SONETO HIPOCONDRÍACO
SONETO HIPOCONDRÍACO * Compõe-se exorcizando a pandemia, Cobre as rimas com panos reforçados E desinfecta a própria melodia Dos versos recolhidos, assustados * Alarma-se se encontra hipertermia Nas tónicas dos verbos confinados, Nas átonas pressente a disfagia E foge da aflição dos infectados... * Pobre soneto que se assustaria C´o mais pequeno dos espirros dados Por outro que só tenha uma alergia * Aos pólens que no ar andam espalhados; Quando escandiu um verso que tossia, Morreu de hipocondria. Tristes fados! * Maria João Brito de Sousa - 03.07.2020 - 12.27h