são mais ricas, mais felizes E têm o poder de tudo dar, Connosco partilhando sol, luar, A sua própria essência em mil matizes...   Eu sou irmã das coisas mais pequenas. Partilho-me nas horas mais serenas, Partilho-me, também, na tempestade...   Eu sou  em cada coisa o que ela é. Não sei se, sendo assim, serei até A própria encarnação da li...

O ESTRANHO CASO DA MULHER QUE SEMEAVA COMETAS I,II E III

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O caso da Mulher-Que-Traz-Cometas (porque assumiu a sua condição e vive nesta humana dimensão sonhando o Paraíso dos Poetas)   É um caso verídico, actual E nada, mesmo nada, a mudará. Será cometa enquanto andar por cá (embora o mundo seja virtual...)   A Semeia-Cometas sempre o foi... Por mais que o mundo toque onde lhe dói, Tem o seu testemunho pr`a passar.   A mulher traz cometas nos seus braços E alheia a confusões e a cansaços Continua entre nós a semear...   (continuação)   Continuação do caso verdadeiro Da Mulher-Dos-Cometas-Virtuais: - A história já vendeu tantos jornais Que acabou por correr o mundo inteiro!   Tanta tinta correu por causa dela E tantas edições foram esgotadas, Que até duas velhinhas entrevadas Vieram a correr para a janela!   Procura-se a Mulher-Que-Traz-Cometas! Consta que, em tempos, teve tranças pretas E veste sem requinte e sem cuidado.   Procura-se por excesso de verdade. Procura-se por falta de vaidade. Procura-se por estar no mundo errado!   (epílogo)   ...

QUE ESTRANHA LOUCURA A MINHA V, VI E VII

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À PORTA DO ESPELHO   Precisamente um sonho! Um sonho só E um dom ou uma dádiva - sinónimos... Dispersa-me em milhões (serão het`rónimos?) E abraça-se a mim fechando o nó.   Precisamente e só um sonho louco, Que me enlaça, me prende e me seduz, Aceso em mim... e tudo se reduz Ao muito que sei ter, tendo tão pouco...   Nesta abundância vivo e comunico E tenho muito mais do que o mais rico Porque vivo do amor que tudo tem...   Aqui, nesta loucura abençoada, Percorro, neste mundo, a minha estrada Por dentro de mim mesma e sem ninguém...   A EXULTAÇÃO DO ESPELHO   Eu ergo-me do chão, meu velho amor! Da força deste meu eterno abraço À doce solidão na qual me enlaço E reinvento a vida em nova cor...   Sou árvore caída que se ergueu, Que germinou da pedra e estendeu ramos E vou continuar (todos nós vamos...) Por onde me levar um sonho: - O meu!   Sou palimpsesto deste humano fruto, Sou êxtase da vida e sou produto De quantos ideais o mundo oculta.   Sou eco da palavra e sou reflexo Do espelho ...

QUE ESTRANHA LOUCURA A MINHA II, III E IV

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VIRTUALMENTE ALICE...   Há dúvidas, arrobas, asteriscos, Mil coisas irreais que desafiam, Que nem anjos sequer pressentiriam, Mas que já me fizeram correr riscos...   Há coisas de estranheza desmedida Como a "diagonal das verticais" E outras que parecem ser reais Mas que não são sequer formas de vida.   Há coisas que parecem ser ideias Com / fusas, semi-fusas e colcheias A saltitar na pauta semi-breve...   Alice no País-dos-Pesadelos Que trinca, alegremente, os cogumelos E vai fazendo tudo o que não deve...   O PLANETA DO FAZ-DE-CONTA   Faz de conta que é tudo, exactamente, Igual ao que já foi quando era "dantes". Faz de conta... e moinhos são gigantes! Basta-me um "faz-de-conta", urgentemente.   Faz de conta que vejo o que não vejo E que tudo o que vi, nunca foi visto! Se neste Blogomar a vida é isto, Faz de conta que brinco e que gracejo.   Faz de conta que sinto sem sentir... (mas eu não minto e nunca sei fingir,  por isso faz de conta que não sinto...)...

12º, 13º e 14º SONETOS DA COROA - REMATE

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          O TEMPO NUMA FOLHA DE PAPEL   No barro desta humana imperfeição Mas aspirando a Anjo. Quem diria Que tão estranha e tão vã filosofia Haveria de ser aspiração?   Mas sendo controversa, ou mesmo vã, Garanto que não mudo o meu caminho! Sabe-me a boca ao mel, ao rosmaninho Das horas que cantar nesse amanhã   E se, a cada minuto, eu acrescento Uns "pós" do meu teimoso entendimento A quanto me pareça ser cruel,   O Futuro vislumbra-me e sorri... Sorrio-lhe, eu também, porque prendi O Tempo numa folha de papel...   Maria João Brito de Sousa - 22.09.2008   O "PECADO" DA FOLHA DE PAPEL   O Tempo numa folha de papel, De súbito pequeno e vulnerável, Desvendando um futuro indecifrável A traços de caneta ou de pincel...   Estranhíssima Alquimia a que revela Essa improvável forma de viver De um Tempo aprisionado, sem poder Gastar-se, nem na chama de uma vela...   Contudo, o tempo exprime-se e confessa, Revela, aos nossos olhos, a promessa Da mensagem que em si cristaliz...

9º, 10º e 11º SONETOS DA COROA

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NÃO SEI SE EXISTO MESMO OU SE ME INVENTO...   No sorriso do mar, ao qual assisto, Há cometas que passam, há sereias, Há sonhos transmutados em ideias, Há loucas ilusões que enfim conquisto!   Há conchas delicadas e castelos, (memórias do que ainda está por vir...) Há coisas que me fazem reflectir Sobre o que fiz (ou não...) p`ra merecê-los.   No muito que me diz esse sorriso Encontro sempre aquilo que preciso E disso os meus poemas vão crescendo.   Eu e o mar! Um só e afinal Todo este meu tesouro é irreal... Eu nunca sei se sou ou se me invento!     AS HORAS QUE ME ABRAÇAM   Eu nunca sei se sou ou se me invento Nos poemas que escrevo e que semeio... Talvez eu seja o fruto de um anseio A germinar em forma de talento...   Ou talvez seja só habilidade Este meu enlaçar-me nas palavras... Talvez as minhas mãos sejam só escravas De uma outra bem maior realidade...   Talvez seja a vontade colectiva Urgindo em mim, tornando-me cativa Das letras que aqui traço e que me traçam...   Só sei que mo...

UMA ESPÉCIE DE PERFIL

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    Amigo, sou apenas poetisa, Noutras vezes pintora (um dote inato...) Pois vem-me cá de dentro o que retrato, Sou força que a si própria se improvisa... *   Sou pobre como poucas, mas a brisa Vem soprar-me as palavras que relato; Posso não ter comida no meu prato Mas sobra-me este vento que me avisa *   Este sopro ideal que engendra o verso E vai somando à música da vida O que me mata a fome, além do pão, *   Pois faz brotar, de mim, o meu inverso; Ergo, do nada, a obra prometida Na qual sacio engenho e criação. *       Maria João Brito de Sousa  -  11.02.08 - 10.00h