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GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXIII

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  QUANDO A LUA TARDAVA DE LUAR Bebi o néctar fresco desse olhar Numa tarde ofuscada plo sol pôr  Quando a lua tardava de luar E as sombras se alongavam sem pudor   E, esqueci-me das horas nesse mar Nas ondas encrespadas pelo amor Que vão adormecendo devagar Num arrasto espumoso de candor   Havia no céu lápis de carvão  Que peenchiam nuvens em fusão  Na noite que beijou restos da lua   Lentamente caíram gotas frias Que afagaram meu corpo em cortesias Cobrindo minha pele ainda nua     MEA 23/11/2016 OUSADIAS DE UMA POETA SINESTETA "Bebi o néctar fesco desse olhar", Provei o pão das bocas mais famintas, Mas fui matando a fome num manjar Composto por pincéis, telas e tintas "E esqueci-me das horas nesse mar" Que também será meu, caso o consintas, Pois que, sem to pedir, te ouso glosar Com letras de impressão, negras, retintas... "Havia no céu lápis de carvão" E eu, que os tinha mesmo ali, à mão, Usei-os pr`a esboçar-te algumas glosas; "Lentamente caíam go...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXII

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FUI BARCO AMARRADO NO CAIS O dia despertou pardo e cinzento E, caindo em cascata dos beirais Inundando o recinto de cimento Desabam grossos rios verticais   Trouxe por companheiro tanto vento! E eu, fui barco amarrado no meu cais. Presa, só passeei em pensamento Ao visitar caminhos e locais   Percorri-os, supondo aquela calma Sabendo não haver neles vivalma Que me fala infeliz ou ansiosa   Sem que do sol tivesse algum aviso Nem sequer pequeníssimo sorriso A noite anunciou-se nebulosa   MEA 21/11/2016,     ESTE ÚLTIMO CIGARRO   "O dia despertou pardo e cinzento"; Cenário de um grotesco furacão Que uivasse o seu fantástico lamento A tão (in)desculpável solidão.   "Trouxe por companheiro tanto vento!" Vergou troncos, mudou a direcção Da louca dança e, sendo um trapalhão, Ufanou-se de ter graça e talento...   "Percorri-os, supondo aquela calma", Aos mais fundos abismos da minh`alma E por lá estacionei meu velho carro.   "Sem que do Sol tivesse algum aviso...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXI

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SONHO ADIADO   Sonhei quando dormia um sonho lindo Sonhei que havia paz, findara a guerra Que todas as crianças estavam sorrindo Sonhei não haver fome aqui na terra Sonhei que todos estavam construindo Tudo que de melhor a vida encerra Que os idosos viviam lá sorrindo Que havia protecção até pra serra Que os rios tinham água sem sujeira Que não havia ao povo roubalheira Que pra todos havia um ordenado Que todos tinham casa, tinham pão Sonhei que não havia exploração Porém, somente foi sonho adiado MEA 18/11/2016 (R)EVOLUÇÃO   "Sonhei quando dormia um sonho lindo" Que podia tornar-se bem real Se acordassem os muitos que, dormindo, Não têm, nem sonhando, um sonho igual;   "Sonhei que todos estavam construindo" As bases de uma paz universal E que o novo edifício ia subindo, Crescendo sem parar, na vertical,   "Que os rios tinham água sem sujeira", Que os céus sorriam, livres da poeira Das cinzas de uma Terra incendiada,   "Que todos tinham casa e tinham ...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XX

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  QUERO COLHER O DIA   Quero colher o dia que nasceu Como quem colhe frutos. Com afecto E degustar os gomos que me deu Ao sorver seu perfume mais secreto Saciar esta fome, no apogeu De sabores e cores, tão concreto Que ele nesse festim me concedeu Em ambiente ameno e tão completo Inspirarei com gozo seus perfumes Os olhos bem fechados, sem queixumes Espargindo pelo ar minha ternura Quero beber seu sumo envolto em sol No canto musical dum rouxinol! Enfim…quero colhê-lo sem bravura! MEA 16/11/2016 VIAGEM "Quero colher o dia que nasceu", Lançá-lo no convés da minha barca, Levá-lo além do mar, torná-lo meu, Deixar-lhe, em hora incerta, a minha marca... "Saciar esta fome no Apogeu" Do ponto que a visão precisa abarca, Rendê-lo e, por momentos, dar-lhe o céu Onde, em tempos, reinava a velha Parca... "Inspirarei com gozo seus perfumes", Mostrar-lhe-ei corais, conchas, cardumes De coloridos peixes tropicais; "Quero beber seu sumo envolto em sol", Tornar-...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XVIII

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  O VERBO AMAR DOS OLHARES   Nos olhares que sabem nos sorrir Há vontade de querer, de ser feliz E sem palavras sabem traduzir Algo que nos colora de matiz   Nos olhares que sabem seduzir Que sabem apagar a cicatriz E despertar em nós outro sentir Há a luz e a magia que se quis   Nos olhares que sabem convencer Que o futuro é também um aprender Duma forma diversa e diferente   Esses olhares sabem cativar Neles há sedução do verbo amar Conjugado pra sempre no presente   MEA 19/10/2016   DE OLHOS NOS OLHOS "Nos olhares que sabem nos sorrir" E nos enlaçam nesse seu sorriso, Há canteiros de versos a florir De quanto, sendo grato, for preciso... "Nos olhares que sabem seduzir", Nasce a amizade e morre o (pre)juízo Do que apenas seduz pr`a reduzir Cada ousadia, ao gesto mais conciso... "Nos olhares que sabem convencer", Luz algo que consegue converter A própria dissidência, ao dissidente; "Esses olhares sabem cativar" A franca timidez de um outro olhar...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XVI

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  PORTAIS DE FLORES Anda plo ar cheirinho a sardinheira Quando o sol à tardinha invade a rua Misturado no aroma da roseira Que decora a parede ainda nua   Bem junto a cada porta, a rua inteira É florido jardim, que apazigua Gentes que dela fazem ma"bandeira" Com esmero e alegria muito sua   Em cada portal há cor e beleza Há um modesto encanto e singeleza Que dão a esta rua ar pitoresco   Quando à noitinha se abrem as janelas Há perfume que sobe e entra nelas Suave delicado e muito fresco   MEA 3/11/2016       MEMÓRIAS DO ESTALEIRO     "Anda plo ar cheirinho a sardinheira" Quando recordo a casa onde cresci, Na qual me fiz amante e companheira De um mar infindo aonde me perdi...   "Bem junto a cada porta a rua inteira", Semelhava uma frota - assim a vi...-, Que erguia ao vento Oeste uma bandeira Que eu própria lhe inventei, pois que a teci.   "Em cada portal há cor e beleza" E um pouco da romântica rudeza Que um marinheiro traz no coração;   "...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XV

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ENTARDECER   Despeço-me do sol que se anoitece Quando lá muito ao longe desce fogo E perfilo-me firme como em prece Analisando as regras do seu jogo Na calma da penumbra calo e afogo Os suspiros e ais que a vida tece Para deixar que a noite no seu rogo Se enlace no meu corpo que arrefece Do fogo do horizonte inspirei luz Que na noite me aquece e me conduz Por imagens e sonhos em bailados Deixo-me adormecer em tal quimera Do fogo que já foi nasce uma esfera De intensa e branca luz com rendilhados MEA 14/10/2016   "CHIAROSCURO"   "Despeço-me do sol que se anoitece" Sempre em serenidade, como um rogo, Vendo como se esconde e desvanece Na linha de horizonte, aceso em fogo...   "Na calma da penumbra calo e afogo" Esse eco que, de dia, me abastece... Faz-se silêncio, enfim, que ao fim do jogo Tão só se espera que outro recomece...   "Do fogo do horizonte inspirei luz" E, para o compensar, dela repus Quanto de luminoso havia em mim...   "Deixo-me a...

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE VI

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  DE VENTO.....A BRISA   Fui vento, nesse dia do passado E para te alcançar soprei um beijo Em aroma de lima. Perfumado Com a verde esperança do desejo   E esse vento que fui , te fez legado E em sopros fez de ti, águas do Tejo Que correram pra mim , por todo o lado Dos meus campos de amor, fizeram brejo   Fui vento de frescura no Verão  No teu mar bebi, águas de paixão  E amanheci submersa de certezas   No Outono que já sou, sou subtil brisa Que entardece serena, sem divisa Em douradas espigas de incertezas     Maria da Encarnaçao Alexandre     13/09/2016       NEM SEMPRE BRISA, NEM SEMPRE TEMPORAL...   "Fui vento, nesse dia do passado" Em que esqueci pretérito e futuros, Ficando, o fruto em mim, condicionado Ao espaço conquistado entre os teus muros "E esse vento que fui, te fez legado" De um beijo que recordo entre os mais puros De quanto beijo tenha sido dado Entre dois jovens frágeis, inseguros... "Fui vento de frescura no Verão", Mas... fazendo cedên...

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE V

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Inspiração   "Um dia de chuva é tao belo como um dia de sol. Ambos existem, cada um é como é. "   Fernando Pessoa   BELEZA QUE VEM DA CHUVA     Veio a chuva, espiar a noite escura  Com a luz cintilante das estrelas Compôs uma ritmada partitura  Junto aos vidros fechados das janelas   Na manhã, desenhada de aguarelas  Surge um raio de sol que se mistura  No solfejo das notas, e faz velas, Arqueadas, às cores, com brandura   Há no cheiro da terra já molhada Sons, que nela tombaram, em balada Quando a chuva , a cantou em serenata    Há restos, espalhados plas colinas  Das gotas,  que se julgam bailarinas  Refulgindo no sol, os tons da prata     Maria da Encarnaçao Alexandre  13/09/2016   Primeiro Chamamento -     "Veio a chuva, espiar a noite escura" Compondo no telhado da marquise Tão suave sinfonia que eu, sem cura, A escando nota a nota e sem deslize..." MJBS SEGUNDO CHAMAMENTO "Veio a chuva, espiar a noite escura", Porque há na escuridão coisas tão b...