SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA VI
A ZANGA Desisto do soneto! Esta canseira, E tanta falta dessa inspiração Que antes vibrava em mim, como canção, Se evaporou e, agora, sai-me… asneira! Desisto! Só não sei se é desistência Pontual, ou se veio pr`a ficar… Falta-me o tal “tempero de luar" Da minha “especiaria” de excelência… Estou zangada comigo, é evidente… Sem sonetos não sei seguir em frente, Perco o meu Norte/Sul, Este e Oeste… De zangada que estou, nem mais me aceito! Perdeu-se o batimento mais perfeito, Foi-se embora o tal dom que era "celeste"… Maria João Brito de Sousa - 2010 A ZANGA II Por vezes faltam-me as palavras certas; Resmungo, rasgo, risco e, furiosa, Tento trocar os versos pela prosa Para avançar com novas descobertas! Mas ele há sempre um verso à minha espera. Mais calma, vou escrevendo e, sem saber, Mais um soneto acaba por nascer, Por mais que a decisão fosse sincera… Vá-se lá entender quanto se passa Na alma de um poeta assim zangado, Que pensa em desi...