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A mostrar mensagens de maio, 2019

AO BEIJO DA "SENHORA DA GADANHA"

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AO BEIJO DA “SENHORA DA GADANHA”   *   Não, me distraio, não, só recupero Do beijo da “senhora da gadanha”, Mas não cedo um instante ao desespero Nem a ela me entrego, se me apanha. *   Quisera fazer mais, porém sincero Será quanto produza, embora estranha E lenta na palavra em que me esmero, Pareça enquanto a morte me acompanha.   *   Faltam-me os olhos, falham-me os sentidos, Esfumam-se-me entre atalhos já esquecidos Palavras que julguei serem legíveis *   Mas outros há que estando já perdidos Ainda assim resistem, quando unidos, A provações mais duras, mais temíveis. *       Maria João Brito de Sousa – 30.05.2019 – 16.34h      

SILÊNCIO BRANCO

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SILÊNCIO BRANCO   * Quando um branco silêncio estende as asas Sobre esta nossa imensa pequenez Ou entra subreptício em nossas casas Sem dar a conhecer os seus porquês   *   E tendo a dimensão das ondas rasas Inteiro te fascina mal o vês, Pois deixas que a mudez inunde as vazas Desse pouco em que crês que não descrês, *     Do branco espanto nasce a melodia E, em torno dela, o mais se silencia... Proteste quem julgar que aqui divago   *   Ou que afirmo o que nunca afirmaria A quem possa entender que nada cria A partir da mudez de um branco lago. *       Maria João Brito de Sousa – 30.05.2019 – 08.30h       A Jack London   Imagem retirada  daqui  

SONETO TARDIO II

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SONETO TARDIO II   *   Tivesse eu garra(s) como tinha dantes, Criasse eu asas com que me elevasse E, ganhasse a miséria que ganhasse, Voltaria a ser rica por instantes *   Pois, inda que chovessem diamantes, Disso desdenharia. Se eu voasse Com asas que de novo conquistasse A sonhos cada dia mais distantes,   *   Não mais este penar me esmagaria E a suspeição de em tudo vos pesar Com certeza de mim se afastaria   *   Para, num golpe de asa, dar lugar À alegria de ser como seria, Tão só me soubesse eu redesenhar.   *     Maria João Brito de Sousa – 29.05.2019 – 20.17h      

SONETO TARDIO

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SONETO TARDIO   * Mergulhei no sonho das alegorias Já que de energias e sons me componho, E o tempo é risonho se der garantias De enfrentar fobias sem medo ao medonho. *   Hoje pressuponho que, ao longo dos dias, Só de horas vazias agora disponho... Que mais me proponho quando, horas tardias, Em vez de harmonias, encontro bisonho *   Um tempo a que oponho sons e melodias? Sim, houve avarias, mas não me envergonho Das coisas que sonho. Se roubas fatias *   Dessas fantasias de sol e medronho, Depressa reponho quantas me desvias Pois nas sombras frias me adentro e me exponho. *     Maria João Brito de Sousa – 21.05.2019 – 21.16h     Imagem retirada  daqui

O COMBÓIO DAS MINHAS MEMÓRIAS

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O COMBÓIO DAS MINHAS MEMÓRIAS * Que importa onde o combóio se passeie, Se é tão belo o local, tão vasto o rio, Tão alta a ponte que faz do vazio Caminho certo ao qual ninguém receie? *   Não havendo desastre que o refreie, Prossegue, este combóio, o desafio De enfrentar, no Inverno, neve e frio, No Verão, todo o calor que o incendeie. *   No ventre, leva gente alvoroçada, Gente que fala e gente tão calada Que mais parece feita de madeira. *   Adeus combóio das pequenas glórias, Adeus viagens que hoje são memórias De quem se queda imóvel na cadeira. *     Maria João Brito de Sousa – 06.05.2019 – 10.15 h     Nota - Soneto criado para um desafio de textos poéticos proposto pela administração do site  Horizontes da Poesia.  

VIVER CALANDO A VIDA

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VIVER CALANDO A VIDA *     Nasceu quente, este Maio, mas eu gelo Privada de sentir garra e paixão... As coisas que me nega um coração Não maior do que um punho ou que um novelo!   *   A mim, que o (des)cuidei com tal desvelo Que, às vezes, mais lhe quis do que à razão E que, a ela, a deixei sem protecção Para ceder ao seu mais louco apelo, *   Nega-me agora a voz franca e sem medo, Cala a palavra livre e destemida... E eu mais uma vez me calo e cedo *   À sua prepotência desmedida; Para que pulse, fico no degredo De nem sequer poder cantar a vida. *       Maria João Brito de Sousa – 04.05.2019 – 15.33h

OBRIGADA! MUITO OBRIGADA, JOAQUIM SUSTELO E CIDA VASCONCELLOS

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