CREIO NO PÃO - Reedição
Fotografia de António Pedro Brito de Sousa * CREIO NO PÃO * Pode o diabo ter-me até estendido O pão amanhecido que mordeu Mas, quanto ao resto, ter-vos-á mentido Pois quem o amassou fui eu, só eu! * Se o diabo ficar aborrecido Por ver-se despojado de um troféu, Viro-lhe as costas, vou noutro sentido E amasso um pão que seja mesmo meu. * A massa deste pão, quão mais cozia Mais dourava, crescia e rescendia Às ervas bravas da planura mansa * E demo algum tal pão cobiçaria Porque leveda nele a poesia De quem é velho mas já foi criança. * Maria João Brito de Sousa 25.06.2020 - 21.00h ***