HERANÇA II
Deixo-vos, filhos meus, depois da morte, Os raios de luar sobre as cascatas E, nas horas mais duras, mais ingratas, O sopro rugidor do Vento Norte. Deixo-vos, filhos meus, palavras, traços E o barro tenro que haveis de moldar, Um infinito inteiro a conjugar Numa premonição de mil abraços. Deixo, de mim, um rasto de cometa, Um papel escrito, o húmus da caneta A despontar em verde e negro e branco E deixo estas roupagens de poeta Lavadas num lagar de tinta preta Contestando o sorriso aberto e franco... Imagem retirada da internet