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SO(LAS)

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 (Soneto em decassílabo heróico)     Não sei se as tuas horas - minhas, nossas.... - São suaves e sedosas, se, magoadas, À dor de cada dia são roubadas, Mas quero-te pedir, logo que possas,   A ti, que tantas vezes ris e troças De horas que se te alongam como estradas, Que acompanhes de perto outras passadas; As das horas pesadas, curtas, grossas,   Das solas da velhice e, das pegadas, Contar-me-ás depois: - Foram cardadas? Passeiam sobre asfalto, ou calcam roças?   E quantas pedras soltas, quantas poças De lodo e sofrimento são pisadas Quando as horas se arrastam, de cansadas?     Maria João Brito de Sousa - 10.11.2016 - 17.19h Tela de Vincent Van Gogh